Até que ponto pode a minha opinião, o mundo em que acredito, as razões que são as minhas razões serem suficientes para agir?
Para ficar quietos há sempre um ror de razões, motivos e até ponderações que nos fixam a acção à inacção. Mas de todas elas a que mais vezes se esconde é o afecto. O medo de deixar de ser amado. Se nada fizer, nada muda. Se nada muda, amanhã é igual a hoje. Isso seria verdade não fora o caso do eu de amanhã ser um nadinha menor que o eu de hoje. E por força de tanto fugir, a singular ideia de acção já é um ultrage à sua liberdade individual, a qual, curiosamente se funda no singular facto de deixar livremente de ser livre.
Focado nesse medo de aceitação passo a ser livre apenas em surdina, na conversa de café, na pequena quadrilhice que se torna absolutamente irrelevante e apenas serve para perder o tempo que se tinha para falar do que é verdadeiramente importante, a saber, o afecto.
E depois há sempre amanhã e milhares de pequenos que nadas que serão usados e expostos como troféus de uma coragem, de uma posição, de uma atitude que se resume apenas a não a ter.
3 comentários:
Já tenho um parceiro no desânimo e na mania de falar isolado.
Com a diferença de que eu estou muito mais em baixo.
Mas, para ambos, o calar, deixar de comunicar à parede, sentimos que seria morrer dentro de nós, e isso é sumamente triste. Já basta reconhecer que a Parca vai-se encarregar, quando ela entender, de nos fechar a boca e imobilizar os dedos.
Como é bom perceber que alguém, pelo menos um alguém entende.
Numa proliferação de nuances de cinzentos é magnífico descobrir cor.
Um abraço fraterno
Tocata e fuga.
Como a minha educação musical nunca atingiu os cumes da roseira de que escrevia Bocage, depois de surdo ainda a coisa piorou, Daí que lhe peça uma ajudinha. Pode ser? Obrigado e nem por isso.
Isto da tocata e fuga refere-se a dar uma apalpadela rápida e fugidia à brasa que está na paragem e, sem demorar um átomo, desatar a fugir antes de se atingido por uma latada?
É que se procedermos sempre assim, nunca teremos a oportunidade de ser recebidos com um sorriso e uma promessa de queijos, digo beijos.
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