segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Coisas de almas

"Nós morremos de ver morrer o sol." Teixeira de Pascoaes in Dom Carlos

Ainda ontem vinha de Colares a caminho de Cascais e via esse imenso Sol de inverno que morria no mar da minha alma incendiando-a num cego amarelo. E da ausência de coisa a ver, nascia um imenso branco, central, todo, imenso...

Mais tarde, na mesma estrada, e sobre o mesmo Sol que descia ao mar, dois namorados espremiam-se num só.
Também eles morriam de amor...  

sábado, 28 de dezembro de 2013

Olhando para a "arte"

Ao ver uma exposição de arte do século XX, reflicto um pouco e fico quase com duas certezas.

1ª A fotografia deu cabo da capacidade de de certas pessoas com habilidades para a reprodução pictórica de se exprimirem. Tê-las-á reduzido a uma insignificância que não é compatível com a ideia que têm de si próprios.

2ª A esquerda, na sua demanda de qualquer coisa substante que consiga ultrapassar a espiritualidade do homem foi de demanda em demanda até à anulação total da própria capacidade do homem se exprimir, chegando a dizer que a arte já existia na coisa antes do homem a realizar. (Antes o absinto de Pessoa!)

Com tanta vontade de serem deuses, certos homens acabam por ser menos que homens.

Em demanda

Numa exposição noto, sem surpresa, que vários quadros tem como título "Sem título". Bom, sendo o título uma forma de dar nome ao quadro, o que se faz quando este não tem nome? É inominável. E algo que não tem nome, terá exactamente o quê?

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Da volta do tempo

E volta a roda
Fim que recomeça,
Que não acaba nunca,
Tempo que se ultrapassa.
E a cada ano que conta,
Como contas de um rosário,
Que se rezam
Como se pede por alguém.
Um futuro que seja,
Até por isso mesmo,
Um futuro.
E volta a roda,
A do tempo,
E a do futuro.
Assim diz o Sol,

E demais sente a alma
Sem saber porquê,
Mas sentido o tempo
Que volta à roda.

D'inverno

E estou-me assim
Como a última folha
Ainda preso ao galho
E já sem cor.

De amarela a castanha,
E agora parda, seca.
Sem veios ou côr.
Apenas pendurado

Tal como nesta alma desolada
Feita galho quasi seco
Saudosa de todos os passados
E neles ainda preso.


Os materiais

Gosto de experimentar os materiais. E mudo quando me habituo ou quando já estou saturado do efeito gráfico.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

No mundo da Genealogia

Andava eu a tratar de uns antepassados naturais do Monte da Caparica, do lugar da Trafaria, e chego ao livro de casamentos de 1599 a 1632 e noto uma invulgar quantidade de Sebastiãos que se casam. Se casam nesta data é normal que tenham nascidos depois de 1580, ou seja, depois da morte de Dom Sebastião. Significa, portanto, que a população, de alguma maneira transferiu o seu pesar da ausência do seu Rei, dando esse nome aos seus filhos.

É extraordinária esta alma lusa!

Deduções

A realidade não é complexa. Ela contém tal infinidade de detalhes que o seu entendimento é que é complexo.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Desenhando


Caneta com aguarela sobre papel


Caneta com aguarela sobre papel


Lápis sobre papel

 Lápis sobre papel

Lápis sobre papel

Inverno

O inverno é tempo de hibernação criativa.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

lateral à dúvida

Aquele que ambiciona produzir arte, que se apelida de artista, que produz coisas a que chama obras de arte, não estará, antes de qualquer outra coisa, a pedir ao mundo que alguém lhe confirme a eternidade que o seu corpo nega?
Do que faço, pinto, escrevo, penso e sei lá que formas, reconheço-me como alguém que "brinca" com os instrumentos que o Criador me deu. Sei, certo e seguro, que não é arte. E vivo tão mais tranquilo por isso!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Questões emergentes

A falta de escrúpulos. E não se pense que falo na classe política. Não, essa irremediavelmente é o caixote de lixo de qualquer código de valores. Falo mais genericamente, como pro exemplo:

Na arte. Promove-se lixo em quantidades assustadoras. A todas um conjunto de amigos promove na expectativa de ser, também promovido. Veja o caso supremo da Joana de Vasconcelos.
Na literatura. Como é que lixo pode vender centenas de milhares de livros? José Rodrigues dos Santos, Miguel Sousa Tavares, Isabel Stilweel, etc, etc, etc....
No cinema. Os filmes que se sucedem em lixo I, depois II, e III e sei lá que número se segue.
Nas televisões. Casas dos horrores, segredos, mau gosto e imbecilidade. Novelas de todo o género e feitio.
Nos jornais. Os jornalistas já não descrevem o que aconteceu, mas acham-se todos detentores de algum conhecimento estratégico que os faz iluminados sobre quem lê, e, mais inacreditável, quem investe nos meios!
Na publicidade. Níveis demasiado desinteligentes de mentir.
No comércio. São feitas campanhas apelando a valores, sendo o seu verdadeiro fito é vender mais que o parceiro, e estão-se completamente nas tintas para o cliente, sendo neste caso o Pingo Doce o verdadeiro campeão do abuso moral.
Na justiça. Os agentes estão completamente nas tintas. Há estatísticas que têm que ser cumpridas. Calhou levar a julgamento um caso aberrante, pouco importa o que isso custa. O que importa são as estatísticas!
Na educação. O aluno deixou de ser a razão de ser dos professores. Passou tudo para toda uma classe que brame os seus direitos, nomeadamente de horário zero, cuja conquista o tempo certificou!
Na polícia. A ideia de defesa da pátria virou salazarismo bafiento. O que importa são as minhas necessidades.

Regra geral vivemos num clima de absoluta impunidade moral. Cada homem age como lhe apetece, finca-se no seu objectivo e devassa o que se opuser à sua intenção. Não havendo moral, o escrúpulo desaparece. Não tem por onde medrar.

Daqui à anarquia é um instante. Na anarquia desenvolvem-se as atrocidades.

E hoje, 1º de Dezembro, dia de uma Nacionalidade, da recuperação da identidade, uns pequenos homens sem escrúpulos, porque absolutamente amorais, decretaram não ser feriado para que o país produza mais riqueza. Para que serve a riqueza de um país quando não há País?