sábado, 18 de abril de 2015

Lendo 094

"Assim, o homem conhece com todo o seu ser. Não há pensamento sem imagens senão em Deus." António Telmo in Horóscopo de Portugal, Guimarães Editores, 1997, Lisboa, pág 170.

Não será este o absoluto drama dos que se dizem ateus ou os que acham que Deus se deve questionar como se fosse um colega de escola? Quando pensamos partimos sempre da nossa realidade e só depois seguimos para raciocínios abstractos. Ora, para se pensar Deus, ou estar em Deus é absolutamente o inverso, ou seja, do abstracto, do que diz tudo se desce ao concreto onde, então as coisas ganham sentido. E apenas nesta dinâmica invertida, de se reduzir o nosso pensar a uma mera funcionalidade e não à explicação do mundo.

Quando Santo Anselmo diz "Vou pensar na maior coisa que se possa pensar, da qual nada possa ser maior, nada lhe possa faltar, então inevitavelmente essa coisa tem que existir e essa coisa é Deus." Ele sai de si e vai até à coisa em si. Descartes estraga tudo quando diz "Como sou eu que penso, logo tenho que existir!" E assim de um pensamento metafísico se chega a uma antropologia. E aqui se dá o pontapé de saída de um racionalismo que vai destruir o homem, pois que lhe tira a sua essência, a saber, a de ser um ser criado.

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