sexta-feira, 31 de julho de 2015

Bate com a porta

Diz-me, então, porquê?
E quais as palavras
Que vais escolher
Diz-me antes, diz-me já.

Para não haver amanhã
Que não haja o hoje,
Nada mais haja.
Que tudo cesse, tudo!

A tua esterilidade será a minha morte

terça-feira, 28 de julho de 2015

Auto ajudas e afins

Um site na internet brinda-me com 15 conselhos para aprender a ser feliz. Admito que a felicidade é um objectivo que orienta o homem. Platão dizia na sua República que o conhecimento do homem visava a ideia de BEM, que é no fundo o superlativo de todos os conceitos. Para os crentes poderemos substituir o Bem por Deus, os outros podem começar a fazê-lo, pois que se o objectivo é mesmo a felicidade, podem começar por descartar desde já esse preconceito ( um pré-conceito, ou seja um juízo, ou dedução racional anterior à formulação da entendimento das coisas). Voltando, então à felicidade, esta é, obviamente um conceito, ou seja uma ideia. Não a deduzimos racionalmente, não se trata de uma equação mas sim de um pensamento que o homem ambiciona atingir e nele permanecer. Assim temos que a felicidade é um caminho até ao Bem e neste propósito é claramente um objectivo que orienta o homem.

1. Desista da sua necessidade de estar sempre certo
2. Desista da sua necessidade de controle
3. Pare de culpar os outros
4. Abandone as conversinhas auto-destrutivas
5. Deixe de lado as crenças limitadoras
6. Pare de reclamar
7. Esqueça o luxo de criticar
8. Desista da sua necessidade de impressionar os outros
9. Abra mão da sua resistência à mudança
10. Esqueça os rótulos
11. Abandone os seus medos
12. Desista de suas desculpas
13. Deixe o passado no passado
14. Desapegue do apego
15. Pare de viver a sua vida segundo as expectativas das outras pessoas



segunda-feira, 27 de julho de 2015

O afecto e outras coisas que tal

“O afecto é grátis.” Todavia, assim como há quem o ofereça com generosidade, há, também quem o saiba receber com igual generosidade. A inversa é, também, uma verificação do outro lado da natureza humana. O que fica de permeio é tudo aquilo que não chega nem a carne nem a peixe.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Coisas assim

Diz-me por onde andas e dá-me notícias de ti.
Não que queira saber mesmo de ti, apenas me apetece saber coisas de ti que me entretenham.

Há gostar de pessoas assim... em que apetece saber coisas.


Será mesmo assim?

Há pessoas, ou gente, com o síndrome de polícia. Olham para o mundo, sobretudo nos outros e no resultado da acção destes, na expectativa de encontrar erros e, depois, exigir-lhes a devida expiação. No meio disso está, obviamente, a ideia que fazem do mundo e do que deveria ser o agir dos outros face às sua necessidades e exigências. Fora das zonas de conflito inevitável, será que terão momentos de Paz?

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Conversa absurda

As pessoas passavam nos seus afazeres ou simplesmente nas suas vidas como quem tem uma razão que justifique a mudança de sítio. E passavam. Gordas, baixas, altas, morenas, passeando o cão o contrário.
Às vezes parava a fazer enredos sobre todo o mar de possibilidades de passados destas gentes e que futuros poderiam ambicionar. A loucura entra sorrateiramente em mim e vai, aos poucos, integrando situações limites e pouco funcionais, sobretudo dos segredos que se calam.
Um dia uma delas entra directamente dentro do universo da ilusão
- O que é que estou aqui a fazer? - perguntou a voz que seria da rapariga morena
- Não percebo... - respondeu enquanto olhava, assustado para todos os lados.
- Andaste a pensar uma coisas sobre mim e ficaste a meio.
- ...a.... meio??
- Sim. Olha para aquele eu que está a sair da farmácia - dizia a voz que is tornando-se cada vez mais doce.
- Estou a ver
- Estavas  a dizer que aquele meu corpo era muito boa
- ( tosse)
- Não sejas parvo.
- Bem...
- Não estavas a pensar nisso? Fizeste até um reparo às minhas ancas que "parece que dançam..."
- Pois...
- Vá continua a olhar que vou fazer mais um trejeito como tanto gostas.
Ao fundo, a silhueta, dá um ligeiro salto saltando um pequeno buraco no passeio e baixa-se para apanhar algo que entretanto caíra, depois, ao levantar-se roda todo o cabelo atirando-o para trás...
- Pronto. Gostaste? Foi para ti
- A.... obrigado... - falava para uma direcção qualquer, pois ninguém estava ao seu redor.
- Dizias então que eu tinha um olhar amedrontado e fugidio...
- Pois, foi essa a impressão com que fiquei do teu olhar.
- É que estava sem lentes. Não consegui ver nada com nitidez e, naturalmente, como via mal estava incomodada, mas agora já as comprei. Ainda me vês com a mesma expressão?
- Mas eu não vejo ninguém.
- Claro. Espera que eu já volto.
- Já voltas?!?!? Como assim
- Sim, olha para o fundo da rua.
- Sim, é a mesma figura
- Claro que sou eu! Ou não reconheces as ancas que elogiavas a dança?
- Mas como é que eu posso estar a falar contigo e estares ali?
- Isso é importante?
- Sim, claro
- Para quê?
- Isto que está a acontecer não existe?
- O que é que não existe?
- Este diálogo contigo, se tu estás ali ao fundo - e apontava para o fundo da rua onde a figura estava.
- E que mal tem? Olha vou-te dizer adeus... - E a morena levanta o seu braço e num gesto femenino e delicado acena.
- Existe ou não?
- Sim eu vi...
- Se viste é porque existe! Ou vês coisas que não existem?
- A... não.
- Bom, então deixa-te de fantasias vamos continuar a conversa. Eu era amedrontada e fugidia, quase chegaste a pensar em tímida.
- Sim, com efeito.
- E, mesmo não descolando os olhos das minhas ancas, começaste a pensar que eram traços que se deviam à presença de uma figura paterna forte e castradora.
- Pois... o medo que o olhar expressava
- Já te disse que era a falta de lentes.
- Sim, mas...
- O Freud é-te mais fácil que as coisas simples da vida?
- Não percebo
- Porque é que eu não era simplesmente uma mulher ( apesar de pensares em miúda, adolescente, menina apesar dos meus 25 anos) que vinha de casa do amante, onde depois de uma noite bastante gratificante perdeu as lentes de contacto?
- Porque não te entregaria a outro.
- Como assim?
- Não poderia olhar para ti e para as formas do teu corpo, à graciosidade do teu rosto e depois dá-lo a outro homem para que com ele tivesse momentos de prazer. Não.
- Ficavas com ciúmes?
- Ciúmes, como se não te conheço?
- Mas não querias entregar-me a outro. Preferias que tivesse um pai castrador do qual a tua capacidade iria salvar.
- Não, de todo.
- Então olha para mim e despe-me...
- Não sejas parva
- Parvo estás a ser tu, quantas é que já despiste com o olhar? e foi ainda hoje.
- Não foi bem assim...
- Não??? Então foi como? Tiraste a roupa com a observação da curvatura dos seios que se sobrepunham ao soutien pelo que imaginaste logo a sua dimensão e forma?
- Onde é que queres chegar?
- Eu?
- Sim, tu!
- Eu, a lado nenhum. Já cheguei.
- Com esta conversa toda o que queres de mim?
- O mesmo que tu.
- Mas eu não quero nada.
- Então eu também não.
A silhueta na rua pára e fica a olhar para ele. Está a pouco mais de cinco metros. Olha-o nos olhos. Os seus olhos estão fixos nela.

Ficam parados respirando-se.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Ahhhhhhhh!!!!

De manhã há frescura e vontade de conquistar o dia!
Ao fim do dia, apenas resta a vontade chegar.

Onde raio morremos durante o dia?

A uma outra

Quem és tu?...
Para além de um imenso desejo,
De uma vontade inexplicável
De ser absolutamente contigo?

Se fora disso pouco mais és...
Um ser perdido
Num mundo ausente
Carregado de vidas adiadas
Onde o agora não é
Nada mais que tempo
Que escorre num ampulheta
Do que poderia ter sido...

E haverá sempre
Uma natureza que confirme
Essa pulsão de ambicionar
Esse ser feito ideal
E, mais tarde, noutro tempo,
Na serenidade reflexiva,
Apenas restará a frustração
Porque venceu o não...

Poeminha

Ah... aquele dia...
O que foi o tempo todo,
Que foi tudo
Onde tudo fez sentido...

Como pode ter sido assim?
Se hoje é recordado?
Calhando foi apenas
Um bom dia....

Vamos a outro?

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A um tempo

Durante anos fizeram, diariamente, o mesmo caminho. Esperaram e correram ao mesmo tempo. Riram e chatearam-se pelos mesmos motivos. Foram, durante um tempo, quase os dois num. E foram assim, como foi o tempo.
Sem saber e sem quere, um dia, um foi deixando de ser o um para o outro.
No meio ficou a cumplicidade do que nunca foi mas poderia ter sido.

Queixinhas

Coisas que me incomodam preciosamente: Alguém que não entendendo o humor resolve descer ao insulto fácil e banal evidenciando o fel que lhe vai na alminha. Coisinha medíocre....

terça-feira, 14 de julho de 2015

Humor ou horror

Passeava e notei que descarregavam material para uma loja dos chineses. Fiquei estupefacto! Então não era suposto eles fazerem estas coisas uns em cima dos outros na casa de banho?

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Frases do facebook

"O lobo sempre será mau se você ouvir apenas a versão do capuchinho vermelho."

Não sei quem é o autor, mas é quase uma verificação óbvia. A ideia, contudo, de ouvir mais que o capuchinho pressupõe uma audição activa. Que importa ouvir se é apenas som? Há que ouvir, depois entender e, onde possível integrar. Quebrar a rigidez do "eu acho que..." tanto mais que o "achometro" ou a "achologia" não é uma vertente do saber ou do conhecimento minimamente válida.

Mais que dois lados sobre o mesmo assunto, há uma imensidão de nuances que faz com que o preto e branco da vida se perca numa imensidão de cinzentos.  

O ponto certo?

Queria ter
Apenas uma parte.
Remova-se o resto!
Suprima-se até.

Ficar com menos
E ambicionar o resto
Tal como esse pouco,
Inteiro.

E saber no outro
Também como esse parte
Desfeito desse menos
Somente no que vale.

Que importa ser mais,
Se, com isso, é-se menos?

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Coisas complicadas ou muito simples

O caminho que me insta a percorrer é um caminho de destino, de percurso para algo. E essa ambição de caminho é-me frenética. Tenho uma destinopatia, uma saudade do futuro. Não me contento com a vulgaridade, com a aceitação, ou pior, a sujeição. Se era para isso não havia necessidade de ter a forma de homem, nem a mente para entender, bastava o resto, o cadáver adiado que procria.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

mais


Mais um aforismo

Atrás de um pequeno homem o que há? Basicamente a miséria humana que é incapaz de ser mais do que aquilo que é....

A volatilidade do ser

Sempre tive como claro e fundamental que o Ser é uno, indiviso e imutável. É, no fundo, a estrutura essencial da Vida, e, para um crente, Deus.

Não é por acaso que deste princípio se deriva depois para o homem quando se fala da sua maneira de ser, onde ser quer dizer aquilo que o identifica e que o faz ser essa pessoa. Esta suposição segue, em geral, uma linha maioritariamente rectilínea. Vamos sendo nessa linha que fomos construindo ao longo da vida e onde nela progressivamente nos vamos fixando, chegando mesmo a calcificar. Tudo isto acontece nas pessoas de carácter. Há outras, provavelmente não crentes, que acabam por vaguear nos seus pequenos interesses mundanos e momentâneos.

O drama do mundo actual é que cada vez mais estes não crentes são mais...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Do amor....

Havia um homem que, andasse em que local fosse, olhava à sua volta e escolhia de imediato, entre as mulheres presentes, qual a cobiçar. Era uma acto quase reflexo que levava a perguntas, em ambientes mais próximos a perguntarem-lhe porque razão é que fazia isso?

- Não faço a mais pequena ideia. Nem faço por isso.

E seguiam desenvolvendo várias teorias sobre o afecto ou a vida animal consoante as crenças. A uns a razão ancestral, qualquer que ela fosse permaneceria a chave para descodificar esta necessidade constante de estar a acasalar. Outros, eventualmente menos freudianos, mais também muito ousados, tentavam convencer de um efeito primordial, no seu contacto com o mundo, havendo até quem chegasse a um reflexo intra-uterino de necessidade de ligação à mãe. Claro que os racionalistas apostavam na teoria do macho alfa que está sempre atento ao seu núcleo e pronto a escolher a fêmea certa para procriar e dar continuidade à sua espécie. Teorias para todos os gostos e explicações, no entanto, a conclusão era um aceno de cabeça afirmativo com um olhar mais especial para a eleita desse grupo, como que confirmar que seja lá o que for, ela não deixava de ser a especial desse grupo.

Amar e desejar sempre alguma mulher era, pois, um dado adquirido. Claro que umas com mais insistência, e até permanência, outras tão fugazmente que delas mal sustentava qualquer memória. O certo que é que cada mulher assim amada e desejada passava a ser desde logo uma mulher diferente. Havia uma luz especial que sobre ela descia e a enchia de uma bênção tal que passavam a ter uma pureza intrínseca. As suas eleitas.

Este afecto que transportava era, evidentemente gradativo, pois não se interligava com todas com a mesma intensidade, mas ligava-se sempre com sentimentos positivos.

Será que dedicava esta atenção especial como demanda de certificação constante da sua capacidade de ser, ele mesmo, amado de volta? Era uma ideia ousada, pois que ao dedicar-se a tantas mulheres, será que o fazia para confirmar a sua auto-estima? Podendo aceitar uma parte desta teoria, de sistematicamente aferir a sua aceitação no mundo, ela é, em si, insensata, pois que o facto de se ser no mundo estamos sempre em relação com outros e provocamos, em todos, relações. Sim, mas nem todas eram relevantes. Que lhe importa que pessoas com quem passa o mais anonimamente possível lhe queiram um afecto em todo semelhante ao que dedica ele às suas especiais? Que lhe importa saber que ele também é especial num determinado conjunto de pessoas com que se cruza, se essas pessoas não forem as que ele escolheu?

De facto, ser-se no mundo é global. É-se para todos com quem nos cruzamos e com quem convivemos. Com uns poderemos ter razões fortes, senão mesmo essenciais para que as relações sejam no plano de sempre e para sempre, inquestionáveis e absolutas. Não são passíveis de nenhuma objecção. E deste máximo vamos sucessivamente diminuindo até aos que se cruzam connosco nas ruas e, dos quais nem sequer o semblante demos por eles, acontecendo, todavia, que podemos ser, nesses mínimos instantes um especial com que se cruzam. Não tem sentido seguir esta linha, pois que é absolutamente infinita, a cada eu que se junte, replica-se imediatamente o mesmo pensamento e assim sucessivamente até ao infinito. É-se sempre também para um outro.

Agora voltemos ao afecto, essa pulsão que nos empurra para fora do nosso mundo com a ambição de trazer uma qualquer coisa que, assim, colmate o que quer que lhe falte de modo a ir à procura. Dito assim, temos inevitavelmente que o nosso homem abusando dessa pulsão, deverá ter uma falta de igual jaez? Ou faz parte da natureza do homem ser para o afecto e para o amor?

Esta a sua conclusão preferida. Quem está mal na vida não é quem quer amar tudo mas quem por defeito apenas ama pouco. 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Da vida

A pensar como há momentos em que tanta coisa fica tão tristemente clara.
Quando na nossa vida profissional as pessoas vivem com base nos seus afectos, que soluções poderemos ter senão telenovelas?

Maus enredos, péssimos resultados e nenhuma expectativa.

Cada vez mais nihilista.

Aforismo

Não procures razões nos outros daquilo que não consegues resolver em ti

Dúvidas

Encontro, infelizmente, um forte intolerância ao erro, ao vulgar engano de quem também também erra e se engana. Será uma questão de auto-intolerância?

Assim

Transportas um vazio convencido que é um copo cheio. E, de facto, está cheio de ti, mas vazio do que te rodeia e do mundo que acontece. E a encenação segue o seu caminho.

Haverá público no final para aplaudir o espectáculo?

Tenta seguir ao lado, olhando e reflectindo.