quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O estúpido

Na minha vida tive sempre, mais próximos ou mais constantes, a presença de alguém a quem o criador entendeu suprimir um pouco a sua capacidade de discernir. Não era grave, era apenas aquela pessoa que na maior parte do tempo era simpática e boa companhia mas, coitada, estúpida. Tive, até, casos de sincera amizade com este tipo de pessoas. Não sei se por questão de educação, de princípio ou meramente por amizade nunca lhes passei a ideia que entendia as suas limitações. Nem, tão pouco diminuí a minha atenção ou a estima que lhes dedicava. Eram assim mesmo. Não se pode pedir a pé de salsa que me dê um enorme caule de couve portuguesa. Há que apreciar e degustar o que cada um tem para nos oferecer. E estimá-los como são.

Todavia, e sem conta disso, estes mesmos menos dotados entenderam, vá-se lá saber com que esforço, uma determinada ideia deles mesmo, a qual os faz entrar em diabruras mais ou menos violentas supondo, na sua grande maioria que eu é que sou "o"estúpido. Depois podem, com mais ou menos ausência de espírito recolher vários adeptos da sua brilhante conclusão. Gente que segue uma ideia básica, mas segue por ser simples aceitar coisas menores. Fico absolutamente boquiaberto e em profundo espanto interior! Que raio de coisa é esta do ser humano!

Pouco me incomoda o desacerto mental com que esses personagens temporariamente se entretêm. Tenham de mim uma ideia ainda mais negra da que consigo ter da minha pessoa não é coisa que me cause qualquer tormento ou incómodo, mas haja, pelo menos uma razão, um motivo, algo acertado que possa ser admitido! É que do que geralmente me tendem a acusar são sempre temas tão irrelevantes como menores e áridos ( aliás próprios das sua exigência mental). Tendo eu tão profundos incómodos que comigo mesmo que se soubessem um décimo do que seu sei de mim, sei lá eu o que se proporiam fazer!

A questão final a considerar é que, mesmo que apesar de ter estes brindes, eles, os estúpidos, sê-lo-ão sempre e entrarão sempre na minha vida. Há, todavia, algo que se impõe sobre eles é nunca considerá-los mais do que aquilo que são. É que por via disso, acabam por acreditar. E depois disso o inferno instala-se!

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