Vivemos na absoluta tirania do mundo do eu. Acabaram-se as boas educações, o respeito, as hierarquias e, até, a base moral da convivência.
Meti-me numa conversa sobre o aborto com umas histéricas extremistas e nem uma única palavrinha sobre uma mínima circunstância que nos é completa e absolutamente alheia, o dom da vida. Só interessa se a noite ( a fatal presunção das princesas desencantadas) foi boa ou má. Se o estupor do espermatozóide, esse bandalho, esse terrível imbecil, esse canastrão, entrou dentro de um sacrossanto óvulo que, coitado se encontrava absolutamente à mercê desse violador machista agressor! Se o menor dos bons sensos recomendaria o uso de um preservativo, nem sequer pelo efeito de contracepção ( outro horror diabólico!) mas, diria mesmo, que pelos mínimos de preservação da saúde, as fêmeas de serviços devem achar que esse saco de plástico é um atentado à sua privacidade!
Para lá do absurdo supra exposto, importa parar um pouco e entender de que é que se está a falar. Não é de uma sessão de sexo. Não é da liberdade.Apenas que uma vida foi gerada. Aconteceu o milagre da vida. Está ali um ser humano. Ninguém muda a vida. A minha vida, a dos meus filhos, a da minha mulher, a dos meus pais, a de qualquer dos meus antepassados pode ter sido o resultado dessa noite de mau sexo. Mas foi por ela ter acontecido que aqui estou, tal como os meus filhos e os outros que são a história do meu existir. Ninguém tem o direito, ou a autoridade para a interromper. Seja em que momento for!
Mas, e de repente, fruto de um egoísmo exacerbado, diria mesmo um egoísmo absolutamente terrorista, o eu passou a determinar todos os outros de forma cínica, fria, calculista, racional e desumana. Interessa antes de mais nada, as minhas ancas, o meu pipi, as minhas mamas, o meu cu e mais que não me apetece escrever! Já não chega o homem ser companheiro, amigo, dono de casa, cozinheiro, homem-a-dias... E assim, com esta leviandade a natalidade é hoje um terço da geração em que nasci. Sendo o quarto filho, hoje não teria nascido, assim como mais dois dos meus irmãos. Talvez somente a minha irmã.
É toda uma escalada inversa ao conhecimento humano. Cada vez que mais se sabe, menos se reflecte esse conhecimento na acção. Impera a lei do eu e do meu prazer!
Como ser humano, como pai, como marido e como cidadão não me revejo nessa "evolução" do homem. E tudo, vejam lá. por respeito ao próprio Homem.
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