sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A arte e a desarte

Em tempos que se perde já a ideia de quando é que aconteceram era comum dizer-se que os artistas eram incompreendidos e que eles procuravam exprimir o seu desajustamento perante a "sociedade" que enquanto um todo normativo lhes bloquearia o bem estar. Daqui vinha a irreverência e o experimentalismo e as afirmações mais remotas do que pudesse haver. Tudo era aceite por via desse lado de eventual expressão artística.

O mundo foi evoluindo e a dita "sociedade" foi perdendo o seu normativo, vivendo cada vez mais num limbo onde pouca coisa pode ser considerada não conforme. Passamos a comer com as mãos, seja pizzas ou hamburguers. O aborto passou a ser glorificado em nome da liberdade de escolha em vez da sequência de um acto. O casamento, raiz da família, deixou de ter valor intrínseco e passou a ser uma circunstância da qual se muda em função de apetites. A natural regra de dois sexos foi substituída pela obrigação de se "sair do armário" e assumir-se, se lá o que isso represente.

Com tudo isto, no mundo da arte passou a haver um verdadeira conformidade com este normativo amoral. Perdeu-se, em absoluto, a substância das coisas e vive-se numa adoração da aparência estética.

A questão fulcral é saber se é passageiro...

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