terça-feira, 29 de abril de 2014

Da liberdade

Toda a possibilidade
Tudo o que pode ser
E até que venha a ser
E o que fica do que foi.

O infinito no fim
A volta quadrada
Subindo a descida
E o lugar do nada.

É assim a vontade,
Essa liberdade divina,
Que sempre subjaz
Quando a luz se anima.

Ai Liberdade, liberdade

Palavra gritada,
Vociferada,
Cuspida
E, até, esmagada.

Fosses tu a minha
Como por outros tomada
E como te traria
Assim aprisionada?

É que isto não é
Coisa de se ter ou ser
Menos ainda de pertença
Liberdade é um nada.

É ser-se independente
De tudo o que se liga,
Do que se faz diverso
Para ser-se do outro modo.

E é ser-se somente
Aquilo que se é.
Pedaço de Deus
Feito vontade.

domingo, 13 de abril de 2014

Fotografia e realidade

Fazer fotografia e carregar no botão da máquina são coisas distintas. 
Num domingo solarengo fui à praia e com todos os dados no automático carreguei no botão e zás!


Exacto, este foi o resultado. Não gostei. 
A foto tem muita luz e muita cor. 
Ajustei a velocidade do disparo, aumentando-a. Assim o tempo de captação da luminosidade é menor, logo escureço a fotografia. O brilho do sol e os seus reflexos brancos atenuam-se. 
A imagem ganha mais equilíbrio. Mas, e por outro lado, ainda há a cor. O mar tem um azul e nas pedras há castanhos. Desequilibra a temperatura da fotografia.


Fazemos uma cópia apenas em preto e branco. Ficou mais equilibrada, mas, e no entanto, precisava de ainda mais velocidade. A linha diagonal das pedras precisava de ficar mais escura.



 Como não sou adepto da alteração das fotografias com programas informáticos fico-me por aqui, pois que com um programa mediano de edição podemos melhorar a fotografia.

Fica uma mini explicação de como se pode fotografar e tentar fazer com que a máquina nos devolva não a realidade, mas a minha visão ideal dessa mesma realidade, mas, se calhar já é misturar um pouco as coisas...

sábado, 12 de abril de 2014

Só novidades

Enquanto preparo um segundo livro de poesia, ou seja a fase nada animadora de ser autor, que se resume a arranjos gráficos, cor, margens, capa, grafismo, letra, arranjar o ISBN e outras coisas similares, para além da reler todos os poemas, corrigir, acrescentar, modificar e outras miudezas, recebo mais um incentivo. A Livraria Barata convidou-me a participar, enquanto autor, numa sessão pública de autógrafos na esplanada da Pastelaria Mexicana no dia Mundial do livro e dos direitos de autor em conjunto com outros autores.

2014 tem sido um ano muito solicitado. Ainda bem!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Memória

Não se refaz o tempo.
A vida ficou lá,
Vivida como foi.
Apenas resta entender.

Ou reescrever,
Re-sentir,
Ou re-inventar
Esse pequeno nada.

E porque ficou uma lasca,
Um dor ou uma luz
Ou até uma imagem
Que se eterniza.

E nessa memória,
Toda pessoal e individual,
O mundo até se pode explicar,
Porque o eu esteve lá.

E foi consciência,
Um solvanco no devir,
Que assim ganha vida
Dentro de mais uma alma.

E depois integra
O passado a cada momento
Fazendo-se verdade
E, até, por vezes, presente.

No infinito

Sem sal me sinto
E falta esse gosto
De ter o mar em mim
De ser tormento e desejo.

FIco-me mais pequeno,
Sem horizonte sequer,
Apenas gasto
E absurdamnete seco.

Esse mar de mim,
Que se perde de vista
Alcança-me na linha
Que junta o céu e a terra.

Quando tudo é.
Em nenhum parte,
Apenas no infinito
E sempre.

De uma raiva incontida

Há uma raiva incontida.
Um rugido dorido,
Um gesto levantado
E um tormento em previsão.

É a alma que se separa
Do que fez para ser,
A confiada expectativa
De uma sequência natural.

E do nada vem outro nada
Que se avoluma em tudo.
Um nevoeiro que se adensa
E turva qualquer razão.

E nasce esse fogo,
Que não vê nem se toca,
Apenas se sente na alma
E tudo destrói....

Até a ambição
De ser novamente um nada,
Sem este passado
Sem este nada.

Tristeza

Ai essa tristeza
Que m'invade os olhos
E os raza d'água.

Ai esta tristeza,
Que me enche de melancolia
E me senta as pernas.

E que tudo longe fica,
E que tudo se aparta
Menos esta tristeza.

E na alma se fecha,
Embrulhada em si,
Cansada de nadas.

Ai dor de alma,
Chuva que advinha,
E que espera que passe.

É tempo parado,
melancolia militante,
Tudo em suspenso.

Ai esta tristeza,
Reduz-me a fraqueza,
Como vulgar certeza.

DOnde vem este tormento

Donde vem este tormento?
A mesma estrada andada,
A luz que se faz azulada,
Pontuada e sem firmamento.

E amplia-se em barulho,
Desassossego frustante.
Um sem percursco incessante,
Que se replica no marulho.

Ser-se assim sem saída,
Arrastando todo esse passado,
Como se de si mesmo desalojado,
E com um futuro sem vida.

O mar da minha alma

Onde me deixo ir,
Tempos sem tempo,
Onde nem sequer estou,
São horizontes sem fim.

Todos os caminhos
Por onde me perco,
Sem rumo ou norte
São traços de mim.

Apenas revisitando o futuro,
Num mar de ânsias mil,
E outro tanto de desejos,
Acontece a reinvenção

E não de mim ou do eu
Mas da alma que m'habita
Que faz este espaço
Entre horizontes.