segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Variações sobre o mesmo tema








Um certo fascínio temático.
O tempo silencioso

Lendo 035

Ao ler a História da Inquisição Portuguesa encontro a descrição do elenco dos delitos:

- Adesão às crenças luteranas
- Observar cerimónias ou costumes judaicos ou islâmicos
- Negação da vida eterna
- Não aceitar a transmigração das almas até ao dia do Juízo.
- Contestar a virgindade de Nossa Senhora
- Acreditar que Cristo fosse o Messias do Antigo Testamento
- Practica de bigamia, bruxaria ou feitiçaria

 A síntese é curiosa. Se por um lado proíbe a prática religiosa fora do cristianismo, não admite, também, discussões sobre três dogmas.

Se ocorresse este propósito nos dias de hoje teríamos um tal encadeado de leis que ninguém se entenderia ao certo nos limites da transgressão...

O nosso lastro no mundo

Na exposição da Maria Keil, em Cascais na Cidadela ocorre-me o seguinte: Que diabo de coisa esta de se ser criador de algo, umas coisas magníficas. Acontece é que para dar uma ideia de conjunto da pessoa escolhem um monte de registos feitos ao longo da vida. Muitos deles imbuídos de estéticas assaz duvidosas, mas em vigor e surpreendentes a um tempo, e outras, até, de estética duvidosa. E nesse conjunto acaba por se perder o bom, o válido.

É difícil perceber que as pessegadas devem estar ao pé das limonadas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Lendo 034

"Eu nasci sebastianista, eu vivi sebastianista, eu morrerei sebastianista, e hei-de renascer sebastianista." Mendo Castro Henriques, in Vencer ou Morrer, pag. 236

O sebastianismo cedo marcou o ambiente onde nasci e fui criado. Tanto assim é que tenho um irmão com esse nome. Ora vamos a teses.

Ser sebastianista é, de certo modo, futurizar o presente. Em poucas palavras o sebastianismo é a crença no quinto império, o do Espírito Santo, onde, tal como diz O poeta, Portugal se cumprirá. E é nesse sentido que D. Sebastião, o Rei que personalizou a quebra, a falha e a ruptura, se torna no Desejado que retornará numa manhã de nevoeiro, ambiente de profunda espiritualidade.
Há longa e basta tradição e registos deste sentir e desta emoção que se confude no sentido mais profundo da Saudade como desejo de um mundo a realizar-se.

Para mim encontro todo este tema numa dinâmica de retorno. Temos em nós a ideia inata do Paraíso, que é Deus na sua plenitude. Lá tudo se completa, tudo é, e nada falta, nem sequer a palavra falta tem sentido. É um momento eterno de tudo. Com o nascimento, com a entrada neste mundo, alguns ficam prenhes a vida inteira desse paraíso perdido e ficam-no cheio de saudade que é a memória desse tempo inicial que se projecta no futuro, onde se volta novamente ao início.  

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Genes

Teorias à parte, somos mais os genes que nos fizeram do que aquilo que entendemos que somos.

A pergunta que fica: São os genes estáticos ou dinâmicos? Como agregamos informação aos nossos genes? Ou é a mão de Deus que escolhe a mescla que quer na fecundação do óvulo pelo espermatozóide? Este tema comporta em si tantas questões que a menos má, e ao mesmo tempo a mais brutal é o destino. Se tudo se decide no acto, no momento da fusão, toda a vida é apenas a agregação de informação em cada um de nós. Uns entendem, outros compreendem, outros ainda acham que sim e nessa mescla agimos com o que na realidade estará pré-determinado.

Deduções

Quando não se está, não se despe. A nudez é a essencial forma do ser.

ferro oxidado

O afecto em carne viva
Pinga lágrimas de dor
Sangue que seca na alma
Como pinturas ancestrais.
E nesse espaço de refúgio,
Do prazer e do amanhã,
Onde morava a confiança,
O conforto e a segurança,
Amontoam-se negros registos.
Tudo em côr de sangue seco
Sem futuro a vir.
E sem nada que importe,
Fica a tinta marcada.
Mancha de emoção,
Marca de um sentir.
Ferro oxidado,
Quebradiço e em pó.

De um passado

Do passado,
Desse tempo
Em que tudo havia,
Do tempo a futuro.

Resta apenas memória,
Do afecto e da vontade,
De querer e bem querer,
De ser e vir a ser.

Não há tempo
Nem sequer futuro
O presente apenas repete
Uma encenação mítica.

E na história que conta
Só se diz da luz e da cor.
Mas mito que o seja
Comporta, também dor.

E essa fica no caminho
Da encenação montada
Forçada para recriar
O passado que nunca foi.

Em riste!

E ainda em riste,
O ponteiro da razão!
Já liquidou o chão
Onde resistia uma emoção...

E vibra, audaz!
Seco como um pau.
Ponteiro, afinal.
Uma vara sem afecto.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pergunta

"Qual é a saída de emergência da vida?"

Atenção que a saída de emergência serve para salvar...

O eu e o eu

Não sei ser
Diverso do que sou.
Má sorte ou embirração
É deste modo que me dou.

E de que valia ser outro?
Outro mais mansinho,
Ou até queridinho?
Se não sou esse outro.

Sou como sou
De tudo, um pedaço
Mais um naco de nada.
E mais se houver espaço!

Uma unidade de Deus,
Assim me sou!
Tal como aos demais,
Também em mim tocou.

Fim de semana em salga!

Ora enfiado, senão mesmo afundado em água salgada, ora Sol a curtir a pele.
À noite purguei toda a àgua que o meu corpo, ainda assim, fixou.

Há finais de Verão que são uma verdadeira tortura.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Será um futuro?

Mais uma manhã mde Setembro. O tempo ainda está ameno. O Sol nasce com todo o seu esplendor, ainda que se note já a deslizar para os lugares invernios. A chuva outonal ainda não se quiz apresentar esta ano, deixando muito folha nas árvores capazes de proporcionar uma deliciosa sombra que com a leve brisa refresca o espírito todo.
São as horas co costume. Nada de novo, nem nada de diferente. Tudo o que normal e natural que aconteça numa manhã de Setembro acontece com o vagar e a traquilidade que vagueia pela avenida, assim como eu. E nesse espírito desço-a como sempre. Cruzo-me com os mesmos rostos, todos os que somos habitantes desta zona. Conhecimentos que não são confirmados, mas que estão todos os dias replicados nos mesmos caminhos, e nos mesmos  gestos e hábitos. A porteira que com o vagar de décadas lava a mesma entrada do prédio repetindo os mesmos gestos de sempre, só que com mais dores nas articulações. Na perfumaria a grade apenas aberta até meio para que aquipa de limpeza remova o pó de ontem que a noite fixou em todos os lugares do costume. Na agência bancária, o cinzento de uns fatos de fibra, movimentam-se nos mesmo gestos de quem liga, conta e se prepara para receber os mesmos clientes de sempre, oferecer os mesmos produtos e distribuir os mesmos sorrisos desumanos. A meio do passeio o enorme camião quie ontem também fazia a mesma manobra para abastecer todos os volumes, caixas e pacotes que se vão enfiar em sacos de plástico e depois colocados nas prateleiras de quem vive nos andares de cima desta avenida.
E nesta avenida que desço, sou eu também mais um que desce. Sou um rosto, uma cara, talvez familiar que se repete todas as manhãs. O mesmo café, no mesmo estabelecimento. Os mesmos gestos, pois replicamo-nos na nossa vida sem novidade. Somos, uns para os outros o garante de uma vida vulgar, comum, sem incómodos que se limita a repetir. Pequenos nadasm coisas sem nenhuma importância, mas todas elas juntas servem para certificar a nossa vida. E a certificação dessa vida é, ao mesmo tempo a certeza e a tranquilidade que amanhã será igual ao que foi ontem e ao que há-de ser daqui a uma semana. Tudo sem sobressaltos. O mundo a rodar comnosco lá dentro. Certificamos o passado e garantimos o futuro.
E, assim, não se estranha o momento. Podemos até abusar da sua tranquilidade e ousar fazer humor. Nessa perspectiva, e tentando chegar a alguém de um modo diferente aconteceu o tudo e o nada.
No meio destas reflexões que me entretêm, vejo sair de outro café uma senhora que todos os dias arrasta para a rua um cavalete com placas de ardózia, onde com giz de cores diversas tenta tornar mais apelativo todos os pratos que se dispõe confecionar. Tudo para que os seus clientes vejam satisfeita a sua sensação de fome e ela, no outro lado, sinta que a sua vida tem mais sentido.
Dirijo-me, então e digo-lhe:
- Sabe, para si, sou o que desce a avenida, e para mim é a senhora que coloca o menu na rua...
- ....
E, em vez de um mundo de bairro, de proximidade, de repetição diária, sinto o anonimato do século XXI. Uma muda interjeição e toda a amplitude das suas costas....
Não é o tempo que muda, mas a disposição que cada um de nós tem para aquilo que o mundo possa ter para nos surpreender. É como se uma sombria atracção para a solidão nos empurre para um afastamento de quem vive ao nosso lado. E desse afastamento constróiem-se mil argumentos, desde a droga, ao conto do vigário, à pobreza, a sedução sem sentido, ou o que mais se queira colocar para fazer barreira à comunicação.
Os gestos dela, maquinais, repetitivos, todos os dias, não são um convite à certeza do amanhã, mas uma fuga ao hoje, à vida e à surpresa.

Segui o meu caminho. Talvez amanhã, à mesma hora, ela responda a um sorriso.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Frases para o facebook

E quando o mundo corre cinzento e carregado, cheio de degraus para subir, caminhos com pedras e apenas as  mãos servem para segurar, olho para cima e, em vez de chorar, vejo um sol que ainda brilha. Quando lá chegar, o caminho foi meu!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Reflexão de uma insónia

Quantas paredes na nossa vida não são mais que cortinas de fumo? Uma vez passadas, tossidas e sentidas o caminho se abre de novo limpo e tranquilo?

Mas custa passar, claro que custa. Mais que passar, custa verificar que é apenas fumo!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ao futuro

O sangue que me mata
Salta em golfadas na garganta.
É uma vontade impossível
Ao ver um futuro que se espanta.

Cinzentos de horizontes gastos
Que se descarta de um futuro
Numa indolência obrigatória
Num mero ganho somente seguro.

Nada já resta para cumprir.
Nem um mar ou sequer maré.
Desfaz-se tudo o possa ser algo,
Ou que à estrela não tenha fé.

O amanhã é depois de ontem apenas.
E o futuro nem promessa vale.
O espírito perde-se desde logo
Quando o Ser é um mal.

Levantem-se as armas,
O bastão é-nos milenar!
Ser é eternidade.
O restante, apenas passar





Esboço

Encostada. Com o peso do corpo contra o poste, quase a escorregar. A desolação e o desconforto estão estampados no rosto. A expressão tinha o desenho de um choro contido, quase que se advinhava a lágrima acomulada nos cantos dos olhos pronta a explodir e a escorrer pelas maçãs rosas que arredondavam a cara. Tudo se afigurava ao pior drama existencial da adolescência. E que motivo podia haver para tanto? A última troca de palavras, naturalmente brutas e azedas com a mãe como qualquer outra irrelevância igualmente desproporcionada.
A mãe dizia em tom de desabafo e evitando que mais conflitos: "Tomara que faça todas as birras e todos os dramas agora e nesta idade de modo a que quando crescer se dê conta que não só são tão irrelevantes como ridículos e que futuramente só perca tempo a discutir coisas que sejam verdadeiramente importantes."

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Como é o eu?

A minha circunstância,
Aquilo que me individualiza,
É íntimo, privado e público.
E é infinitamente múltiplo.

E assim não há mediania.
Em qualquer momento
Há sempre a disfunção
Do ser com o mundo.

E não havendo unidade no eu,
Como pode haver solução
Para o conjunto dos outros
Que vivem, assim, como eu?

Frases lapidares

Daquelas que se ouvem e que ficam bem em qualquer sala, sobretudo pousadas sobre o napron que está em cima da televisão:

"Essa tivestes bem!"

O sol que te entra nos olhos

O sol que te entra nos olhos,
Que te franse o olhar,
É a alma do dia
Que se esforça para entrar

Um mar de esperança,
Sol que é luz e calor,
Que te abra um sorriso
Com toda a força do Amor.

E que assim permaneça,
Num dia que fique sem tempo,
Apenas o somatório
Dos afectos num único momento.

Da morte

E sem certezas,
Sem um segurança...
Apenas a minha alma,
Que jamais descança.

Invade todo o espaço,
Onde se perde de si,
Numa imensidão de tudo,
Um mar de incertezas sem fim.

Nem na morte alivia,
Esse certeza de futuro,
Que será uma mudança,
E não um ponto seguro.

E essa morte que é fim,
Pode ser ela um princípio,
Ou uma dura passagem
De volta ao primeiro inicio.

E sendo a última questão,
A derradeira incerteza
Que me fará ser homem
Que medita nessa natureza.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Facilidades e dificuldades

A viver a ambivalência do destino. Se, num momento as coisas pareciam fáceis e os objectivos atingidos, antes mesmo de cumprir, lá se desmorona o caminho e se volta atrás. Mas o caminho é em frente!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A possibilidade de ser feliz

Num mar...
Noutro mar.
Outro corpo.
Outro eu.
Outro.
Aí,
Eu fui feliz!

Aqui,
Agora,
Revivo-o,
E volto a ser feliz,
Pois fui eu que o vivi.

E essa memória,
Essa recordação,
Esse calor...
É tão meu,
Como do momento.
E é só em mim que ele vive.

Pois somos os dois o mesmo.
Sempre.
A possibilidade de ser feliz.
Sózinho,
Numa memória.
De mim.

O erro

Lastimo o meu erro.
E nele me fico enfim,
Enrolando-me noutro,
Que é o erro de mim.

De poder-me outro,
Melhor que o presente.
E ficar neste
Sabendo como se o sente.

É um fustigar-me.
Moer-me de este meu querer,
Que será amanhã
Um vício de me corroer.

E são, depois, actos
Que obrigam a remédio,
Não de meras palavras,
Mas do modo como me entendo.

Junquinha

Junquinho é o nome popular de uma planta da família das Ciperáceas considerada no Brasil como uma planta
daninha. Produz um rizoma que é comestível e conhecido desde a Antiguidade, sendo que no Antigo Egito eram transformados em farinha ou usados como bebida. É considerado um afrodisíaco e muito cultivado na Espanha. Tamém é chamado de:
- coco-capim
- junça
- tiririca-amarela
- chufa
O nome científico do junquinho é: Cyperus Esculentus.

Esta é a designação técnica e científica. Para mim é uma praga que se instalou lá na minha casa. Diz-me uma pessoa que é sabedora desses detalhes do campo que para me desfazer dela tenho que a arrancar pelas raízes e apanhar todas as sementoes que ela lança, pois que a cada uma que fica na terra podem nascer uma série de novas plantas.

Achei desde a primeira explicação uma ideia curiosissima. A erva daninha propaga-se debaixo de terra, pois deixa sementes em vários lados que não os conseguimos detectar. E neste campo, eu, humano, funciono como o ditador que procura normalizar e regular a natureza das coisas para obter apenas o usufruto dos meus desejos. O Junquinho, por sua vez, usa estratégias para sobreviver e fazer vingar a sua espécie. Até aqui podemos reflectir a luta do bem e do mal. E no mesmo instante estar nos dois lados. Pois que, e segundo a explicação supra, o dado junquinho até pode ser uma planta útil.

Onde vive mesmo a verdade? Ou a questão é mesmo o que é que se torna verdade em função da utilidade.

Torres de Lisboa

Esta tem mais de trinta anos. Anos oitenta. Todos cheios de chumaços e com gente cheia de certezas e raramente com dúvidas. Tema em discussão torres de Lisboa. A possibilidade de se erguerem duas torres, bem perto da Ponte Salazar, sendo que, em altura, ultrapassaria o tabuleiro. As discussões mais que técnicas eram inflamadas por, essencialmente, uma certa ideia de modernidade que Portugal deveria absorver, o que veio a acontecer com o complexo das amoreiras.

As ditas torres erguiririam-se nos terrenos onde hoje está a Lx Factory, anteriores intalações da empresa Mirandela, que era um dos maiores parques gráficos dentro de Lisboa. Ou seja, mesmo no meio de Alcântara, uma parede de betão entre o tabuleiro e a Ajuda, o MNAA e, obviamente sobre a vista de Lisboa.

Se houve tantas vozes pelo parque de contentores, imagine-se o que se diria sobre tamanho terceiro mundismo arquitectónico. Enfim, modas que a providência Divina graciosamente nos acautelou. Que sirva de exemplo para o futuro, coisa que nem sempre é muito fácil, pois há, tendencialmente, um certa fé cega em acreditar que a moda do momento é a luz do amanhã, quando, na maior parte das vezes não passa de uma mera excitação emocional, um pouco descontrolada de alguns...

Nada é apenas uma história

Corria. Saia rápida contra o vento que lhe secava os olhos, deixando, contudo, voar as lágrimas que caiam... E soltas no ar desfaziam-se, fragmentadas como a sua alma. Não havia dor como a sua. Não podia haver.
Não era rancor. Nem desanimo. Não era desilusão nem desespero. Apenas uma profunda tristeza. Do fundo da sua alma.
O futuro não era assim. Isto não aconteceria. Sabia que tudo isto, apesar de ser verdade e de estar a acontecer era, no fundo, uma enorme mentira do mundo.
Que ideia essa de desarrumar o futuro? Não!

Nota: Daqui se pode ir em três caminhos.
1 - Contar a história de amor que finda
2 - Meditar sobre a ideia de projectos que terminam, como é que se foi até ali. E que presente nasce desse fim. Outro romance? Outro amor? Amargura? Como fica o amor próprio? E a capacidade de reconstruir?
3 - Como é que futurizamos. Como é que nos projectamos. O que é que projectamos? Somos nós, alma, ou é a nossa animalidade que quer acasalar e se projecta nesse acto?

Ou seja: O passado, o futuro, e o presente.

Atenção

Num dos meus mais utilizados meios de inspiração para tantas coisas, o autocarro.
Chego e sento-me, ou não, na paragem e lá me entretenho com o que dá. Já me aconteceu estar tão absorvido no que estava a fazer que só fui no segundo que passou. Uma vez lá dentro já escapei várias vezes a minha saída. Geralmente por distracção. Hoje, porém, a razão foi um pouco diferente. Como há sempre os histéricos do botão de parar é raro tocar nesse botão. Apenas olho, quase sempre, para o sinal de parar. Mas, e como faço quase sempre os mesmos trajectos, e às mesmas horas já tenho uma carrada de amigos que, presumo, sabemos as paragens onde entramos e saimos. E hoje, não só não toquei como nem sequer pensei quem é que iria sair. Resultado: O autocarro abranda, aproxima-se da paragem e arranca. Só da tempo para:
- Eh, pá! Olha, não sai....
Tudo tem uma razão de ser. Voltei ontem de férias. Não há ainda impregnado o sentido de stress e de obrigação. As coisas ainda correm na ordem normal da criação. Com paz e compreenção.

Assim, e no meio da contingência, deparei-me com esta pequena maravilha:


A Papelaria Fernandes no Largo do Rato.
Quem me dera manter este espírito durante o resto do ano.  

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Pequeno humor

No outro dia cumprimentava um grupo e, de acordo com a prache, lá se ia deixando beijos no ar encostando as bochechas uns aos outros. No meio há uma pessoa, especial é certo, que apenas permite um encosto de bochecha. Verifico de imediato que é uma pessoa diferenciada, de outro estrato. Com classe, diria mesmo.
E apresenta-se
- Bruna Rafaela
- Do Cacém?
- Não, de Massamá.
... e acho que ficamos por aqui. Despedimo-nos à francesa.

Pequenos nadas

A vida que levamos é sumamente bizarra.

Ontem, apenas de calções, estava deitado na areia, recolhendo o calor do sol, o barulho de fundo eram as ondas do mar. O que me importaria mais era a temperatura da água do mar.

Hoje, vestido até ao pescoço. Para além disso meias e sapatos! O barulho de fundo é gente a falar, folhas a sairem da impressora e o telfone a tocar. O que mais me importa é o tempo que falta para sair deste manicómio.
E assim são, de acordo com as regras, 47 semanas por ano, contra apenas 5 em estado próximo do vegetativo.

O que é a liberdade? Sim, esse conceito com que alguns enchem a boca como se fosse uma propriedade exclusiva. Hoje, neste momento a minha liberdade seria tirar os sapatos e as meias. Há pequenas coisas que definem grandes conceitos.

Final de férias


Quando as férias acabam, até os nadadores salvadores se vão embora...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

hoje fui ali

Hoje fui ali
Para tratar de mim
Encontrei outros
E perdi-me de mim.

Tratei deles, é certo.
Do mal que lhes colhia
E até de tonturas
E que mais lhes afligia.

No final fiquei-me
A olhar para mim
Foram-se todos
E deixaram-me assim!

Dúvidas

Ás vezes nem sei se é mais difícil ser eu, ou se o ser nos outros.