terça-feira, 25 de março de 2014

Quiz ser...

Quiz ser arquitecto,
Para fazer as casas ideiais
Quiz ser juiz,
E fazer a justiça exemplar
Quiz ser professor,
E ensinar apenas a verdade
Quiz ser Padre
E dar ânimo a quem precisa
Quiz ser pintor
E pintar o belo
Quiz ser político,
E fazer a vida humana

E eis-me poeta
Sem tocar na poesia...

Dos tempos

Que tempo és tu?
Incerteza do ontem,
Da imagem viciada
Na vida que aconteceu.

Nem os gestos repetes,
Desconheces a intenção,
O sopro que os animou,
Ou a vontade que os fez.

E nada mesmo sabes,
Nem de ti nem do outro.
Cumpres o papel
De seres o que és.

Algo que se regista
Nos livros alheios
Que, nos outros também.
Ao nada se reconduziram.

Futurizas-te então,
Faz-te o Outro que t'habita,
A alma eterna
Do amor infinito.

E desse tempo
Sem espaço ou corpo
Apenas entendimento.
E sem tempo.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Futuro

Ser sempre amanhã...
Depois e depois,
Não o fim.
Mas o meio até ao fim.
Ser depois de agora.
E sempre a projectar,
A ir e a querer...
A vontade de ser,
Ser sempre,
E ser grande, maior,
Intenso!,
Com tudo,
Cheio e perfeito.
E depois de volta à unidade,
Já totalidade,
Infinito paraíso...
A história toda
Nesse futuro que é um.
O antes do futuro mesmo,

Deus.

Perdido

Segue o caminho. Passo lento, despreocupado. Absorto, concentrado
- Parabéns pelo novo projecto!
Sorri e agradece serenamente com a cabeça. Mais um projecto, um não ser que se destrtará de tal modo até ter as mínimas semelhanças com qualquer coisa que uma vez próximo de acção, de feito se irá arrumar.
E segue o caminho para outro projecto.
No princípio do corredor, parada, uma alma arrasta-se sem corpo que segue um projecto.

domingo, 23 de março de 2014

Ao que se reduziu este blogue

Poesia e bonecada.

Meras representações da alma pendurada nas coisas da mão.

Ser o outro

Tomara ser o outro.
Não aquele com que me cruzo,
Que me cumprimenta
E que é meu figurante.

Tomara ser o outro,
Aquele do espelho,
O que a minha alma vê,
E que nele pensa.

Tomara ser o outro,
O que realiza a justiça,
Que deduz a sensatez,
E o que m'ensina.

Tomara sê-lo
E sê-lo em paz,
Sem a ansiedade
De me ser sempre eu.

O poeta falhado

E ainda livre,
E apenas na alma,
Pois que no corpo
Vivo das suas penas.

Feitas no contragosto
Do outro que sempre torna
De ser mais um não,
Que a sua negação.

E se nunca se fugiu
Dessa cela fechada,
Foi por nela se trancar
Como alma dilacerada.

E sempre pendurado
Do saber revirado
Sem ousar sequer ver
Naquela pele tornado.

Quando já não livre,
Nem na alma,
Olha para o outro,
O poeta falhado.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Um ar sem mar

Suspira profundamente...
E inunda o ar
Com o bafo da alma...
Um ar velho e fétido...
Guardado desde sempre
No suspiro da confirmação
Das realidades penduradas
Nos cenários do passado
Que escondem Deus
E todo o firmamento.
Até a aurora e o ocaso,

E volta a inspirar,
Não o Sol
Ou a primavera,
Apenas ar,
Que retorna gasto,
Carregado de humidade,
Preso em mil bolores
Da alma que já não areja
Presa a um corpo
Que espera o pó

Um ar sem mar.

E tu, quem és?

Quem és tu?
Ao espelho perguntas...
Não passa de uma imagem
Daquilo que intentas

Nunca se é todo,
Apenas muitas partes
Que ansiam dizer
Aquela em que estás.

E há, até, o fogo,
Luzes, brilho e paixão.
Ao lado de abismos
Negros e cheios de confusões...

E tu, quem és?
És aquele em qu estás,
E, por força disso,
Assim serás.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Ser-se terra

De onde vem este vento
Que arrefece a alma
E lhe dá ganas
De ser um furacão
Que tudo destrói,
Reduzindo a cacos
Construções de uma vida
E mais que haja...´
Efeito de uma chama
Que no olho congelou.

Sempre o velho amor...
Que se desconsolou
Não que tenha sido trocado.
Apenas desapareceu
De onde, afinal,
Nunca houvera estado....
E, desazado,
Fica como que pendurado
De alma aberta
A qualquer vento desesperado.

Pior que ser desamado
É nunca o ter-se sido
Ser-se um mero pedaço de terra,
Sem ser forma para florir.

E tudo e nada


Gosto deste tipo de desenhos.

Antes e depois 002



Mais um desenho que foi depois colorido.

Antes e depois 001



Trouxe a cor valor acrescentado?

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ser amado



Este filme, que pouco me importa se tem outros objectivos, tornou-se viral.
A sua história é simples e básica.
Duas pessoas que supostamente não se conhecem e beijam-se.

O que me fascinou neste filme foi a verificação que o beijo cria. E isso, por mais forjado que o filme tenha sido, é natural pois, e na minha opinião, resulta do elo que o beijo estabelece. E esse elo é o elo do afecto, o elo do amor. Durante o beijo, mesmo que encenado, sentiram-se amados.

Esta verificação tão comovente confirma a minha ideia que Deus é Amor. E que, por tal, existe para lá de qualquer racionalismo que se esforce para refutar esta evidência.

quarta-feira, 12 de março de 2014

De volta


De volta aos tempos da António Arroio em que o tédio promovia algumas piadas.
"Pergunta o bicho da maçã: O que é que eu tenho a ver com isto?"

É o tipo de piada que tenta usar um distanciamento do objecto "brincado" para se obter um ligeiro humor. Mas como quem desenha e desenvolve a piada vive no contexto da cruz da maçã, não tem sentido a ausência de conhecimento da cruz que a maçã carrega, pois que é por ela ser o símbolo do pecado original, da primeira queda, que toda a história existe.

E, para ilustrar um pouco mais, esta noção de queda ou pecado, está relacionada com aquilo que nos fez homem, ou seja, a capacidade de escolher, e no presente o que os textos nos dizem é que foi o homem que utilizando os dons de Deus provocou a sua saída do Paraíso.

Melhorando o humor, podemos acrescentar que não foi exactamente o homem, mas a MULHER!

2º Desafio - O Carnaval

1º Desafio - O inverno e o frio

Roubando o tempo

Ai quem me dera
Ser outra vez
O primeiro beijo.
Sentir a que sabe
O bater do coração.
E de olhos fechados
Ver a curva do céu
A tocar o infinito.

Ai quem me dera
Esse momento
Em que vi o meu coração
Respirar no teu.
E quando nos teus lábios vi
Só o reflexo dos meus.
Selados.

Ai quem me dera
Ser outra vez
O teu primeiro beijo.

Ó Jasmim

Ó Jasmim...
Que entras às golfadas,
Num ar quente,
Que m'envolve a alma.

Ah... Jasmim...
Que m'atordoas,
E me deixas cego
Desse teu cheiro morno.

Até a andorinha te visita
Nesse teu anúncio.
É a noite que se estende
E a dormência que delicia...

E antecipa a vida,
Nos corpos que se querem
Em desejos quentes
E lábios saboreados.

Jasmim, jasmim...
Acordas-te-me a alma
E canto o teu cheiro,
Já sou primavera!

segunda-feira, 10 de março de 2014

Da arte

E escreveu,
Tinta sobre papel,
Datou no tempo,
E assinou.

Olhou a obra,
E perto e longe.
Pousou-a serenamente,
E depois suspirou.

De volta ao espelho,
Alma dentro de corpo
1965,
E impressão digital.

Reteve-se em si,
Mirou-se de perto e longe,
Pecado original,
Num finito mortal.

E a criação acontece

Há um momento único...
O toque divino,
E acontece vida!
Um ser desenvolve-se.

Tudo é possibilidade.
Pensar, entender,
Compreender e amar.
Reflectir e voltar a amar.

E eis que,
Suprema surpresa!
Noto agora,
Que esse ser, sou eu!

Único,
Pessoal,
Intransmissível.
Eu!

Que ousadia, a Divina.
Ter-se feito acto,
E logo num absurdo
Que é este meu eu!