"Quando vivia com o Jaime, sonhava às vezes com o André." Teolinda Gersão in Noctário em Intimidades.
Há anos, muitos mesmo, que me questiono sobre esta realidade de o amor ser, de facto, monogâmico. Não me refiro ao amor comcupiscente, físico, aquele que se diz em acto. Refiro-me ao Amor outro, o que vive sempre e para sempre. É como se existissem planos diversos de amor. Um físico, mundano, de todos os dias, das confidências, das dificuldades, do crescimento, da construção, da casa que se vai edificando. E esse é único. Não se fazem duas casas ao mesmo tempo. E sair de uma casa é sempre um abandono.
Há, depois, os outros amores. São as pessoas que nos tocaram na vida. As que nos fizeram felizes, mesmo que apenas num dia, numa conversa, com um sorriso, com uma atenção. São imensos amores que nos cabem dentro. E destes também há imensos graus. E é bom viver com todas essas pessoas. Não só com o que foram, mas, e sobretudo com o que são. É natural que na minha alma sejam sempre anjos que crescem todos os dias, mas na realidade são pessoas que, tal como eu ganham todos os dias mais um dia. Assim, e em modos de resumo, quem não sonha com os anjos? São todos os meus amigos.
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