quarta-feira, 31 de julho de 2013

Lendo 029 ou como superar um erro colossal!

"Todas as noites rebolamos da cama para o chão e do chão para cima da cómoda do teu quarto e para a mesa da sala e para as lajes frias da cozinha (...)" Inês Pedrosa in Só sexo.

Não se percebe se é amor se são os treinos para os 100 metros obstáculos. É suposto, talvez, este deambular pela casa dar algum estímulo. Não sei a quem, nem porque raio de carga de água. E para falar em água, Inês, a beira mar, a praia, a piscina, na areia, em cima de toalhas pode ter muito mais encanto que andar a percorrer a casa toda!

Para a próxima sugere-se que se dedique a outro tema, no erotismo a coisa não me parece que tenha corrido particularmente bem!

Pobre Inês Pedrosa... que tédio!

"Do Partido [ do comunista, presume-se] desististe antes da moda da renovação." InÊs Pedrosa in Só sexo.

A "renovação", o que não deixa de ser uma palavra curiosa, pois que para renovar há que dar algo de novo. O que aconteceu aos comunismo na década de oitenta foi a queda de podre de um regime absolutamente obsuleto que apenas no terceiro mundo se insiste. E não foi uma moda, foi a debandada de quem pensava.

Olhando para a Igreja é como dizer que quem ficou foram todos os que não se revêm no Papa Francisco e preferem uma Igreja monolitica, parada, bafiente e monocromática.

O conto é um pastel anacrónico, miserabilista, sem fio condutor... Ah! e de erotismo... Na... Isso não está lá.

Lendo 028

"O prazer que o meu corpo é o que aprendeu no teu, e foi esse que o meu corpo ensinou aos outros homens, aos vários em que tentou enganar a tua ausência(...)". Inês Pedrosa in Só sexo.

Este pequeno conto começa a deixar-me verdadeiramente enfastiado. O problema de se ter a mania que se sabe tudo, tal como na ideia de justiça que já referi, é este mesmo: gera a suprema insafistação apenas ultrapassada num objecto sonhado que se encontra apenas na sua memória do passado.
De acordo com o resumo, só posso crer que mesmo tendo tido diversos parceiros a rapariga deve ser um brutal tédio na sua performance sexual, sendo que, ao mesmo tempo se julga a maior expert sobre o tema, e por tal incapaz de atingir o climax, porque a sua expertie é de tal ordem que apenas ela saberá encontrar a maravilha.

É um erro crasso.

Mas, no entretanto, postula sobre o tema. É uma "rica" no tema. Será que ajuda "pobres". Estou claramente em crer que não.

Pano encharcado nas ventas

"Consegui ser a advogada que queria ser, cobrar bem aos ricos para defender melhor os pobres." Inês Pedrosa, Sò sexo.

Tive que respirar várias vezes e profundamente.
Vamos a isso e vamos ver se consigo explicar tudo o que esta frase, supostamente bem intencionada, reflecte o mar de erros onde todos navegam.
Objectivo de vida abusar de alguns com o propósito de ajudar outros. Duas ideias subjacentes, para aplicares a justiça tens que ser injusto ( o que, em si, invalida em absoluto a ideia de justiça, ou de se s er justo). O mundo é, por natureza um lugar injusto.

O rico, esse malandro, esse bandido, esse terrorista, esse maquiavel ... Será mesmo assim? Ou é da natureza de uns conseguirem juntar e de outros só esbanjar, gastar e não manter? E isso é pecado, erro ou, sequer uma injustiça? Deverei trabalhar deixando desde logo uma parcela para aqueles que apenas nada querem fazer, apenas fruirem o que lhes é colocado à porta? Estas ideias, absolutamente erradas geram pessoas erradas, fatalmente desoladas com o mundo e com a divina providência, pois que, seguramente por malandragem dos ricos, eles têm e eu não!

Conseguir ser a advogada que se quer, devia ser, na minha humilde opinião ajudar quem quer que seja a ultrapassar os diferendos que tem no mundo e ser justo, ser honesto, ser correcto, nessa acção. Se assim não for será sempre injusto. É aceitar que se roube num supermercado pelo simples facto de lá haver mais víveres que em minha casa. Esse supermercado é mais rico que o meu frigorifico. Ser justo é pagar o devido pelos serviços recebidos.

As minhas ilusões e o que me incomoda nos pressupostos de certos intelectuais.

Lendo 027

Conto de Ana Miranda, Animal

Uma mboa ideia, não para conto erótico, pois que erotismo foi com extrema boa vontade que se lê. A ideia, curiosa diga-se de passagem, e poética, é o amor não à superfície da pele, mas debaixo da pele. Fisicamente debaixo, junto dos orgãos.
Voltando ao tema do erotismo, e utilizando a ideia do debaixo da pele, teria, a meu ver, mais sentido a exploração do estímulo das terminações nervosas que se beijavam, deixando em cada uma o sabor de um beijo, os dedos percorriam essas mesmas terminações nas quais tocada acordes de uma melodia jamais escutada. A base dos pelos levantava-se e num frenesim agitavam-se até permanecerem completamente hirtos.
O corpo encontrava a pele revirada e exposta à finissima película de reserva que nessa sinfonia se diluía numa comunhão de intenções.
O calor brotava dos corpos, como água a ferver nas veias que pusavam de igual intensidade com uma respiração que se intensifica. Os musculos retesam-se, não de uma força contrária, mas numa intenção magnética de completar as duas partes da mesma concha. E segue suavemente, dentro, escondido..

E por aqui em diante até onde se quizesse levar o conto. Agora falar das ossaturas, arrancar o útero, beijar os pulmões.... Temi, em determinado momento que quizesse sentir a suavidade do figado... Se calhar há erotismo numa dinÂmica de talhante que me ultrapassa-

Intimidades ou Lendo 026

Ontem, por ocasião de um almoço, fui até à Bucholz e num hipersaldo encontrei o seguinte livro:

Intimidades - dez contos eróticos de escritoras portuguesas e brasileiras. Publicações Dom Quixote, Lisboa Março de 2005, 188 páginas.

O preço 2,90 euros. Fiz o meu imenso esforço financeiro e comprei o livro. Porque é que o comprei? Tivemos neste passado recente 2012/2013 a inundação de imensa pseudo-literatura erótica, escrita por mulheres e para mulheres. O objectivo desses livros é evidente. Prazer. Já li trechos, não mais que pedaços de alguns desses livros. Fiz, até, algumas brincadeiras do mesmo foro. Brincadeiras. É giro e engraço promover cenas absurdas em que a única coisa que tem sentido pegar é nos impulsos sexuais das pessoas e desligá-las de toda e qualquer moral. Tudo tem como objectivo, propósito e razão de ser, os mais básicos estímulos sexuais. É fácil e divertido. Trata-se de brincar com a escrita.
Ora em 2005, podia haver um pequeno nicho de mercado que se dedicasse a este tipo de escrita, mas quase irrelevante. E pegando em Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Maria Teresa Horta, Teolinda Gersão e Rita Ferro, deste lado do atlântico e Ana Miranda, Branca MAria de Paula, Guiomar de Grammont, Lygia Fagundes Telles e Nélia Piñon do Brasil.

Vamos ver o que cabe nesta temática do erotismo dito por elas.

Arrastando-me na cidade

Tendo o dia tantas horas, que multiplicado por 60 nos dá em minutos, e são imensos, alguém me explica porque que há pessoas que desde a manhã já cheiram às mais variadas produções das glandolas que se situam debaixo dos braços? Podiam esperar para a tarde e deixam que se expandam esses fétidos odores. E, já agora, lavem os dentes antes de respiraem de boca aberta!

Tudos isto num autocarro de janelas fechadas, sem ar condicionado ligado e já 25º graus na rua é castigo!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Algo que tira as forças

Quantas vezes se tem que repetir uma mentira para que esta tenha contornos de verdade?
Ou o importante é quem a repete?
Ou quem e onde a diz a primeira vez?

E uma vez consolidada essa mentira, porque é que é necessário tanto esforço para a desfazer?
Parece que há que precise dessas narrativas.

Sinto-me quase quixotesto!

Pensar e pensar e pensar e pensar e pensar e pensar

O bang não é big, muito menos BIG BANG.
Não pode ter acontecido no princípio, pois que antes de ter acontecido, houve que haver a circunstância que o permite. Seja energia, seja força ou sequer circunstância. Seja o que seja, é, por maior das evidências anterior ao dito estalido.
A ideia de haver um passo mágico, um nada que explode em tudo potencial, de se ser continuidade após esse momento é uma crença, uma fé. E só não se chama fé em Deus, porque lhes cai na alma uma disfunção moral de rejeitar o que lhes seja superior.
É óbvio e evidente que dando a volta que se dê, se vá por que teoria se fôr, para além da explicação que aconteça, há que explicar o enquadramento do acontecimento. E esse, sendo-o, já é anterior ao acontecimento, pelo que o aconteciomento se torna absolutamente irrelevante. Kant diz isso nas suas categorias a priori do pensamento, ou seja aquilo que tem que acontecer antes de haver pensamento e que são, o espaço e o tempo.

Há uma certa ditadura da rejeição sustentada no primado da razão sobre a fé, a crença. E essa ditadura, essa obrigação de se ser igual à turba, afecta, não só pensamentos tão básicos e essenciais como estes, mas vai muito mais longe a obriga-nos a caminhos bizarros.
Seja na arte, na cultura, na história, no saber, e, sobretudo, senão mesmo essencialmente, na moral.

O Bem, o ideal, o expectável, deixou de ser o superlativo absoluto de todo e qualquer conceito, e passa a ser um meio dentro de um enredo que serve para justificar certos fins. Que, no fundo, são os fins que todos aceitam como válidos, pois não assim não são obrigados e ir ao limite das suas opções.

Como diria Régio, não sei para onde vou, mas por aí não vou!!!!!

Unidade individual

Afinal nada sou...
Nem de mim, nem no outro
Sou, sequer, coisa que preste.
Apenas, coisa nenhuma.

Sopro que não se sente.
Vento parado num qualquer ar,
Dentro de coisa alguma,
Que é fora do essencial.

E a emoção que queima,
Queima-se solitária.
Quase alheada e anulada.
Como se fosse nenhuma.

Dum fogo que persiste,
Unidade individual,
Tem uma chama única,
Aquela que se diz.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

De volta

Apesar de não ter andado por aqui, mantive sempre os meus afazeres.
Para quem tiver um pouco de paciência, é engraçado verificar a evolução do traço dos meus desenhos. Se carregarem na etiqueta desenhos, esta maravilha da ciência sacode do blogue todo o material não desenhos, depois é ter a paciÊncia para ir aos mais antigos, e caminhar até ao presente.
É curioso.

Podem, se quizerem, é claro, opinar, criticar, barafustar, mimar, iludir e até vociferar. A inter-acção é sempre dupla.

Mais três páginas



Ando a aprender a colorir.


O traço está, cada vez mais correcto.


Este braço "é" da rapariga cujas costas e calças desenhei. O senhor, que ficou um pouco semelhante a Saramago, era um idoso também parecido com o dito.

No autocarro também



A minha filha não gosta nada que eu desenhe mulheres. Olha-me sempre, abanando a cabeça, reprovando o tema dos desenhos. Um dia há-de perceber a beleza que o corpo feminino tem não encontra paralelo na natureza. Até lá, e aos seus olhos, serei algo censurável.

No autocarro


Num dos lugares mais à frente


Quando as jovens insistem em se sentar de forma pouco própria...

Algo errado no braço da senhora. É de plasticina, e portanto, moldável!

Esperando



Na fila das finanças.

Insistindo


Foram precisos 3 dias e meio para completar o desenho. Ou o autocarro chegava muito depressa, ou encontrava alguém, ou não estava com vontade de desenhar.
Rua Braamcamp, prédio da Cafetaria Docelândia.

Fim de semana

Passado a ler o Inferno de Dan Brown. Nem vale a pena dizer nada.

Sim. Não é literatura. Não vale um caracol. É lixo impresso. É perder tempo. Sim, sim, sim, sim e sim. É tudo isso e mais um vazio imenso. Mas como li todos os outros, não resisti a este. Mas depois da adrenalina que se sente nas primeiras páginas, li mais umas duzentas e entrei num tédio tão profundo que adormecia. Definitivamente a tradição já não é o que era. Não tenciono voltar a pegar no livro. É uma pastilha elástica gasta e sem sabor.

Empurrado

Ultimamente fui completamente empurrado para mil e um afazeres. Pedidos e solicitações tão diversas que vão desde tratar da cozinha a arrumar a cabeça após a maravilhosa hecatombe do meu pequeno livro. Nem as compras da casa as faço com a regularidade com que fazia. Neste fim de semana o frigorifico parecia ter partido para férias. De dentro uma imensa luz branca que se reflectia em todas as paredes! Quanto a víveres, nem vê-los!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Testando a minha vontade

Estava na praia e sentia o vento a correr. A maresia enchia todos os meus sentidos. O pensamento ia solto, livre e planava. De repente olho para a beira mar. Pessoas amontoam-se sobre o meu corpo desconjuntado. Esqueci-me de adormecer!

Aviso importante

Olham para mim,
E nem notam sequer,
Que já não estou,
Nem aqui nem em mim!

Já sou cadáver.
Morto de mim,
Nada sobra já.
Apenas o vulgar pó.

Fui-me com o vento,
Deixei o resto aí.
A parte que nada importa,
E apenas se transporta.

O corpo que procria,
Essa amarra fétida,
Que é um futuro nada,
Que entedia quem ainda fica.

Tudo se realiza num sopro.
Esse moviemnto invisível,
Que passa por vontade,
E abana por onde passa.

É de lado nenhum,
Em nada se fixa,
É apenas enquanto fôr
Entendido.

Dúvida

Pinto ou sujo um desenho com cores?

Verdade ou argmento?

Uma norueguesa de 24 anos, casada um norueguês, aceita um trabalho que envolve demorar-se no Dubai por três meses. O marido apoia-a na decisão. A expectativa, para ela, é alta, pois é um ponto central para conhecer o mundo islamico e a sua cultura.
No decorrer da estadia acontece um jantar mais animado, onde o alcool corre. Acaba ser vítima de sexo forçado e resolve apresentar queixa às autoridades. Incomodada, fora do seu ambiente, insegura, ao apresentar queixa tem excessos de linguagem.
Acaba por ser presa pelo crime de sexo extramatrimonial, perjúrio e consumo de álcool sem licença, arriscando 16 meses de prisão.
A história acaba bem, com a mesma a voltar ao seu país natal.

Mas pode ser um pouco mais macabra, pois leva, sem ninguém saber, um recordação em crescimento dentro de si. O casal permanecerá junto ou separa-se? Ela, afinal, sentiu atracção pelo violador, ou fou um acto consentido?

Outro lado da questão, que por ser anedótica é própria dos países islamicos: Uma mulher casada que seja violada será sempre condenada por sexo extramatrimonial! É absurdamente estúpido!

Apreciar o momento

Ás vezes era bom conseguir sentir essa impressão. O dito seize the day! Mas por mais esforço, é verdadeiramente complicado.

Ontem. Depois de una momanetos revigorantes na praia, quando nos preparavamos para voltar a casa, o carro resolveu fazer-se notar e zás. Parou e não avançou mais. Assistência em viagem! Mulher e filhas enfiadas num taxi, a expensas da companhia de seguro ( senti-me reconfortado pelos anos a fio de seguro que paguei!) e eu, como homem da casa, acompanhei a viatura avariada na cabine do reboque. De Cascais a Lisboa à estonteante velocidade máxima de 85 quilometros por hora! Tempo para uma conversa simpática copm o condutor. Separado, com um filho de 9 anos, natural de Coimbra, mas agora, e por causa do filho vive em Carcavelos. Conhece São Facundo e o maravilhoso bolo de Ançã. Também falamos sobre política, e claro também danado com Cavaco Silva e restante troupe. Não poupou ninguém. Já ganhou mais, mas agora dá-se por satisfeito de ter trabalho!

E agora, hoje ninguém me consegue dizer nada sobre a avaria do carro. Só amanhã. Excesso de trabalho!

Vou aproveitar o dia, então. A pé e devagar!

domingo, 21 de julho de 2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

Para a Lidia

Olho os teus cabelos
E sinto as tranças,
Fitadas de branco,
E uma imaculada intenção.

Nesse olhar entregue
Renova-se a mesma vontade
De ser sempre mulher,
Aqui, agora e sempre.

Em cada momento a mesma,
Que era como será.
A mulher que me é,
E para quem sou homem.

E colori

Tudo fica

E passa mais um.
Uma roda que volta
E cai mais outro um,
Que se soma aos outros.

Repetimos o primeiro,
O segundo e o último,
Como pedaços daquele que virá,
E será o próximo.

E nessa marca de tempo,
Rastro de terra lavrada,
Há momentos que ficam,
Razões da vida arada.

Foram muitos agoras,
Sentires de todo o sentido,
Aproximação, união e fusão.
Sempre a par e passo.

E das árvores que crescem
Pelo percurso caminhado
São marcos da passagem
Nesse tempo plantado.

À deriva

Amarras soltas.
Se acaso as havia.
E um mar solto
Sem terra em redor

Só mar e ar.
Sangue da minha alma
E tom do meu suspiro.
Razões de aqui estar.

E por mais um sol,
Outro pedaço de caminho,
Um mar que foi feito,
Sem rota nem destino.

E no tempo de parar,
Da alma que fica a meditar,
Vive-se no balanço
Deste mar que é a vida.

Ouvindo 001

"Estou a chorar gelo em vez de lágrimas." - I am crying ice instead  of tears. Jim Steinman

Que frase tão brutal. Não basta chorar, perder a alma em lágrimas, sentir a desolação, sentir a ausência de amor, de carinho, de afecto... Não basta isso mtudo, como as lágrimas que se choram são de gelo, de um coração que de tão ferido ficou frio, gelado.

Pergunta para perturbar: O gelo não acontece sem mais, é necessário que um mar arrefeça. E tanto ao ponto de gelar. Pode haver amor assim? Num mar de gelo?

Mas a frase continua cheia de força.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Aniversário

Esta casa está prestes a celebrar um ano de vida.
Curiosamente os último dias têm sido imensamente intensos e pouco espaço têm deixado à mimha alma de se fazer ao teclado.

Um ano é como um ciclo que se fecha ao mesmo tempo que abre outro, semelhante, mas diferente. Conta com o seu passado, com as suas experiências e com o seu saber.

Satisfeito desta caminhada.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Pausa

E caiu-me um tremendo peso!
Sobre os olhos!
Uma força titanica empurra
Invencivelmente as pálpebras para baixo.

Sobe aos olhos um confortante calor,
Cuja origem é o interior do olho,
O centro das cores e das formas.
E até do horizonte.

Já não é um pedido,
Mas uma ordem irrecusável de encostar a cabeça,
Onde quer que ela se sustenha, depois ir...
Deixar-se ir simplesmente.

E o que se entende como destino
É o grande lago da paz.
Onde dançam todos os ventos do coração da terra
E instam a todas as almas

Que deixem que o vazio se instale
E permaneçam-se em estado contemplativo.
Depois, no pôr do sol de aparente eternidade,
Ficar até se voltar a inquietar.

Para colorir!





Depois de la premiere

Não sei o que se passou no mundo. E mesmo na minha alma nem sei o que aconteceu.
Resume-se em doses colossais de afecto, de boa vontade, de belas palavras, de gestos simpáticos e de muita harmonia.

A apresentação do livro correu muito melhor que as mais ousadas expectativas. Tive a oportunidade de ouvir dois homens cheios de saber a fazerem uma avaliação muito organizada e sintetizada daquilo que estava escrito, ou seja da minha poesia, que, em última análise é o meu pensamento.

Estou cheio de graça.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Recordação viva

A recordação de um momento.
Um beijo que ficou por dar,
E outro que ainda persiste.
Enrolados no tempo e na alma.

Pontas de passados,
Outros que se recordam
Como flores que floriram,
E nunca se apagaram.

Nem era esse o seu destino,
Coisas que com um princípio,
Mas sem fim no tempo,
Apenas serem o sempre.

Se tenho assim momentos,
Posso eu ser também
Um momento eterno nos outros?
A capacidade da criação é infinita.

O que as minhas mãos

O que as minhas mãos
Conheceram de olhos fechados,
Foi o berço da vida,
De vários futuros.

E nada me pertence,
Sou apenas um elo,
Na cadeia eterna da criação,
Onde, também aconteço.

Parte de um futuro,
Semente de outros,
Presente resiliente
Desta cadeia infinda.

Uma expectativa é uma ambição

Uma expectativa é uma ambição

Um desejo aumentado,
De uma fortuna atingir
E passa-se dentro da alma,
Uma vontade para cumprir.

É um fluxo excitado,
De mil ilusões
Sobre uma segura certeza,
A alma vive-se em projecção.

E não basta o impulso,
A prévia criação
Desse fogo vulcânico,
Que se faz expressão.

É com o nado criado
Que se deseja um futuro ampliado.
E nessa expectativa
Tudo se faz ampliado.

E é agora uma quimera,
Que junto ao invento,
De se querer assim tudo
Como se não houvesse tempo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ser uma entidade

A ideia de entidade surgiu-me hoje com a seguinte interpretação: Trata-se de um ente que tem algo seu, que lhe dá a originalidade, se assim lhe podemos chamar. É um pouco uma ontologia de um ente que passa de coisa a ente, adquirindo por isso, o algo que lhe dá a enti-dade.

Quando publico um livro, ele deixa de ser aquilo que era até então, cresce para lá da minha unidade. Larga o seu autor e passa a ter um dinamismo próprio que lhe dará a sua vida, a sua "-dade".
Os meus primeiros leitores são quem comigo convive e, por isso mesmo partilha o meu mundo, seja de um modo emocional, seja afectivo, seja intelectual ou, até, uma mistura de tudo isso e mais a própria pessoa que o lê. Mas está ainda num mundo restrito, onde o autor é a cheve descodificadora preponderante.
E quando se liberta e fica numa estante de uma qualquer livraria ou biblioteca, aí a escrita ganha uma autonomia que se liberta do autor. Passa a ser uma coisa em si. Transmite-se pelo que é. Mais tarde, e em modo reflexivo, ganhará uma  moral.

Conclusão: Escrever é gerar entidades.

De dizer-se

Nunca se diz tudo.
Há a margem que fica.
Do topo do céu,
Ao fundo dos mares.

E porque dizer é dizer-se,
Haverá alguém que se saiba todo? Completamente?,
E assim encarcerado.

E haverá palavras para isso?
Para esse todo tudo?
Como um saco
Que esvazia o mundo?

Antes das certezas,
Vou-me assim dizendo,
Aos poucos.
Em paz e com afecto.

Renascer

Atirei-me à vida
Com ganas de a agarrar.
Peito aberto e inchado,
Voz pronta a proclamar.

Pleno de certezas,
As dop fundo do Amor
E do caminho a trilhar
De uma verdade conquistar.

Límpido e translúcido,
Um futuro para mimar.
Da alma que se abre
Outra vez para se recriar.

O nascimento que renasce,
De uma vontade criada,
Afinada no Amor,
Que tudo dispõe.

E não importa
Se é segundo ou décimo.
Nascer é projecto
Que a vida faz acto.

Vamos, então!
Não que se faça tarde,
Mas é, então, tempo,
De a alma ser-se.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Da criatura criada

Se ler bem o tempo,
Aquilo que fica,
O lastro das vidas,
E até do sentir,

Poderei um dia,
Até quase entender
O mundo e os seus porquês,
E já sem me surpreender.

E será sem novidade
Que poderei interiorizar,
Que nesta coisa de viver,
Não existe o acaso.

Não que exista destino traçado,
Regra que se sobreponha,
Mas, e apenas
Criaturas e Criador.

E a criatura é-o
Numa circunstância alheia
Que mais que se entenda
Será sempre criada.

Tropeçar

Vou directo ao assunto. Afirmar uma pergunta é fugir da pergunta?

Dia e noite

E voltaram a encontrar-se
O dia e a noite.
Uma aurora para uns,
Um ocaso para outros.

E o encontro?
Momento de reunião...
Teve para uns
As cores do seu sentir.

De tantas matizes,
E mais outros sentires
Se fazem os homens
Quando amam.

De azul escuro

Ele tinha tatuagens no corpo.
Ela tinha varizes nas pernas.
Em ambos, a sombra azul escura desenhada nos corpos.
A ele dava-lhe orgulho e satisfação.
A ela tristeza e desolação.

Antes a cor da vida que a vida dessa cor.

Que descuidado

Hoje descobri, assim como quem bate com o dedo mindinho numa perna de uma mesa, que as relações humanas devem ter um propósito! Agarrado à alma, como se fora o dedo mindinho, senti uma dor aguda que me ferveu o cérebro. Homessa! Então queres ver que só posso ser amigo de alguém se dele esperar algo em troca? Mas isso não é amizade, é outra coisa que um ditado português diz na perfeição:

"Quem dá o que entende, não dá, vende."

Assim, hoje foi um dia miserável na praça da minha alma. Não tinha troco para pagar o que me era dado por venda. Fiquei-me mais pobre. E, sobretudo, desolado. Há almas que precisam urgentemente de AMOR. De afecto. De carinho. De vida.

E ainda me dói o dedo mindinho da alma

Amar fora do tempo

Amei fora do tempo
Amei tudo
E amei completamente.
E ainda hoje retorno
A esse tempo.
Sendo que foi fora dele
Que te amei imensamente.
E tudo é saudade
Não já de ti, meu amor,
Nem sequer do teu corpo,
Mas de Deus em ti.

Sinal dos tempos

Conheci mulheres belíssimas e formosíssimas. Depois o devir aconteceu e com ele o tempo. E se este não é estático, também nós, humanos, recebemos e exibimos o seu efeito.
Hoje essas mulheres deixaram de ser belas e formosas. São um pedaço de plástico que entristece o olhar.

A juventude é um estado de espírito, não uma imagem. Tenho tantas pessoas amigas, avós que exibem uma beleza e encanto genuíno que me entristece ver os sacos de plástico.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Desenhos




Desenhos



Ficar desconcertado

De se ficar desconcertado nasce a surpresa de não conforme à realidade. E aí, nesse momento, abre-se todo um campo de potencialçidades na novidade. E na novidade reside toda a essência de Deus, todo o encanto da evolução do pensamento. A todo o lado há sempre mais. Deus é infinito.

Estar receptivo é a resposta.

Na rua

E à espera do autocarro.
Não vou desenhar nem pessoas nem árvores!
Carros!
O quê? Carros? Que raio de ideia é essa?
Elevem-se as necessidades!
Podemos descer aos infernos, mas carros, nunca! Não têm alma.
São só motor.

De Deus ao Diabo num ápice.

Os seus olhos eram castanhos claros com um resto de verde que deixou na infância. E esse castanho combinava em pleno com o tom avermelhado dos seus cabelos que caiam sobre uns ombros já dourados pelo sol.
A saia, devidamente subida, deixava, para quem quizesse ver, umas pernas com uma pele bem tratada e cuidada. Tão lisa e aparentemente suave que qualquer mão que lhe tocasse, por lá permaneceria a saborear todos os recantos demoradamente.
Trazia um vestido preso à volta do pescoço que deixavam todo o colo a descoberto. A cor exuberante ganhava mais intensidade que de modo gradual se ia intensificando do pescoço ao peito. E este tom de praia, de corpos em lazer ao sol, pedia a companhia daquele outro tom de cabelo formando uma graduação de cores de calor.
Propositadamente este vestido oferecia uma ampla abertura, um generoso rasgão entre as duas peças de arte centradas no meio do tronco. E nessa fenda gulosa, os meus olhos, já absolutamente diabéticos perante tamanha doçura, possuídos por uma imensa pressão magnética, lutavam sem nenhuma vontade para dela se apartar.
Logo pela manhãser confrontado com tal dádiva da criação é um sinal ínequívoquo que os deuses nos acompanham.
Enquanto assim me entretenho sou levado, por cortesia e cavalheirismo, a levantar o olhar. Procuro, então, os olhos castanhos que todos os dias comtempla em pleno o que só veladamente consigo disfrutar.
Um olhar de desprezo acompanhado pelo canto do lábio superior arrepanhado para cima num claro e evidente sinal de desvalorização da minha autoestima que liminarmente inibir qualquer intenção minha. Tenha eu toda a virilidade do mundo, seja eu o único homem numa ilha paradisíaca!
Fico desolado.
Petrificado!
Como é que é possível ser eu brindado com esta apreciação quando nada havia feito. Nenhuma acção mais que um espasmo de prazer na líbido. Quando da luz que ilumina os corpos, os meus centraram a sua impressão estética e visual naquele jorro de sensualidade!
É injusto.
Dota o Criador algumas almas de particulas da Sua inconfundível perfeição, arte mesmo, e nem a mera degustação visual é permitida sem que toda uma súmula moral nos caía em frente, acusando-nos de todos os desejos concupiscentes!
Vencido!
E noto uns sulcos que nos lábios finos e sem cor, antevisão evidente de umas rugas futuras. E não param quietos com o frenesim dos maxilares que mascam intensamente uma pastilha elástica. E na cara uma protuberância assaz duvidosa. Grande e saliente, uma mancha escura. E que cabelo! Seco que nem palha de aço.
Caramba!, Eis mais uma vez o Diabo a tentar-me! Não! Que luta inglória!
Valha-me a fenda! Pecar por pecar, antes que seja por prazer e não por raiva!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Esperar

Chegou perto. Aproximou-se lentamente. Olhou em redor e entrou.
Sem olhar directamente para ninguém dirigiu-se à mesa mais escondida e sentou-se. Fixou o seu olhar na entrada e assim pernameceu.
Um café e um copo de água se faz favor.
Quando o dito chega a mesa foge-lhe um grande e longo suspiro. Não queria beber café. Queria apenas esperar. Dar todo o seu tempo ao tempo de espera.
Alguém entraria no café. De preferência alguém que lhe dissesse alguma coisa, que lhe estimulasse a sua empatia.
Esperava por qualquer pessoa. Sáo não conseguia esperar por si.