Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 124
A reflexão, meditação ou outra actividade, quando realizada com verdade e profunda interioridade, permite que desculpas destas não sejam dadas. Depois há todo um conjunto de equilíbrios que a verdade desfaz, mas, ao mesmo tempo que os desfaz trás consigo uma serenidade que de outro modo nunca é alcançada.
No fundo vive-se no vício do óptimo reflectido de dentro para fora. O que nós vemos não é o que produzimos, mas o que a nossa interioridade projecta. Seremos sempre santos, maravilhosos, senhores dos mais elevados benefícios e mercês pois que é assim que nos vemos. Aos outros cabe apenas e tão somente essa nossa parte de ser mau, fraco, menos bom ou deficiente ou desastrado ou, simplesmente, humano.
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