quinta-feira, 28 de maio de 2015

Coisinhas para divertir

Sou um ex-fumador. Já há mais de 18 anos que não fumo... E, agora, vindo da janela de alguém, chegou às minhas narinas o cheiro de um cigarro...

Que saudades... posso dar uma passinha? Foi o que apeteceu, mas logo no mesmo instante o grande disciplinador me perguntou:

"Mas tu tás parvo????????????" - Sim, estava, e soube-me tão bem........ Queres uma passinha?

Coisas de reunir

Numa reunião todos levantam problemas e ninguém adianta soluções... Uma boa reunião dizem uns, uma reunião produtiva, dizem outros. Uma boa perda de tempo para ver pavões em cativeiro, digo eu.

Reunião longa


As reuniões


As reuniões onde a nossa mente voa e desaparece da sala, indo para onde ainda resta entusiasmo!

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Corte sem corte

E a coisa correu assim...
Um homem tinha a sua sexualidade muito naturalmente assumida e apreciava com toda a tranquilidade o belo sexo. Não disfarçava o magnetismo que um generoso decote lhe provocava, seguia também com igual atenção as silhuetas mais exuberantes, ou qualquer outra parte do género onde cintilasse o despertar da sua manifesta preferência.
Com o decorrer do tempo esse homem, de um homem como qualquer outro que sente manifesta satisfação do sexo oposto, passa a próximo de pervertido, de alguém que não consegue ver uma mulher que está imediatamente pronto a ter a mais ousada, frenética e destemida aventura carnal. Fica, portanto, um tarado sexual do qual convém manter a distância de segurança.
E, com o decorrer do tempo, a imagem começa a ser patética... um simples aceno é um confissão de qualquer coisa tórrida, só ao alcance dos mais experimentados.

Das duas uma. Ou as mulheres reagem assim porque não foram alvo de corte ou têm medo das suas paixões interiores. Ao homem cabe cortejar, à mulher reagir à corte. E quando não chega a haver corte? As mulheres lidam mal com isso...

Está na hora de mudar

Há quem diga frases como estas:

"Quem manda nisso é a Maçonaria."
"A Opus Dei tem aquilo na mão."
"Está controlado pelos partidos."
"Os sindicatos mandam nisso."

E por aí em diante....

Ora, nem a Maçonaria, nem a Opus Dei nem os partidos ou o que quer que sejam dominam coisa alguma. Quem domina são umas pessoas profundamente mal formadas, com interesses pessoais que se sobrepõem ao interesse das outras pessoas. Agora cabe a cada ser humano ganhar consciência dessa circunstância e, em vez de empurrar a responsabilidade da acção biltre, errada e desavergonhada para uma entidade que não é nada nem ninguém, devem chamar os nomes às pessoas. Sem medo da reacção do mundo. Quem está mal são os outros! Se nada for feito, vão continuar mal e a fazer o que bem entenderem porque ninguém se opõe.

Portanto a coisa é simples: FAÇA!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Das certezas

Ao percorrermos este caminho que se chama vida, vamos enchendo um saco amortecedor que se chama  certezas de nós. Ficamos tão certos disso que quem dessa nossa absoluta certeza levantar a menor suspeita é um vil maledicente e só as chamas do infernos o poderão tragar...

Mais tarde, à sombra da reconfortante reflexão, somos, por vezes, eleitos pela mão divina do exame de consciência e encontramos aquele excesso que tão absurdamente tomamos como ofensa. Afinal, no fundo, era absolutamente injusto o que nos motivava...

Nesta altura, cumprem-se as escrituras: " Bem aventurados os pobres em espírito, deles será o Reino dos Céus."... E haverá outros, tão seguros das suas inseguranças que serão incapazes disso reconhecer, mas a esses, tão certos e seguros das suas certezas, não sabem o que possa ser o Reino dos Céus, mas a penas o seu reino do que quer que seja......

Eu??????? Não páro de me espantar. A pira é redentora, e como dela sou devedora dos meus pecados assumidos e reconhecidos nada posso temer.

Mais uma imagem


Há dias assim

Hoje o poeta saiu
E também de mim.
Ficou esta coisa amorfa
Que se diz assim.
Sem jeito nem sentido
Vulgar de olhar fixo
Num horizonte perdido
Como se fora entendimento
É um não de vida
Passageiro do olhar
Onde entra meio mundo
E sai sem sequer notar.

De uma fotografia


Replicando um mestre



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Frases curiosas

Sabe aqueles tipos que só têm sorte e deles só sabemos de sucessos? Sabe? É que eles nunca contam os seus fracassos, pois todas as pessoas têm fracassos, erram e perdem.

Serve para pensar que os bons também são maus e os maus também são bons.

À Rita Teresa

Vou ali ao meu passado
No limiar dos oceanos
Revisitar o afecto
De mundos da inocência

De volta desse tempo,
Um hoje integrado.
É tanto que permanece
Que pára todo o tempo.

Um afecto que é somente
Amor, puro, simples.
Porque coisa tão clara
Apenas se sente.

Do ocidente

Fixo o ocidente
Linha de mar
Pôr-do-sol
Destino de mim
     um amanhã

E não pode ser outro
Que o cúmulo do passado
É o futuro que nasceu
Em todos os ontens,
Do primeiro ao último.
E um juiz virá
Feito de razão
Fustigando-o
E nega esse paraíso
É o homem feito macaco.

E tendo arte e entendimento
Recusa-se ser criado,
É apenas horizonte
Sem ocidente.
E o Sol não se põe,
Apenas morre.
Não há amanhã
Nem futuro.
Tudo apenas agora.

sábado, 23 de maio de 2015

Pastel ou lápis de cera

Há coisas que só vivendo-as é que aprendemos. Durante anos a fio li quadros e outras obras feitas a pastel. Desconhecia essa técnica e achava que deveria ser algo parecido com os sempre conhecidos e pouco considerados lápis de cera. Nunca gostei de trabalhar com eles. Sujam muito as mãos e vão deixando bocados à medida que se vai desenhando e colorindo os espaços.

Hoje desvendei esse mistério do ditos pasteis. São os meus amigos de sempre lápis de cera. Fiquei desapontado ao mesmo tempo que percebi porque é que alguns artistas os utilizam, É que é preciso ter uma certa dose de força e raiva para que agarrem a cor que se pretende. Além disso é complicado chegar aos meios tons...

Vivendo, experimentando e aprendendo. Pastel = Lápis de cera.

Dúvidas

Estou a ler um livro que foi escrito ou descrito?

Se tivesse a troupe do PCP e demais intelectuais de esquerda a apoiar poderia, quem sabe, a ser o próximo Nobel da Literatura. Por ora é apenas um livro que foi descrito.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Novas tecnologias


Quero sonhar

Quero sonhar um amanhã
Como se fora um amor
Que se vive todo antes,
Antes dele morrer.

A força e a promessa
Do tudo que é sentido.
Toda a possibilidade
Com vontade de ser.

Quero ter um amanhã
Onde nele me entenda
Um passado que se faz futuro
Um futuro porque tem passado.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Desenhando colegas 003


desenhando colegas 002


A cantar o Conquistador!

Desenhado colegas 001


Um cumprimento a Dom Carlos


Desenho à vista de um quadro de Dom Carlos

Bonecada




A memória roubada

A fotografia, essa maravilha da técnica, que consistiu primeiramente em fixar a luz, com o advento do digital, deixou de ser uma arte, uma técnica para ser uma absoluta banalidade.
Tivemos tempos em que se tirava uma fotografia para se ficar com o registo de qualquer acto, fosse ele um casamento, um baptizado, uma reunião familiar ou um encontro qualquer de amigos. Havia, também, as fotografias profissionais que faziam relato de qualquer importante evento. Era a notícia em imagem. E o propósito de todas estas era produzir algo para que num qualquer dia, num qualquer tempo as coisas pudessem ser revisitadas. Roubar o tempo ao tempo. Fixar os que, sem sabermos quem, partiria antes de tempo.

Hoje essa magia da fotografia desapareceu. Somos atacados por imagens sem termos tempo de as apreciar. A nossa retina e a nossa memória fotográfica tem que absorver mais e mais e mais e mais. Já pouco importa o conteúdo, é preciso sempre mais uma. E nessa louca demanda chegamos à selfie, o autoretrato nas posições mais disparatadas que se possa imaginar. Desde a casa de banho a tomar um café, ao pé de um quadro ( mas de costas para o dito), ao lado de um personagem cuja imagem é velozmente repetida e reproduzida.

Será que ainda se tiram fotografias para mais tarde recordar? Ou limita-mo-nos a encher as memórias de milhões de bytes em formato jpeg? E que memória passamos a ter? A da nossa experiência no momento ou das fotografias tiradas nesse momento?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Mais um aforismo

O amor realizado é a queda do paraíso.

Lendo 116

(…)
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

Que posso eu dizer? No beijo que não te dei guardo os mais lindos versos que fiz! Quando o amor é ideal, quando é desejo, vontade cega..... Quando tudo fica acto passamos a ter memória do momento, do sabor e de todas as circunstâncias do beijo dado. E o desejado já não existe, já existe sonho nem paraíso...

Lendo 115

(...)
Minh'alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte
Toda ela é riso, e é frescura, e graça!

Nela refresca a boca um só instante...
Que importa?... Se o cansado viandante
Bebe em todas as fontes... quando passa?...

Florbela Espanca

E eis que o amor brotou na minha alma. Voltei ao mundo para amar e tenho toda a minha boca, risonha, fresca e carregada de graça, pronta a dar ao cansado viandante o aconchego da minha frescura, mas desolada pela clara consciência de que em todas fontes ele busca a mesma frescura.

Foi assim há 100 anos. Foi assim há mil anos e assim é hoje. É o desejo.....

Lendo 114

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist'rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...
(...)

Florbela Espanca

Retenho a frase "Meus olhos andam cegos de te ver." O amor que cega que não permite nada mais, nenhum outro elemento que não a unidade e a integração do objecto amado num absoluto cegam-se. 

O ditado popular que diz "Quem feio ama, bonito lhe parece." diz de igual modo esta cegueira, este arredar da capacidade de organizar o mundo de outra forma que não seja a que esse amor determina.

"Le coeur a des raison que la raison ne connais pas" - O coração tem razões que a razão desconhece. É, na expressão dos racionalistas, a certificação que o homem é muito mais que razão, é sentir, emoção e esta sobrepõe-se naturalmente à razão.   

Lendo 113

(...)
Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
"Versos só nossos, só de nós os dois!..."

Florbela Espanca

Coisa esta de ler e ser lido. O contexto, mesmo de amor, de unidade do autor com o seu amor pode passar a ser o do autor com o seu (dele) amor.
Ficará, neste caso o amor usurpado, ou até usado, como quem veste a roupa de outrem? Não, mas um pouco diminuído, mesmo que o amor tenha sido, por essa leitura comum aumentado. Isto de escrever, ler e ser lido pode ser tema para muita confusão.

O eu e o outro eu

Sou perseguido por um espectro. Tem a minha forma, os meus modos e outras características que me identificam...à excepção de uma que desconheço. E é precisamente essa que o faz perseguir-me.

Poderia ser um ser outro, por mim criado e que eu ainda não tivesse tido a igualmente insã oportunidade de o me apresentar. Seriamos, então uma multidão. Dois gémeos, um conhecido, outro com uma característica apenas para alguns... atormentando-os!

Mas, imaginemos que me acompanho desse espectro. E que esse espectro existe mesmo, pois que, e segundo a tese cartesiana, ele existe na mente de alguns, pois que fazem ideia dele, falam dele, pensam nele e conseguem conceber uma ideia desse espectro, pelo que terá forçosamente de existir. Mas, e por outro lado, eu tenho que ser um ser uno e indivisível, caso contrário haveria uma invasão de todos os eus do mundo, o que derrotaria o singular de qualquer modo de pensar, pois que tudo seria um mar de diversas unidades repetidas, e uma unidade repetida deixará de ser unidade para ser, necessariamente dualidade. E essa dualidade, animada fora dela, não pode ser coisa em si.

Quão entediante é a voz da coscuvilheira. Não passa de uma queixosa.

sábado, 16 de maio de 2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Magoar e sofrer

Magoaste-me com essas palavras
Sofrerás mais quando deixarem de haver palavras

Fim

Fui ver o fim,
Sózinho...
Nele me retive,
Só também.

E, como sempre,
Duas portas fechadas

A uma,
Que não abre para nada.
Tantos se acotovelavam,
Evocando razões mil,
Lógicas determinantes,
Certezas infalíveis e
Olhos vazios.

A outra
Um espelho do tempo.
Todos os passados,
Um único tempo.
Apenas o que fica
E que perdura
Quedando-se dentro
Na unidade.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Tropeçando na ousadia

Quando o não conseguir ousar se torna um peso perde-se o riso e, no mundo, alguém terá que ser responsável. Não importa de quê ou porquê. Assim se sublima a frustração da incapacidade de conseguir ser. E durará até um novo desafio.

Lógica e liberdade

Há uma lógica no mundo e nas coisas. É o devir da criação que, apesar da liberdade do ser criado, mantém este, em si, a determinação do Criador.

Há, depois, alguns que, vai-se lá saber porquê, e mesmo para quê!, que por uma motivação alheia subvertem a lógica. Trata-se da acção da liberdade invertida, pois que, no limite a acção violenta-o de modo a se negar essa liberdade, pois que o condiciona no sentido inverso.

esboços



E sempre, mas sempre as mulheres! Nunca é demais!

Esplanando


Praça de Londres ou Arco do Cego?

Rotinas

Habituado à rotina do dia a dia, aos mesmos percursos, aos mesmos tempos, os mesmos horários. Rendido ao mesmo autocarro e aos mesmos passageiros até que um dia, num olhar absolutamente distraído noto que as pessoas com que me cruzo deixaram de ser as de sempre...
Quem é que eu deixei de ver para passar a ver tantos outros ?

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Enquanto se vai pensando...

Perdido na imensidão de tantas coisas recolho, aqui e ali, pequenos apontamentos que vão criando a história onde as pessoas com as quais me cruzo se vão integrando. Um comentário de ontem, assim como uma frase caída num dia qualquer que ficou. É uma argamassa que vai preenchendo o interior das pessoas. Há detalhes, também, que entram pelos gestos... Muitos se temos uma refeição em comum, ou até como andam, como riem, onde se dobram e como o fazem... e vamos ao ponto de como bajulam pois que vivemos num mundo em que todos se bajulam uns aos outros. E quando não dizem o que queriam para dizerem exactamente o que não querem assim como os segredos que guardam. Tudo vale como pormenor que enriquece os que trilham comigo esta coisa de ser vivo.

Tenho, para grande tristeza minha, um especial tacto ( que hoje se escreveria tato - coisa bizarra!) para ver defeitos que ficam escondidos debaixo das capas. Só Deus sabe como preferia ter esse especial dom para ver o bom e o bem das pessoas e era tão mais feliz. Mas esses apontamentos, quando aprecio as pessoas, desconsola-me profundamente. Não era a ti amigo que queria ver isto. Como posso fingir que não vejo aquilo? Tomara que não tomes essa atitude! E, claro, não me surpreendo da acção feita. Acredito que não sou, também nenhum santo e que tenho a minha dose de coisas absurdas e disparatas que revelam a minha idiossincrasia que me faz ser às vezes um reles ser humano que nem para pasto dos crocodilos servia, mas isso é tema de outro confessionário.

Voltando, portanto, ao desapontamento é uma utilização deficiente e ineficaz das capacidades que o Criador nos dotou. Poderemos intervir nelas? Acho sinceramente que não. Algures num tempo que lhes pertence muito intimamente alguém lhes violou um afecto. Depois a coisa descambou.

Estar na contemplação

"Eu não sei parar de te olhar"

Esta frase toca-me profundamente pois que consegue dizer tudo de uma forma completamente absoluta. O amor é essa coisa total, que envolve tudo num estado de maravilhação, de se ficar enfeitiçado, preso e entregue. Eu não sei parar e nem quero! Querer estar tudo. Aí. Completamente. Não há tempo, não há modo, distância ou circunstância. Apenas estar na contemplação.

 


Outro modo de amar

Fui desenhar o teu corpo e nele me perdi... Eram curvas onde passava o lápis como se fossem dedos meus a apreciar essas formas. Agarrei no tronco e desenhei-lhe o peito como se fossem tesouros preciosos ponteados por um brilhante rubi. Segui uma linha tão torneada como as tuas pernas que se alargavam às ancas. Segurei o papel como se fosses tu e perdi-me de mim.

A cadeira diz coisas


Sem ser visto


Em frente à televisão


Mais autocarro


terça-feira, 12 de maio de 2015

Em jeito matinal

Conseguimos identificar causas de um problema na acção de um ou mais indivíduos. E seremos igualmente hábeis em detectar as causas de um problema pela inacção de um ou mais indivíduos?

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Imoral ou amoral

"Sobreviveu a Auschwitz. Hoje é amigo de neto do nazi que lhe matou a família." - título de um jornal da internet de notícias.

Alguém é neto do nazi... era apenas um nazi? Como podemos saber de quem fala se o identifica como nazi, com um artigo definido, atribuindo-lhe essa identidade. Podia ser neto de um nazi, e aqui nazi, valia como estalinista, como comunista, como socialista, como engraxador, como lavador de latrinas ou até juiz. Era uma característica que o identifica, mas não a característica.
Depois o nazi mata, e não mata um ou dois, é às famílias inteiras. Preconceito? Não, ignorância que se cola a uma interferência ideológica e moral que supostamente devia ser alheia ao trabalho de informar. O americano que carrega no botão da cadeira eléctrica cumpre ordens e esse é o trabalho dele. Não faz dele um assassino, ainda que participe num assassinato.
Poderia o tal nazi não fazer o que o mandavam fazer? Aqui reside a questão absolutamente dramática de todos os temas das guerras. Quando na guerra do ultramar era lançada uma granada, quantos podiam morrer ou ficar estropiados? Era o jovem militar o luso assassino? Quando há conflitos militares o valor da vida humana desce muito abaixo da tolerância. E todos sabem disso e todos agem de acordo com essa exigência do momento. Passa a haver uma atrofia moral. E não! Não é certo, não é justo, não é aceitável alguém matar outro. Mas, como em tudo, temos que observar as circunstâncias.
Hoje, numa repartição de finanças, pode haver um santa pessoa, cuja conduta é impoluta ( se as houver) que ajuda todos, participa no Banco alimentar, é voluntário, apoia os sem abrigo, faz de tudo pelo seu semelhante, mas, e a determinada altura, consultando um contribuinte que está em falta, tem que, a bem da sua subsistência, mandar fazer uma penhora. Não é ele que a faz, mas o Estado e as leis do estado. A ele apenas se lhe exige que faça o que o chefe mandou e que resulta da aplicação da lei. Por esse estranho trabalho, o contribuinte mata-se. É o funcionário culpado? Claro que não! Não se pode dizer: "Sobreviveu às finanças. hoje é amigo de neto do empregado das finanças que lhe matou a família"

Só poderemos ser efectivamente tolerantes e democratas quando a todos estendermos a nossa capacidade de entender e amar.

Caminhos

Os caminhos são estradas que às vezes seguem um determinado caminho dando-nos a impressão que é outro. Quando damos por nós passamos vários cruzamentos e é com outros que seguimos viagem e não com aqueles que, num tempo, tomámos por companhia certa. Em si nada disto é um mal ou um erro, apenas uma desatenção que pode provocar, quando consciente algum desapontamento. E é sabida a inépcia do homem ao erro ou engano.

domingo, 10 de maio de 2015

Pavor...

"Um dia...
Você vai encontrar alguém que também te procurava..." - momento de facebook

Nos últimos dias o meu receio cresce que seja não um amor delicioso, ardentemente obsceno, cheio de sentimento de culpa e pecado, mas o chefe da repartição de finanças a apresentar uma qualquer coima sobre uma qualquer não razão...

Ai que fui

E ela diz
- Sábado passei por ti...
- ....
- Ruiva, num descapotável.....
Olhei para o lado e percebi. Não era comigo que falava...
Olhei para o chão e sorri. Ía dentro do descapotável....

Reabastecimento

Hoje fui reabastecer-me de fatos de banho, bikinis e afins. Confesso que estava a atingir os limites da reserva. Aqui e ali uma agradável surpresa. Até Outubro conto atingir a inatingível quota.

Fugia

Fugia
Nem sei já de quê
Quem ou porquê
Apenas fechava o tempo.

Deixava-me para trás
Nessa memória de ontem,
Cujo tempo redimensiona
Acrescenta e suprime.

Esse tempo preso,
Refeito presente,
Torna-se um desejo
De um futuro a ambicionar.

Não já de viver
Mas apenas saborear
O que foi memória
E não que se deixou.

No meu caminho

Vou andando na minha estrada. É um caminho aberto que vou fazendo a maior parte das vezes acompanhado. Chega mesmo a haver longas caminhadas que faço parado, sentado e até deitado. E é nesses tempos que a minha companhia de sempre retorna. Fica a meu lado e revê os passos com uma luz muito especial. Por mais que lhe tente explicar aqueles maus caminhos que trilhei, a conversa segue os mesmos rumos.
- E o que prendeste desses passos e dessas explicações? Voltas sempre ao mesmo...
Respiro fundo e pergunto se é o mesmo o que faço ou a motivo de o fazer?
- Sim, o motivo

quinta-feira, 7 de maio de 2015

ser-se amor

Tinha vontade de ver o amor no ar... Como se fosse um balão, ou simplesmente uma cor... Podia ser azul celeste, até porque cor dos anjos,,,, ou outra cor qualquer, como uma nuvem... que passa, assim, ao sabor do vento e da sua vontade. Mas, queria mesmo ver esse amor, essa coisa de cor vermelha que tem um motor forte e bate sem ritmo como se fosse coisa desequilibrada, Queria.... sim.... pois....

E quem disse que tudo isso e muito mais não passou pelos meus dedos?

Amor velho

Ai amor velho....
Tão gasto e cansado,
Amarelo das fotografias,
E vermelho de vontade!

Foste tantas vezes no tempo
Tudo, agora e sempre,
Vontade e complemento
Um sentir insistente.

Ai amor velho....
Tão quente e delicioso
Como fugaz e ocioso
Desse tempo de sempre.

Amor velho perdido
Nesse momento deixado
Em que sempre era o momento
E tudo ficava por haver...

Hoje és amor de sempre
Vida, sangue e calor
Vontade de sempre
Desse eterno amor.

Histórias fáceis

Encontrei uma mulher disposta a amar porque fora desamada. Mas para seu sofrimento queria amar num sentido em que fosse impossível amar o objecto amado. Queria amar como quem deita conversa fora. E não é que alguém apanhou essa conversa?
Agora, coitada, ama desgostosa esse amor e deseja, para si, a tranquilidade de não ter amor!

Inferno o bicho mulher!

Lendo 112

"A maldade é a única coisa que não se gasta com o uso..."
Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 286

A questão da origem do mal e da sua insistência é um tema profícuo seja em termos morais seja em termos filosóficos. A maldade, bem como o mal são conceitos derivados do conceito de Bem e de Bondade. Temos ideia dos primeiros por ausência dos segundos, é por estes não se encontrarem ou não estarem presentes que o mal e a maldade se evidência ou dela ganhamos ideia. Assim, a maldade não se gasta porque o Bem também não.

                                                                                                                                

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Lendo 111

"Maria da Conceição estava varada, e sentia-se envergonhada como se a tivessem despido numa praça pública. Toda a gente percebia afinal, o que ela sentia."
Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 96 e 97

Amar tem, para além de um sentir muito próprio, toda uma linguagem corporal e gestual. Podemos utilizar todo o nosso esforço para a diluir na convivência com o mundo, mas, havendo alguém que tenha um olhar atento, somos imediatamente expostos no nosso amor. Olhamos de modo diferente, vemos outras coisas, pensamos de modo diverso, somos metade que se quer completar...
Como é que dois amantes sabem que o podem deixar de ser amantes ideais e imaginários para se concretizarem? Em toda a linguagem que se vai deixando passar. 
Há, depois, a consciência do facto de sermos transparentes. 

Lendo 110

"Para se ser curioso é preciso ser instruído. Mas como não se consegue ser instruído sem se ser curioso, o vosso caso não tem solução."
Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 31

Pensamento demasiado circular, mas contudo com algum sentido. É da curiosidade que nasce o conhecimento. E a curiosidade não depende do conhecimento, mas da apetência do homem de ser para fora, de ser para o mundo e no mundo.

Silhueta


terça-feira, 5 de maio de 2015

Lendo 109

"- Cale-se , mulher! - Sentia-se de tal forma perturbada, o que a Ana dizia ajustava-se de tal maneira ao que ela sentia, que lhe veio a necessidade de de se proteger e se defender."
Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 96

O facto mais profundo... A defesa do amor... E para ela a agressão ao mundo

Lendo 108

"Não se esqueça da tendência dos humanos de atribuir aos outros os nossos maus sentimentos."
Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 124

A reflexão, meditação ou outra actividade, quando realizada com verdade e profunda interioridade, permite que desculpas destas não sejam dadas. Depois há todo um conjunto de equilíbrios que a verdade desfaz, mas, ao mesmo tempo que os desfaz trás consigo uma serenidade que de outro modo nunca é alcançada. 
No fundo vive-se no vício do óptimo reflectido de dentro para fora. O que nós vemos não é o que produzimos, mas o que a nossa interioridade projecta. Seremos sempre santos, maravilhosos, senhores dos mais elevados benefícios e mercês pois que é assim que nos vemos. Aos outros cabe apenas e tão somente essa nossa parte de ser mau, fraco, menos bom ou deficiente ou desastrado ou, simplesmente, humano.

Lendo 107

"Existir para ver viver os outros e para os ver morrer também."
Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 46

Ahhhhhh..... como me custa ver as almas que ainda persistem agarradas às vidas dos outros deixando para último plano aquilo que dia a dia irá minando a sua vontade de "eu poderia ter sido se eu......"

Como pode o homem ser sem se futurizar?

Lendo 106

"Sim, ela não o trouxera no ventre, no seu ventre estéril e desocupado de virgem (...)"
Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 45

A mulher é, quantas vezes, vítima de si própria e de todo um conjunto de dogmas que a ferem no mais crucial e essencial da sua vida. O centro do seu corpo, a maternidade. No caso que se transpõe é uma consequência meramente cultural, mas há hoje muito pior, são as que pela valia que dão ao resto do seu corpo, a firmeza do peito, a celulite, as estrias e demais obsessões que lhe retiram a sua natureza profunda e essencial. Recuso-me a aceitar as que para se regalarem numa vida de prazer não concebem tempo para uma gravidez, pois prender-lhes-à a vida... Deixamos de ser homens para ser um ego inflamado.

Lendo 105

"No fundo, era a dor dele que ela sofria e não a sua dor."
Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa 1958, pág 45

Tantas vezes integramos de tal modo o sentir alheio que começa a correr nas nossas veias os sentimentos que nos com-vivemos. E, extrema desolação, somos nesses momentos que vivemos a dor alheia gente absolutamente sem vida nem sangue nas veias. 

Quem ama o alheio não se ama.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Da volta

O ciclo que fecha
Abre ao mundo
Tudo o que nele há
E o que é para ser.

O Jasmim

O jasmim floriu
Trouxe-me a primavera
E num pedaço de nada.
Acabou e já partiu.

Deixou isto do Verão
O calor e o nada
Que queima sem mais
Que o cheiro a mar.

Querer ser tudo

Querer ser tudo
E ser nada,
Ou algo, pouco,
Que lhe fica de permeio.

A eternidade!
Essa porta fechada
Que apenas se abre
Com a chave do entendimento.

Onde tudo tem sentido,
Esse querer ser,
Vontade de absoluto
Numa finitude parada.

E o que for
Será o que tem que ser
Sem ser mais ou outro
Do que é o seu ser.

Apenas e somente
Sendo-se.

Lendo 104



A Europa jaz, posta nos cotovelos: 
De Oriente a Ocidente jaz, fitando, 
E toldam-lhe românticos cabelos 
Olhos gregos, lembrando. 

O cotovelo esquerdo é recuado; 
O direito é em ângulo disposto. 
Aquele diz Itália onde é pousado; 
Este diz Inglaterra onde, afastado, 

A mão sustenta, em que se apoia o rosto. 
Fita, com olhar sphyngico e fatal, 
O Ocidente, futuro do passado. 

O rosto com que fita é Portugal

De visita, ontem, ao claustro dos Jerónimos em busca de tantas perguntas como poucas respostas. 
Como fazer um túmulo? Como honrar o Poeta? Como eternizar num espaço um espírito?
Não faço a mais pequena ideia. Não sei. 
Não deitando o defunto e colocando-o em pé deixa um incómodo visual. 
A mistura de elementos reduz o múltiplo aos três materiais escolhidos.
A forma carregada de arestas faz cair o olhar.
Salva-se a cruz de Cristo que o vela.

Falta mar
Falta ar
Falta futuro
Falta poesia.

Não se fecha tão grande vulto num nicho de pedra como se fosse um bibelot. Por último, nem na eternidade pode Pessoa fitar com olhar esfíngico e fatal o Ocidente, futuro do passado uma vez que o colocaram na parede virada Norte do claustro.

Lendo 103

"- Eu bem sei o que sou para eles: uma comichão que não se pode coçar…” – Domingos Monteiro in O caminho para lá, Sociedade de Expansão cultural, Lisboa 1958, pág 31

Quando o mundo é feito de pessoas complicadas que, pela sua incapacidade de fazer mundo, irritam-se com quem faz mundo.