segunda-feira, 29 de junho de 2015

De mim...

Arrasto uma mágoa...
Minha!
Que me foi calhada,
Ou meramente semeada.

Desolação na criação
Pendurada assim
Como se fosse um karma
Um mal de mim

E não há tempo que passe
Nem modo que se ultrapasse
É coisa do princípio
Que morrerá apenas no fim.


Uma espécie de poema

Que fazer quando desde a cara, o semblante, o olhar e a linguagem corporal é tudo um imenso não?
A cor fica negra e o caminhar é sacudido pelo pisar dessa negra alma.
Não há sol que não seja quente demais, não brisa que sopre nortada.
A porta foi fechada.
E onde não entra ar, entra bolor, apodrece a vida e enche-se de fungos o futuro.

Costas viradas, amanhã tem que ser melhor que poente.


Uma ela

Entro de semblante fechado, a boca em linha, encerrada.

Vinha com umas saias longas que tombavam levemente sobre umas abertas sandálias que protegiam uns pés delicados e soberbamente ornamentados por um azul turquesa nas unhas. Um convite para se sonhar com o traço das pernas.

Sorriu discretamente? Eu também....

Aforismo?

Somos a dimensão das nossas incertezas.

sábado, 27 de junho de 2015

Dos tempos actuais

Neste mundo de "gosto" e de outras "atitudes" e posições" vamos dando conta que muita vezes todas essas maciças expressões de atitude visam não exactamente o apoio efectivo às matérias mas a uma certa "fé" do que se torna a posição do grupo onde me encaixo e que, de certa maneira, também o quero representar. As pessoas esvaziam-se da sua individualidade e seguem o caminho de um grupo e, drama crucial destes tempos, acritica e amoralmente.

O resultado está à vista.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Uma Inês


Esta é a Inês, a portadora dos olhos especialmente luminosos. Estava na Rua Direita, em Óbidos a fazer e vender artesanato. Pedi-lhe que me deixasse fotografar os seus olhos. Não deixou. Fiquei desolado e segui o meu caminho. Passado cerca de 20 minutos voltamo-nos a nos cruzar e desta vez é ela que diz que a posso fotografar. Senti-me intimidado e aquele momento mágico que senti quando vi os olhos dela já não o sentia. O resultado é uma foto fraca, e que não lhe dá a luz que ela tinha.

Acabamos por ficar a conversar um bom pedaço de tempo. Trazia a filha, Violeta, ao colo. Foi uma conversa reveladora, interessante e com muita informação. No final da conversa já não tive coragem para voltar a tentar fotografar. Foi pena, pois teria fotos muito mais interessantes.

Para ti, Inês, fica, então, o meu agradecimento pelo ocasional e muito simpático encontro. Os teus olhos ficam na minha memória.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Em resumo

Numa matilha sem orientação todos andam em grupos e sobrevivem de pequenos ataques e menores triunfos. Aos poucos instala-se a degradação moral e o primado dos fracos. E estes, em grupo, protegem-se em lugar de procurar uma orientação.

Da vida

Um palco vazio de alma onde todos pulam numa encenação grotesca.

terça-feira, 23 de junho de 2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

E, de volta ao autocarro



Mais esboços


Quase aforismo

E dos males que vêm
Uns dizem por coisa de bem,
Nada daí pode vir
Pois apenas a morte o sustém...

O que fica

Sai em devaneio,
Uma multiplicidade de coisas,
Tudo rodopia no mesmo,
Esta insistência
De se ter de ser...
E se tanto vale este sentir
Que o sintam, pois!
Que haja paz para alcançar!
Há coisas que já não valem
Nem actos para practicar...
Tudo é tão passageiro
Que o que pode valer
Já não se diz,
Apenas É
E fica para sempre.

Mais uma tentativa


Esse afecto

Ser amado,
Arrebatado...
OU vagamente desejado...
Sumariamente agradável...
Ser, no fundo,
Tal como se vê
E como se faz,
Simplesmente em afecto.
Ser assim no mundo
Que seria igual de volta...

Mas surge o imprevisto!
Do que se diz afecto
É, afinal, puro subjectivo.
E no que volta, então,
Não é mais o afecto,
Mas o sujeito no mundo,
No seu mundo,
No seu modo
Desolado nisso
E com o afecto subjectivo também.

Tentando copiar o Mestre Da Vinci


quarta-feira, 17 de junho de 2015

A tentar expressão


Caras


Esboço



Mais esboços




Tudo se apaga

Houve papéis soltos
E há cadernos juntos.
Alguém que os leia
E lhes chegue, depois,
O fósforo do tempo.

Tudo se apaga
E nada fica.
Apenas dura umas gerações,
As da memória.

Passar a ser

E posso ser para um,
Para outros ou
Para todos
E até para nenhum...

Fosse apenas para mim
E tudo seria outro,
Não aquele para que era,
Mas o outro que sou eu,

E, assim, passaria a ser.

Morri-me de todo

Sinto que fui coisa com sentido
Num pedaço de ti...

E quando em ti me busco,
Esse pedaço de mim,
Fico desolado....

Dizem-me, impiedosamente,
Que já parti.

E não há futuro nesse passado
Tudo ficou como um erro,
Um engano onde insistimos...

Nem mesmo nesse passado
Terá havido coisa com sentido
Apenas uma vulgar insistência
Que se fazia permanência
E, assim, esse passado
Fez-se um passado
Onde agora se revive
Um futuro que não houve.

Morri-me todo
E de ti também.

terça-feira, 16 de junho de 2015

A intenção é tramada.

E perguntou:
- Como é que um escorpião beija?
Perturbada com a pergunta, assumindo, como costume, que a questão servia um propósito obscuro de provocar, ou de lançar um evidente incómodo, fez-se alma sensível e fechou com intencionalidade a feição.
A natureza do amor ficou por responder. Há a ideia que o dito animal age por reacção e utiliza essa intenção como arma para ferir e, se possível, matar. Ora, assim sendo, a natureza do amor abre um drama de vida ou morte, pois que perante um desconformidade relacional poderá o parceiro/a do escorpião correr sério risco de vida?

Ficou outra pergunta por fazer:
- Queria saber se me dás um beijo.....

Aproximação

Aquele mar que se fez passagem
Tem o movimento certo.

Um mundo que se diz,
Maior que qualquer razão

Aproximação

Na boca de um marinheiro
Já se disse Portugal inteiro
Foi a força da vontade,
O espírito em missão.
Chegar onde mora a alma
Que é espírito desta nação

Não passa do mesmo


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Ai....

Não te quero ler
Livro aberto
Lê-me a minha alma
Neste andar incerto

Má morte

Má morte,
Amor isolado...
Beija-me a vontade
E dá-me um amanhã.
Quero ter-te num sonho,
Uma razão para dormir
E aquilo que busco
É o fim dos tempos.

Diversão


De um quadro


Apreciando as formas e não a formosa forma

Treinando a mão


Esperando em Óbidos


Do MNAA


domingo, 14 de junho de 2015

E quando,

A correr, do fundo das inoportunidades, aparece a queixosa, qual pata no deserto, a deliberar, não queixas, mas outras incongruências.

O mundo desaba de registada estupidez... Haverá amanhãs? Não me parece....

Início de ....

E veio de longe, em passo certo e forte, não deixando, no entanto, de fazer evidenciar os quadris como se fossem o pêndulo de um relógio com pressa. Não tinha nada a dizer, apenas as ancas para dar a conhecer, e, com elas, o resto do corpo que tantos esforços lhe causaram para voltar a ter a linha da juventude. Porém, se na juventude tudo era um saboroso e temido mistério, onde, com as formas e as palpitações, se antevia mundos novos a integrar, hoje, essa ideia de juventude que as formas lhe devolvem, não pede as palpitações, mas a entrega sem condições e sem se saber que amanhã pode haver, pois interessa, isso sim, preencher o hoje.

A vida tornou-se faminta de sentidos. Tudo é tão rápido como se escoa entre as exigências dos tempos. Não há momento para pensar, há sempre coisas para cumprir. Ser mulher, ter uma casa e descendência pouco espaço deixa para se ser pessoa. É-se nos intervalos.

 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Ufa


Menos


Mais outro


Esboço inacabado


Mais mulheres na cama


Quarto desarrumado


Para o que me havia de dar


Quando incomoda

Existe um hábito de colocar rótulos às pessoas que nos incomodam. E o motivo pode ser de qualquer ordem. Seja pela sua ausência de massa cinzenta, pela sua ignorância, pelo seu temperamento, pelo seu saber, pelo seu sentido estético, enfim, o que for... Depois, em momentos em que nos falta a paciência lá vamos buscar o respectivo rótulo e automaticamente deixamos de ouvir os argumentos e ficamos pelo rótulo.

É uma defesa, mas, e sobretudo, uma estuporada forma de estupidez. Ninguém é apenas um rótulo.

domingo, 7 de junho de 2015

Patos


Gosto de retratos. Mesmo que o retratado seja um pato.


Aqui o pato estava a falhar completamente a ideia de equilibrio, colocando o peso do seu corpo na pata esquerda.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Frases boas para o facebook

No espelho reflecte-se a minha face e não a minha alma. Os outros não são espelhos, são outras almas, por isso estão para além das faces.

Lendo 118

"Depois de um célebre assalto a uma ourivesaria da Baixa, que foi muito falado, tive que me ausentar para o estrangeiro."  André Brun in Sem Cura Possível, Lisboa, Guimarães Editores. 1920, página 21

Frase inicial de abertura de um pequeno conto/história. Gosto da sagacidade. Coloca logo o tom e a intenção.

Lendo 117

"Aí tive como amigo de infância, no fim de um mês, sir Joe Powell, que era um honrado comerciante da city, já falido quatro vezes." André Brun in Sem Cura Possível, Lisboa, Guimarães Editores. 1920, página 21

Há momentos em que a leitura é a satisfação plena na apreciação de gente com um finíssimo humor e de inteligência acutilante. Ter amigos de infância ao fim de um mês é sinal de que a vida relatada é uma profunda aldrabice. Um honrado homem da City que já faliu quatro vezes pouco deve abonar à honra e muito menos às amizades profundas... mas, e ainda assim o relato é precioso.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Fui ao chão sagrado.

Mais que terra,
É onde me habito.
Campo de uma alma
Que se faz colectiva
Num pulsar original

E a onde cheguei
Nunca mais me apartei
Só lá acontece ser.
Mais que destino
É raça Portugal

Mais um fado

Que importa tudo o mais?
Se para ser basta tão pouco...
Uma alma e um destino
E o fado de o querer!