Ser politicamente correcto
Põe-me animicamente incorrecto.
Que a vulgaridade se dane!
Que se mate o comodismo.
Gente sem sangue,
Nem calor na alma.
Faz o que lhe mandam,
E repetem o que lhes cantam.
Não sobra um pergunta,
Uma questão que seja.
São máquinas de repetição,
E de talas na visão!
Ora porque sim,
E depois porque não.
Meio termo de nada
Que segue na manada.
E a voz de comando,
Num discurso de nins,
Tudo é coisa nenhuma
Gesticula-se sempre que sim.
Ninguém se compromete,
Tudo é vago e alheio,
Sacude-se de tudo,
E até da própria alma.
Estar politicamente correcto
É anestésico moral.
Uma resposta existencial
De quem vive adiado.
Brote o sangue da verdade.
Morra a ignomínia do silêncio!
Homem que não fala a alma,
É um fantoche em pé.
E deles não se faz história,
Não se cantam fados,
Matam-se aos milhares,
São cenários desfocados!
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