segunda-feira, 28 de outubro de 2013

enfim...

À beira de um por do sol,
Como quem se esgueira,
Não do sol nem da terra que cresce,
Mas do tempo que se esvai...
Escorre, insistentemente,
Foge para amanhã
Sempre mais à frente
Não pára sequer para conversar.
E o sol põe-se
Ali, ao fundo,
Longe,
Intocável.
O relógio bate as horas.
Perdidas.
Gastas.
Desperdiçadas
E a luz queixa-se...
Desaparece,
Apaga-se.

Tudo desce ao escuro
Tomara que agora passasse,
Esse tempo sem luz,
Ainda mais depressa
Quase veloz

Completar a volta,
Uma cambalhota

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Vive-se só

Vive-se só.
Nem com os outros,
Nem com ninguém.
Apenas só

Seja na dor,
Na angústia
Ou na emoção
Vive-se só.

De passagem
Ou em permanência
Cou ou sem consequência
Vive-se só.

E quando o tempo cessar,
Nessa passagem,
No limite do absoluto,
Vive-se só.

Momentaneamente só,
Eternamente só.
Ainda que às vezes
Vagamente distraído.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A minha dúvida renasceu

Desde 1985 ( caramba, há 28 anos!) que ando a tentar certificar uma carta de armas que foi passada ao meu quinto avô. As horas, senão mesmo dias que isto já me gastou, não tem paralelo.
Fez-me verificar todos os livros de Coimbra de 1650 a 1700. Em Leiria, os livro de baptismo de Alvorninha, concelho de Caldas da Rainha, pelo menos 4 vezes! A resposta era sempre a mesma. O nome "Cáceres", no primeiro e quarto quadrante do brasão não aprece em lado algum. A minha conclusão é que o nome teria sido forjado e como a carta é pedida e passada em 1782, ou seja 30 anos após o terramoto, os processos podiam ter um tratamento com alguma criatividade, pelo que podia ter havido a incorporação da vida/familia de terceiros de modo a obter o brasão, e por tal se tornar nobre. Desejo mais que legítimo.
Recentemente (ontem) tropeço nisto: 


Um assento de baptismo do irmão do meu quinto avô, o tal que tería "inventado" o apelido de Cáceres. Então não é que o pai se identifica na Igreja dos Anjos, e no dia 14 de Setembro de 1752, baptiza o filho Felisberto, nascido a 3 de Junho de 1752 na Calçada de Santo André (à Mouraria) com o nome Ricardo António Mourato de CÁCERES! Ou seja 3 anos antes do terramoto. Quem usa o nome é o pai e não o filho!

O que fica por esclarecer:
Porque é que não se moneou assim no casamento?

Nem no baptismo do meu quinto avô, nascido em 1750?


Nem da outra irmã, Ana, nascida em 1756?



Mistérios!

De um tempo

Uma saudade de ti...
Não de te ter aqui,
Nem a de te apertar,
Mas a do outro tempo
Em que te olhava,
E apenas te via a ti.
Hoje já somos tantos,
Quer em mim,
Como em ti...
Chega a ser difícil rever,
Ou até pensar
Que houve um tempo assim...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Poema ao tédio

Há amanhãs que tardam...
São suspiros de uma intenção
Neste tempo em suspensão,
Pronto a agarrar uma sedução.

De uma vontade num futuro,
Sonho da minha ilusão
Que se expande no vazio
E vive assim em projecção.

Quando o tempo sobra,
E se faz demorado.
Tudo foge para amanhã,
Para um real idealizado.

Sobra um imenso tédio
De estar adiado
Num futuro provável
Que vive apenas desejado.

De um futuro ideal
Que de si se ultrapassa
Vive fora de qualquer tempo
À espera daquele que não passa.

Pela fresquinha

"O Bem é uma flor que se rega." Onde, no fundo da minha alma fui buscar esta frase é um mistério para mim, o certo é que saiu na altura certa.

A predisposição para o bem e para as coisas boas, promove, necessariamente, resultados e retornos com igual carga positiva. No fundo não é muito diferente da maior parte das frases e doutrinas da Igreja. "Vive para o Amor". "Ama o próximo". "Dá a outra face", etc, etc, A predisposição para o bem, para além de suavizar as agruras da nossa alma, de afastar as cargas negativas, promove em terceiros pensamentos mais positivos.

Vou continuar a tentar.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Da vida quotidiana

Falhei o meu autocarro habitual, logo tive que apanhar o seguinte. Um mar de caras desconhecidas. Até cheguei a pensar que me tinha enganado no autocarro. Irei para o mesmo sítio? Quem me dera que não!

Dúvida

Quando já desenhei quase tudo o que vejo na paragem do autocarro, pergunto-me:
- Vou repetir-me?

Nota: Assim como a natureza se vai mudando todos os dias, também o que nos rodeia, pelo que meu caro senhor, deixe de ser um calão piegas e vá desenhar o que bem entende! Mas faça.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Amar!

Amar!
O que é isso de amar?
Amar é um ideal!
Uma vontade pura,
Um paraíso,
E toda a eternidade
Concentrada num segundo.
Amar é inconsequente,
É não pensar,
Não reflectir,
Nem sequer meditar.
Amar é sonhar,
Querer ser e estar
Fundido e misturado.

E não há tempo para amar!
Nem sequer para esperar
É tudo aqui e agora,
Duma vez e outra vez
Repetindo o amanhã
Que se quer real
Como todos os sonhos
Quando se fecham os olhos.
Amar é sem tempo,
Sem espaço e sem ar.
É tudo.
E de uma só vez.
Eternamente!

Amar é ser amanhã.

Embrulhar em papel pardo

Há mais mundos que o meu! Mas o meu também existe!

Afinal o que é que queres?

Para que queres tu escrever, desenhar, pintar, fotografar, filmar ou o que mais te vier à cabeça? Gostas disso ou, no fundo ambicionas um pedaço de eternidade?

Dramas quase existenciais

Passei a datar e a assinar o que faço.
O livro é meu assim como o caderno onde escrevo. Também de quam mais poderia escrever isto? E logo com a minha letra!

O mexilhão começa a achar-se maior que a sua casca! E se assim é, só tem uma de duas soluções, ou rouba uma casca alheia, o que é feio, ou aprende a existir fora da casca. E será o mesmo; dentro e fora da casca?

Erros grosseiros

Enviam-me um email a pedir líderes do futuro.

Eu vivo o presente!

Mais uns tantos





Tanta coisa para se acabar num balde de lixo.

Mais uma tentativa


De volta aos desenhos. E, como sempre no autocarro. FInal de dia de ontem. Não dormia, mas descansava.

Mais um exercício

E no fundo da alma, no buraco mais quente, ond ereside toda a perversão assim como a ambição do desejo carnal tão absurdo como devastador, é aí que está o ânimo do santo!
No olhos o sangue sacode as pupilas num frenesim epilético, das mãos escorrem lágrimas de suor, as pernas tremem e o coração bate desenfreadamente algures num microfone, explodindo o som por todo o lado!
Desejo, maldito desejo!
E mais maldito ainda o botão que explodindo, escancarou o decote, expondo a perfeição da criação divina!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Desabafo

No outro dia pensava com os meus botões sobre os botões alheios e o entusiamo que porporciona ao homens imaginar que por uma força qualquer saltassem das suas casas e permitissem a contemplação da mais bela divina criação. E por que é que assim é?

O homem tem parte considerável do seu estímulo sexual na visão. Ver ou antecipar a visão é quanto baste para acender a centelha do desejo no homem. Ora a mulher, que eu saiba é claro, já não é tão estimulada pelo impulso visial ( também pudera!, um pirilau é feio que se farta!). Na mulher resulta mais a estimulação sensorial no corpo. Não obrigatoriamente nas partes erógenas, mas sentirem-se tocadas e, também desejadas. Tocar com os olhos também conta.

É, portanto de certo modo lógico que elas abram os seus decotes, nos ofereçam a visão do paraíso nos seus expressivos peitos, subam as saias para que contemplemos as pernas mais bem torneadas e que a roupa se ajuste de tal modo aos glúteos que conseguimos imaginar a cor e a forma da roupa interior. Por mais que os homens sejam todos uns estúpidos por se babarem perante essa montra de goluseimas, elas gostam de se sentir objecto de desejo.

Ou isto é verdade ou então não percebo já nada de nada. 

Anjo da guarda

Por onde andas, anjo meu,
Que a minha alma não guardas,
Nem da minha vontade cuidas,
Apenas o remorso retardas.

Refaz-te minha consciência,
Sê-me dentro e fora de mim.
Adormece este demónio que espreita
E que me atormenta de mim.

Conheces o outro que busco,
Aquele que nunca fugiu,
Antes eu, em demasia, dele,
Pois tudo turvo em mim emergiu.

Neste reflexo que me encontro
De me ser um e outro também,
Abre-se num mar de sangue
Onde o vencedor é ninguém.

É numa fúria gasta,
Que em si se espraia,
Deixa terra amarga e queimada,
Sem haver por onde se saia.

Um lastro, assim, de nada,
Sem futuro porque não é presente.
Fica vazio desta vontade de ser
A alma que verdadeiramente sente.

Vês anjo meu,
Minha guarda e companhia
Ando mal com a minha alma,
Seja de noite ou de dia.

Humor ou Amor?

- Viste a espuma do mar?
- Não..
- Mas ela viu-te!
- Porque é que dizes isso?
- Tens a sua luz no teu olhar...

No autocarro

Junto à porta de saída, leio o meu livro enquanto o resto do percurso se cumpre. Para minimizar as distrações coloco auricolares nos ouvidos e oiço música. A receita que se repete todos os dias. Sem novidades. Porém, a determinado momento uma música atípica, desordenada, repetitiva e desagradável começa a entrar nos meus ouvidos. Não se foi a fealdade da música, se o nível sonoro ou o que quer que seja, mas começa a incomodar a concentração no decorrer do texto denso de José-Augusto França. Destapo os ouvidos e tento perceber a origem do ruído. Parecía uma rádio suburbana a emitir. Estranhamente, não consigo, de todo detectar a origem do som. Repito segunda vez a mesma operação. E nada, sem conclusão. O meu livro, entretanto, já perdeu a linha condutora.
À terceira tentativa surge uma passageira frequente, com a qual trocamos vagos olhares e sorrisos de cumprimentos todos os dias, que me aponta para um jovem.
Olho para o dito jovem e evidencia todas as características de um jovem suburbano. Calças rebaixadas a mostrar as cuecas, de chapéu dentro do autocarro, brinco no ouvido e um postura desafiante, como que a exibir que o mundo, e o autocarro é um lugar de conflito e tem que exibir a sua preparação para competir.
Não resisto e pergunto:
- Este som é do cavalheiro?
Olha-me e responde estas palavras:
- É! Se eu tivesse uns fones como o chefe, não se ouvia.
Completamnete atónito com a resposta, replico:
- Como?
- Se tivesse uns fones como chefe, não se ouvia.
Paro dois segundo, completamente estupefacto com esta resposta e pergunto-lhe:
- Chefe de quê?
- ... da sua vida... - e começa vagamente a corar.
Recoloco os meus auricolares no ouvido e vou tentar, com muita dificuldade, voltar a encontrar a minha concentração para continuar a ler "A Guerra e a Paz".

A escola da vida é feita pela integração de modelos. Antigamente eram os pais, os avós, etc. Hoje é uma tão grande salganhada de esterótipos que as pessoas dificilmente conseguem ter uma linha coerente na sua conduta.
Vão ser, definitivamente, tempos difíceis.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Do traço

Acompanhar o evoluir de um traço numa folha de papel e perceber que nas oscilações que o traço vai demonstrando surge a intenção de uma forma.

O espanto que isto me causa, a capacidade de se fazer forma, é tão enorme que não consigo parar de o fazer. Seja em desenho, na escrita ou em tantas outras coisas. A intenção da mão.

Do desenho

Num desenho aprecio que se note uma certa imperfeição no traço. Essa imperfeição resulta do estilo do autor e não de falta de habilidade. É como que a assinatura da alma.

As minhas imperfeições são muito mais inabilidade que assinaturas da alma que m'habita. Ambiciono o oposto pelo que vou continuando.

domingo, 13 de outubro de 2013

Em estado de humildade absoluta

Não sou artista!

No que alimenta a minha alma, o meu sentir, a minha capacidade de contemplação e até de entendimento, deve haver uma falha genética. A falha que sinto, aquela que consegue identificar "o nada que é tudo" que me poderia fazer elevar a minha alma a certos estados anímicos. E em lugares prestigiados como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian apresentam o que se segue como "arte"...
 

 

 

 


Assumo.
Não sou artista!
Sou um iletrado no mundo da arte!
Sou uma nulidade na estética!
Sou, definitivamente, vazio de conteúdos.

Ou isso tudo, ou existe um mar de gente a fazer meio mundo de parvos.
Eu desisto!

Ir à procura da alma

"Grosso modo, podemos dizer que existem dois tipos de cineastas: os narradores e os poetas." Claude Chabrol in Como fazer um filme.

A ideia desta frase resume-se no seguinte. Um filme ou é uma história que se conta, ou tem uma alma ( a que Chabrol chama Visão de mundo) e eu simplifico ( ou amplifico) em alma. Contar contando-se.
"O poeta não cria senão para traduzir a sua visão, (...)"

Ousaria dizer que este é o mal que percorre quase todas as formas de arte ( assumindo que o cinema pode ser considerado uma forma de arte), temos tantas vezes meros artesão, técnicos, comunicadores, descritores, contadores de histórias, mas almas que se iluminam perante o que nos deixam contemplar é apenas um universo reduzido. Em suma :"Os bons técnicos, os grandes técnicos de cinema existem em número muito reduzido e não são aqueles que julgamos como tal."

sábado, 12 de outubro de 2013

Tatuagens

Não gosto.
Eventualmente um apontamento em determinadas partes do corpo a promover uma imagem. Mas sempre a chamada "one day tattoo" que em dias desaparece.

O Criador desenhou este corpo e deu-lhe uma pele para o proteger. A pele é, também ela, uma parte da nossa imagem, um modo de comunicação com o mundo.
Não consigo perceber a ideia das tatuagens. E mais, quando preferem fazer em locais onde não conseguem ver, como, por exemplo, as costas.
Se não vê, é como andar com um quadro às costas. E, nesse caso, porque não estampar as obras de arte maravilhosas da criação e recorrer a bonecos de gosto assaz duvidoso?

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O ser humano, esse desconhecido

Hoje aprendi mais um pouco sobre o ser humano.

Numa discussão, conversa ou simples troca de opinião, estava muito quentinho a formular a minha opinião e, sei lá porque motivo, tinha a nítida sensação que o meu interlocutor ouvia outra coisa diferente do que eu dizia. Reformulava as frases ou simplificava os termos e voltava a receber a resposta noutra coisa irrelevante para o objectivo da conversa. Terminei a minha participação. Não tem sentido estabelecer com alguém duas conversas paralelas. Não se poderá jamais chegar a qualquer conclusão quando um interlocutor só está disposto a ouvir-se.

Acaba por ser uma estratégia. É uma conversa nula, desesperante, exasperante para quem quer, através do diálogo atingir uma qualquer conclusão. Muito ao género de pessoas que, sem saberem, atingiram o seu princípio de Peter, e, como tal, só são capazes de falar no seu assunto. Há diga nas suas áreas de conforto. E tem sentido, pois que ao fazer uma conversa que apenas utiliza uns paradigmas, não haverá nunca a terrível possibilidade de haver a surpresa de um ideia diferente, ou mesmo adversa à tese instituída. A prazo, porém, liquidará o indivíduo, pois que uma vez encerrado nos seus paradigmas expõe-se à possibilidade de ficar fora dos contextos, apesar de cheio de certezas e razões, só que, só.

Eis um esboço para um retrato sobre as hierarquis no Portugal do século XXI.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Imaginar o real

Entra no autocarro. Ocupa um qualquer lugar que esteja disponível. O semblante que transporta é o de todos os dias e nele se encerra qualquer hipótese de conjectura sobre a vida que possa acontecer entre cada dia que entra no autocarro.
De nariz adunco, boca em risco e inexpressiva, uma longa cabeleira sempre penteada e com os olhos escondidos debaixo de uns largos óculos escuros. Nada se consegue saber, nada é visível, não deixa mensagens ou pontas soltas. Não um olhar, pois que não há olhos, não se descobre uma expressão porque a boca não se abre. Apenas uma cara fechada. Podería dizer que está à espera que lhe devolvam algo sem nunca conseguir saber o quê, nem de quem.
Vive num corpo grande, de medida extra-large. As calças coleantes evidenciam mais que umas pernas, mais que um rabo, mais que joelhos... mostram tudo isso e mais o que está a mais. Dos pés sobem umas botas para lá dos joelhos. Podiam ter sido umas botas dos mosqueteiros de Dumas, ou de um qualquer filme de juventude, mas a negritude de toda a roupa impede essa audaciosa ligação. Nada tem uma componente lúdica, tudo obedece a uma regra, e essa regra é negra. No tronco um top sem mangas, preto e coleante e marca um peito que se esqueceu de amadurecer e se espalha sem grande evidencia sobre as costelas. Nos pulsos adereços vários e quase todos com reflexos prateados de imagens de ossos e caveiras, ou mesmo apenas picos.
Aquilo que se sente é que na cor se faz o luto da sua feminilidade que dessou de existir, de uma cintura que não está lá, de um peito que não desabrochou e de uma linha que se expande fora das linhas.
Que vida pode haver nesta trágica personagem?
Celebrará o amor? Ou vive numa expectativa de uma entrega arrojada a uma vida dissoluta de sexo apenas com parceiros ocasionais?
Vive, isso quase seguramente, uma figura de determinado paradigma suburbano, anti-social com uma visão deformada do mundo. Um núcleo alheio ao que a rodeiam, ausente de côr, de emoção, de projectos, de futuro. Apenas repetições grupais que se revêm uns nos outros como membros desse tipo de sub-mundo. Onde mesmo que o tempo passe e a magia se atenue, manterão os mesmos paradigmas.
Será que, no fundom não vivem também na expectativa de que um dia, algures num tempo mítico, apareça um qualquer ente encantado, que pode ser um príncipe encantado que numa palavra envolta nos poderes mágicos do amor os arrebate do negro e faça desabrochar mais umas flores solitárias para o mundo?

Uma viagem

Decidi-me a fazer uma viagem ao meu passado. Coisa simples. Um ou outro detalhe que me incomodava. Havia uma palavra que ficou por dizer numa conversa e outra que levou outro entendimento. Coisas usuais quando me meto a repensar o tempo.
E apanhei o combóio da memória e lá fui em primeira classe. Bem sentadinho, internet e ar condicionado.
Ao chegar ao meu destino foi um gosto rever as coisas de outros tempos. Olá a este a àquele! Que coisa boa, sorrisos para toda a gente que devolviam com o agrado do costume. Harmonia, paz e tranquilidade. Que passado! Tenho que vir cá de férias por uns tempos! Isto sim!
E lá fui andando e andando à tua procura. Não estavas em casa, nem no emprego, na escola, no liceu ou sequer no sítio combinado. Tinhas saído. Sempre saído. Sò eu lá estava...

Pois é... Esta coisa do passado não se transforma. Só o presente! Vou-te ligar.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A memória

A memória é um tema recorrente. Diria que tem quase vontade própria. Nós tempos um enorme armazém com milhares de estantes onde guardamos milhões de memórias de um sem número de tantas coisas. Ás vezes... puf! entra em mim o conteúdo de um dessas estantes.

Porquê? Para quê? Acho que nunca saberei.

Poema a uma memória

Uma memória
E eis que ela surge.
Da linha do tempo,
Do fim da memória,
De onde já nada havia.
E recolhe o tempo,
A atenção e o devir.
Tudo fica em suspenso
Mercê da expectativa.

Já nada existe.
Apenas pó da vida,
Que se fixa na memória
Refazendo o passado.

E tudo retorna,
Volta a haver sentidos,
Sem causalidades.
Apenas um sopro quente.

Tão fugaz que se esvai,
E passa a outro tempo,
A outra memória
E nunca este presente.

Fechar os olhos

Quando fechamos os olhos, muitas vezes não continuamos a ver. É certo que já não é o reflexo da luz nos objectos que estão à nossa frente, conferindo-lhes a cor, a forma e todas as tonalidades. Fecho os olhos e vejo tantas coisas...

São coisas sem nexo aparente, coisas cujas formas se esticam e encolhem, cores que se espandem e, a grande e colossal diferença, vejo o que sinto. Não o reflexo da luz, mas o reflexo do meu sentir, do meu amar, daquilo que importa. Está tudo lá e à minha disposição.

E porque acredito que o amor vive para lá de mim, consigo vê-lo, tocar-lhe, senti-lo e cheirá-lo. E, para que conste, não tem forma, nem cor, nem sequer volume, apenas temperatura!

A música parou e eu sentei-me na minha cadeira. Quem é que ficou de fora?

Da mãe natureza, ou da mão de Deus

Nas árvores o amarelo de inofensivas pintinhas vai sarapintando as folhas, dando, a cada dia um tom diferente. Vai, assim, o amarelo tornar-se a cor dominante que, com o peso do sol que transportam, fará com que os ramos as soltem, cansados.
No chão, um mar de folhas, memória de imensas sombras refrescantes, irão transformar-se, com a ajuda das chuvas, numa pasta que durante o inverno se converterá no rico alimento das árvores que permitirá que estas, na Primavera se encha novamente de uma imensidão de folhas verdes escuras. Nem um único apontamento de amarelo se verá, até que seja novamente Outubro, mês de Outono.

sábado, 5 de outubro de 2013

Uma ideia fora de contexto

A frase de "Sou um pedinte de afectos" que utilizei numa poesia minha tem cada vez mais sentido. Há, na nossa vida, um sem número de movimentos, de gestos, de intenções que buscam tão somente receber essa "esmola" de afecto.

Dirão alguns, seguramente sábios, que a razão reside num qualquer conflito que ficou perdido no tempo mítico da alcova materna, ou noutra rejeição, única, ou repetida, desse afecto. 

Não consigo saber se é exclusivo de uns ou comum a todos. Penso que é comum a todos. Cada um pede como consegue.

Podia, agora, entrar no humor e fantasiar sobre se cada um pede onde está o seu "mercado", o seu "cluster" e fazer disto uma conversa louca de economês, mas não é razoável. Será, no entanto, uma ideia a reter. Pode, eventualmente, haver tipos comportamentais onde o nosso afecto seja mais rápida e duradoramente saciado. Mas não sei. Ainda não meditei o suficiente sobre isso. Mas vale a ideia.  

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Outubro, outubro...

Manhã aziaga! Tudo difícil e complicado. Tempo abafado. Que os ares de Belzebu se esfumem e deixam a graça do Sol entrar em redor da minha alma!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Para banda desenhada

Ao som de: Left in the dark - Jim Steinaman
Trecho "And there are no lies on your body, so take off your dress, I just want to get at the truth"

Uma prancha, ou duas de banda desenhada de acordo com o desenhador.

Quadro um
Um casal entra numa sala. A sala terá um sofá, um aparelho de som e o resto da parafrenália que se supõe numa sala. Pode até haver umas rendas sobre o sofá e uma noldura com a foto do casamento!
Quadro 2
Ele põe a música a tocar, portanto de costas para ela, e ela desaperta o botão da camisa, aparecendo um blop em cima do peito que saltará graciosamente.
Quadro 3
Os dois a olharem-se e por cima a frase da música ( E não há mentiras no teu corpo, portanto tira o vestido, pois só quero chegar à verdade )
Quadro 4
O jovem diz:
Vamos, então falar da verdade? (olhar de matador dele)
Quadro 5
Ela pestaneja e faz um riso de aceitação romantico
Quadro 6
Ele baixa a cabeça e faz o riso sacana de quem conseguiu o que quer. No braço uma tatuagem qualquer.
Quadro 7
Ele levanta a cabeça e apareçe um ponto de interrogação em cima dele. Ela mantêm o mesmo olhar.
Quadro 8
Ele, com enorme cara de espanto, diz: Mas ainda estás vestida?
Quadro 9
Ele a levar uma bofetada na cara que lhe fazem saltar os olhos das órbitas e a tatuagem do braço.
Quadro 10
Ele no sofá de braços tombados e à volta da cabeça rodam as peças de roupa que ela tem vestido. Ela sai e aperta a camisa.

Sobre a fotografia


A fotografia é apenas um registo. O mundo está ali, à disposição de todos e de igual modo. As máquinas ajudam. Algumas muito, mesmo. Há também os programas informáticos que equilibram as cores, os tons, centram, limpam sujidades, acrescentam apontamentos visuais, enfim.

Eu sou adepto da foto que a máquina capta, que é, grosso modo, aquilo que o nosso olho vê. Fazer o enquadramento, escolher o momento, a luz e a velocidade pode fazer a diferença entre um bom momento estético ou uma mera recolha de luz.

Apesar da fotografia estar ao alcance de qualquer um, nem todos fazem boas fotografias.

A fotografia que se vê está torta, com a luz desequilibrada e queimada no topo. Quanto ao resto, é um foto de perspectiva em ponto de fuga em baixo sobre um plano liso. Banal.

E esta

"Os meus heróis são os meus fantasmas."

Ouvi a frase assim, ou deturpei-a porque assim tinha mais sentido, pelo que a sua autoria é duvidosa. Se pertencer a terceiros é de uma música, acho que Pink Floyd. Mas não é relevante.

Quam são os meus heróis? Sa minhas figuras míticas que conseguem atingir metas que valorizo. Logo, os meus fantasmas, reflectem a minha ambição de conseguir atingir essas metas. E os meus heróis são Santos, são seres humanos excepcionais, são figuras históricas que marcaram um determinado período, são lendas e são, até, os heróis dos bonecos animados. E o dado ainda mais relevante é que são todos de valor positivo. E esta é a minha crença profunda no Homem e na sua alma.