sexta-feira, 28 de junho de 2013

O mundo das surpresas

Num momento pesado onde se oferece ser cicunspecto e reservado. Falar apenas em voz baixa, ser contido nos gestos e nas palavras. Os passos são lentos e vagarosos. Arrastados até. Sempre em silêncio.
Ele, ao cumprimentá-la, deixa escapar nesse sítio e espaço e durante esses tempos, um afago. Como que uma festa que se faz com o deslizar suave e sentido de um polegar sobre a cara.
Desprevenida fica perplexa e sem resposta.
Como é magnífico o mundo das surpresas. Sobretudo se com afecto.

Já ia....

quarta-feira, 26 de junho de 2013

E o vento passa

E o vento passa
Não como frio que arrepia
Mas como um calor
Como uma mão que afaga.

Estendido na cama
Este quento vento que chega
Assim me massaja a alma
Como mil divindades.

Celebra o Verão,
O calor e a distenção,
De se estar com a paz
Que este vento assim trás.

Amar com ódio

Amou com ódio...
E ficou sem perceber
Se aquele que amava
Era o mesmo que odiava.

Fugia, assim do amor
Como se fosse a sua dor.
O hoje era logo passado
Vivido sem ser saboreado.

Restava-se consigo
E assim justificada.
O outro que havia perdido
Na sua alma petrificava.

Lendo 025

Maria Seabra e Até um dia, Papiro Editora, 2006.

O retrato de uma pessoa que ama com raiva de quem ama. Há alguns assim. Nunca estão satisfeitos, a felicidade não é um fim em si, mas algo para ser posto sistematicamente em causa até se provar que era um erro. A certeza das relações está no oposto da própria certeza. Nada nunca está bem, estável, eficaz ou com a ternura própria de um enlace amoroso. Há sempre um fagulha, um espinho, um nada que se agiganta e desfaz o presente aniquilando qualquer futuro. E a razão disso é sempre externa.

Gostei de ler esta impressão. E ainda bem que estou nos antipodas! Prefiro o amor com ternura, com carinho, com reunião e com integração. Aliás, no amor deve prevalecer uma ideia de fusão, de ambição de unidade dual.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Lendo 024

"As pessoas crescidas têm sempre intenções nos seus gestos". Maria Seabra in Até um dia.

Nunca fui grande apreciador da utilização de expressões como sempre, todos, nunca, etc, ou seja da utilizações de frases que encerram de certo modo o tema em si mesmas pelo uso desse tipo de expressões. Há, contudo, evidentes excepções. Parece-me ser um dos casos.

Apesar da autora, na seu texto, utilizar a intenção como oposição à espontaniedade, eu faria a mesma observação mas com outra vertente. Os não crescidos são, também, desconhecedores de todas as razões e intenções dos seus actos. A sua espontaniedade é focada sobretudo na ausência de conhecimento. Os adultos, porque o são, pois que o que caracteriza a idade adulta é a capacidade de previsão, pelo que antecipadamente podem ter uma ideia da consequência dos seus actos, são capazes de possuir intenção, porque são conhecedores da vontade que estimula os seus actos.  Em resumo os adultos são capazes de possuir intenção, porque pensam a priori.

Todas as generalizações são passíveis de erro. Verdade. Mas a ideia que da intenção do acto é evidentemente muito curiosa.

Lendo 023

"Os sentimentos dos outros não se têm por castração, mas por sedução..." Maria Seabra in Até um dia.

Apesar de ser mais que óbvia, esta dedução, há a diversidade do ser humano que é sempre um motivo de interesse. O amor, o compromisso, a vontade ou a relação entre duas pessoas deveia ser fundado em sentimentos positivos, mas o certo é que há sempre quem ouse surpreender. E quem aprecie essas surpresas.
A alma humana é assaz bizarra.

Insã inssitência

Insã insistência esta
De ser de outro modo.
Manifestação de um desejo
De querer-me mais.

Mais do que me sou,
E mais do que me penso.
Ser-me tal como o que quero,
Ser-me à semelhança de Deus.

E fico-me assim,
Preso nesta realidade,
De ser vontade adiada
Do tudo sonhado.

E por mais que estremeça,
Que me sacuda,
Ou até me pergunte,
A ilusão é resistente,

Faz de mim outro.
Que não quer ser,
Muito menos permanecer
Ou tornar a ser.

Efeito multiplicador

Sei-me numa dúzia de casas,
Numa estante ou mesa,
Colocado até a um canto.
E ainda que mudo nesses lugares
Não páro de me falar.
Haja olhos ouvintes
E lábios que entendam.
Tudo o mais é poesia.

O efeito de espelho

Estou a ler um livro que me foi oferecido pelo marido da autora que, no entanto, desconheço.

Não consigo deixar de pensar no facto de estar a tentar conhecer quem escreveu o livro, conhecendo o seu marido, e, de certo modo, o seu "meio ambiente".

Há, indubitavelmente várias leituras que se podem fazer de qualquer coisa. No caso presente, há a da narrativa, a da pessoa que escreve, e ainda a relação destas duas com o meu mundo.

Ao mesmo tempo estas relações cruzadas e, de certo modo entrelaçadas, também se podem fazer daquilo que escrevi. Impõe-se por isso a pergunta que está presente no meu presente: "Quem me lê, lê-me também?"

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A normalidade desapareceu

O tempo passou a ter pressa. Tudo se passa a correr. É preciso ser tudo agora e num instante. Não há tempo para fruir o que acontece.

Até nas marés! Ontem, na praia estava maré cheia. Onde havia mais de 50 metros de areia, nem 5 agora sobravam! O mar, por sua vez, rebentava algures no fundo de um imenso plano inclinado de espuma e areia molhada. Na maré baixa, o mar recuou de tal modo que para se chegar à rebentação havia que apanhar o autocarro.

É o resultado do aquecimento global, ou apenas a aproximação da Lua?

Seja a razão for, olhar para o mar é sempre maravilhoso!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Um livro

Sou um homem completo?
Procriei três inocentes,
Devolvi várias àrvores
E publico um livro.

Um paralelipípedo rectângulo
Com quase cem folhas
Cheias de pedaços de mim
E de coisas que também sim.

É um caminho que se abre?
Uma porta ou janela?
Ou um mero capricho?
Um presente que não se repete.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Já é público


O meu livro que estará à disposição dos mais curiosos a partir de amanhã na Livraria Leya Barata na Avenida de Roma.

Já está


Revendo-se?


A apresentação


E o objecto.

Soberba

Estou cheio de soberba.
O meu livro chegou a casa.
Agora sou, também, autor!
Que mais Deus me dará?

A notícia

Recebo uma mensagem no telefone com o seguinte conteúdo:

"Chegaram os teus livros"

Não sei o que dizer... emoções cruzadas, diversas... Quando chegar a casa e tiver um na mão talvez me perceba. Até lá é indicutível que a felicidade me toca e me acompanha. O meu corpo está mais quente e não estou com febre. É a auto-estima.

Obrigado a todos os que me insitiram que fizesse o livro.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Pausa

Fazer uma pausa.
Descançar o corpo
E apagar a alma.
Coisa de um sono só.

Tempo não vivido
Devido ao esforço
Doutro tempo
Que foi sobrevivido.

domingo, 16 de junho de 2013

E a alma que de mim sai

E a alma que de mim sai
Segue por outros domínios
Que não sendo já meus
São-nos do meu raciocínio

À força de tanto escrever
Seco-a de caminhos
Repasso passos já feitos
E neles me fico repetido.

Mas mesmo assim
Quando nada nunca é igual
É sempre mais um bocadinho
Que me sai sem sal.

Debaixo do alpendre da minha alma

Debaixo do alpendre da minha alma
Deixo correr a pena e a consciência
Cada uma segue seu caminho
E em ambas lá me vou mais um bocadinho.

Assino e deixo o nome

Assino e deixo o nome
Debaixo de frases escritas
Sem métrica nem rima.
E digo que sou eu
Que assim se explica.
E há quem acredite
Que a coisa assim é.
nem eu sei bem
O que é isto de escrever.

É da humana natureza

É da humana natureza
Ser assim de um modo
E de outro querer parecer
Como se fora uma moda

E à espera que passe
Este modo de assim ser
Resguardo-me de mim
Não vá ter que me refazer

Que isto de se ser
Não é nada de uma só vez
É todo um longo caminho
Que a alma ainda não fez

E para lá se chegar
Tem de um dia morrer
E nesse momento
Já não é ela a entender.

Gostei desta


A criação humana


Perante a Criação Divina, reinterpretando-a

E a noite cai

E a noite cai
A penumbra instala-se
Sobre o mundo que alcanço
Mas $não sobre esta alma.
É o tempo que fala
O espaço que se manifesta
As aves que gralham
E eu que observo.
A natureza a respirar
E eu nela.

O anoitecer tem tanta cor

O anoitecer tem tanta cor
Assim como a Saudade e o Amor
E esta que ora avança
Até tem a luz da Esperança.

E tudo é de dentro
Reflexos deste sentir
Que nesta luz se vê
O mundo que Deus fez.

E tudo o mais é alma
Que se diz nos tons
De uma luz que se extingue
Na paleta do pintor celeste

Quando abre o Verão

Quando abre o Verão
O dia cessa de crescer
Até a lua aquece
E o tempo não pára de correr.

Nada fixa este tempo
Que se faz de descanso
Um tempo vagaroso
Que quer é ripanço.

Mas o tempo não pára
Logo volta ao mesmo
De se ser circular
O dia igual à noite

E a noite maior que o dia
O Inverno instalado
E sem perceber
Envelhecemos mais um ano.

Quando sou eu?

Quando sou eu?
Sou-o de facto,
Ou sou a mais?
E logo comigo!
Eu, Que nem queria aí estar!
Ainda por cima ficar.
Vir até para ser!

Se nada é nada
O que vale é o que é.
O amanhã é igual a hoje
Com mais 24 horas?

Óh tédio de mim
Sempre nesta demanda
Do tempo que começa
E sei lá de acaba.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

As férias e o descanço

Dizem que uma coisa combina com a outra, mas, e até ver, desde que cheguei à minha "casa de férias" tem sido um inferno de trabalho!

Talvez seja outro tipo de conceito. Também o que é descançar?

Há um tempo que passa

Há um tempo que passa
Que foi presente
Importante
Imponente

Agora há um passado
Ausente
Distante
Desconcertante

E haverá um futuro
Diferente
Mirabolante
Surpreendente.

E em todos
Eu sou o mesmo!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Queria dar-vos novas

Queria dar-vos novas
Da minha vida
E isso de sentir,
Mas não paro de gargalhar,
Sobretudo de mim
Encerrado neste corpo
Mascarado de mim
E cheio de manhas....

Nada é o que se diz
Todos o fazem para terceiros
Uma ilusão da alma
Que assim se ilude
Mais de si
Do que de terceiros
Esses nem relevam
Para o que sinto.

Que banalidade
Esta de escrever poesia.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

Nem sobreviveram sem cor!




E por fim



E mais um pouco



E mais cor




Dando cor



O tempo

As novas ferramentas digitais vão dando azo a umas reflexões curiosas. A última que me ocorre é a seguinte.
Estamos metidos nesta façanha da internet há 15 anos, grosso modo. Uns com mais alarido, outros com menos. Mas, e para sermos mais honestos, esta tem conquistado membros desde os últimos 10 anos e democratizou-se por completo há uns 5, sobretudo através das redes sociais. Hoje somos empurrados para dentro da net a toda a hora. Os que gostavam de por aqui surfar deixaram de ser umas pessoas esquisitas e todos somos uns internautas.
Assim vamos dando por adquirido uma série de coisas, nomeadamente as nossas fotografias em aplicações com o pomposo nome de foto de perfil. Colocamos a foto quando aderimos ao site/serviço e depois esta sobrevive a eternidade do tempo na net.
Mas o tempo continua a passar e, coisa normal, o cabelo ressente-se disso, a pele também, e até os nossos olhos! Mas como no nosso eu cá dentro continuamos os mesmos, lá fica a foto de perfil já com uns anos...

Razão pela qual a minha foto agora é um boneco!

domingo, 9 de junho de 2013

Lendo 022

"É habitual insistir-se na nossa infinita capacidade de adaptação seja onde for. Pergunto-me se não se trata antes do contrário. Se não devíamos falar até da impossibilidade de deixarmos de ser quem somos, tal a densidade interior que acumulámos." D. Manuel Clemente in Portugal e os Portugueses.

O tema da portugalidade, do sentir português e da dimensão da alma lusa, sempre me foi tão caro, como presente e permanente na minha vida. Com as alterações de intensidade de acordo com os momentos, mas sempre presente. Lembro-me das aulas, na Faculdade, com precisamente D. Manuel Clemente ter abordado este tema.

Voltando à frase que apresenta uma impossibilidade de simbiose, justifica-a no facto de esta já ser tão densa que não admite que se mescle. Apenas, eventualmente, que se deixe clonar nos outros. Seja isso parcial ou totalmente.
É enorme a hipótese da ideia. Somos, de facto, assim?

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mais um exercício


Mais um exercício

Exposição de arte contemporânea


"A verdade oblíqua"


"A verdade desfocada"


"O canto da verdade"


"A verdade interrompida"

Lendo 021

"Eu vinha para a vida e deram-me dias" Ruy Belo in Homem de Palavra[s]

Há frase que são elas mesmas um poema. Bastam-se a si próprias para terem todo o espaço e densidade do mundo que lá se possa viver. Esta é obviamente uma dessas frases. O seguimento que o poeta deu a esta excelente abertura é, naturalmente diferente do que sinto, de como sinto e do que são as minhas ânsias. Logo o que deixou escrito foi algo que não é o caminho que seguirira.
Para mim a frase transporta-me para os desejos de eternidade próprios do homem que refuta o tempo, nomeadamente o seu tempo no mundo. Leva-me também para a dimensão das minhas ideias, do meu mundo, impossíveis de abarcar só no que penso, pois que algumas são tão grandes que na fração de mundo que sou nem uma singela representação cabe.
Ruy Belo escreveu este poema na década de 60, onde para além de deduções eloquentes, de pensamentos maravilhosos também se ousava na dimensão da escrita, rasgando-se a métrica, as concordâncias, a pontuação e acima de tudo se ousava para o efeito.

Era uma vez

Uma pessoa no autocarro.

À espera da carreira


Desta vez o boneco foi feito com outra tecnica. O sinal do parque foi desenhado já no autocarro pelo que não me apercebi do evidente erro de perspectiva. Mas para evitar mais criticas, vou dizer que estava torto! (aldrabão!)

Para o Zé Menezes


Para completar a ideia de ser um diário gráfico, posso dizer que também estava com sono. Que a viagem do autocarro já apetecia também encostar a cabeça ao vidro?

(Fiquei tão invejoso dos teus bonecos! Vou ter que comprar uma caneta/lápis/pincel para aguarelar também!)

Um abraço amigo!

O meu liceu


O meu bairro, apesar de ter sido feito como se fosse o Portugal do pequeninos é enorme. Cabe lá o maior Liceu do mundo!

A minha alegre casinha


A porta secreta que apenas existe na realidade. De resto é omissa em qualquer outro registo. Seja nas finanças, sena na Câmara, seja na conservatória do registo predial. Uma espiã que sobre o disfarce de um 4A passa alheia à realidade. A janela que acompanha a porta é uma mera janela de respiração, bem como entrada de ar e luz que com a porta fazem parte da mesma realidade. Nas entidades públicas são meramente cenário.

O bizarro também é o nosso dia a dia.


Uma porta à disposição dos amigos.
Rua Vilhena Barbosa, nº 4.

Bairro do arco do cego


Deu-me na cabeça desenhar as casas mais características, e que ainda se mantêm no meu bairrinho.
FIcou alongada a pobre da casa e ainda mais pequena.
Mais é a penas a primeira.
Rua Vilhena Barbosa, nº3.

Vou até ali


Uma capela na ponta da ilha do Baleal.

Confusão

Em Junho
Refresca o tempo
Quase no Verão
E até chove

A semente que foi regada
Quer sol para crescer
Deus dá-lhe água
Em vez de humidade.

Como pode a alma humana
Entender-se na criação
Se não descortina
Qual é esta estação?

Mas que confusão!

Lendo 020

"País homem poema", Ruy Belo in Homem de Palavra[s], poema Portugal Sacro-Profano

A escrita é o que cada um quer fazer dela. É um acto absolutamente livre de cada um. Nada a reclamar. É, também, como aqui já o disse, por vezes, um exercício de virtuosismos e de forma.
A frase referida tem três nomes, três substantivos, três sujeitos, três elementos que sendo cada um um mundo, os três juntos são um não mais acabar de possibilidades, poderia até dizer um mar de possibilidade de modo a crescentar ainda a ideia de mar a um já imenso universo. Mas também não é nada. Apenas uma intenção. Infelizmente.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sou um sopro

Sou um sopro
Um ar com intenção
Nascido de mil ideias
E de um único coração

Sou vento orientado
Por outra rosa dos ventos
Que roda por dentro
E se busca em todo momento

E sendo assim vento
Ar que passa e não se vê
Deixo atrás de mim
Um caminho que se lê.

Quanto vale uma decisão

Depois da minha aventura pela política, havia abdicado, por completo de mais actividade que a de comentador de sofá, bloguer e pouco mais. Há dois anos ainda pensei em me envolver na disputa de Lisboa, mas depois, conhecedor do que são os partidos e do lixo que aquilo é por dentro, desisti de me empenhar.

Acredito que estas matérias, a intervenção pública e política deve ser feita por empenho, vontade e desejo de soluções e não como caminhos para se chegar a qualquer lado.

Um partido deve funcionar um pouco como uma empresa privada. Tem os seus produtos para vender, que é a sua base ideológica e o modo de olhar para o todo e para os individuos e depois, perante os problemas que se apresentem, aplicar a solução baseada nos seus produtos. Por outro lado deve premiar os melhores vendedores, sendo que deve também estimular os que se dedicam ao marketing, à organização, etc, etc, etc. E tem que haver um normativo moral, evidentemente filho dos produtos que vende.

Não encontro isso em partido nenhum.

Fui, no entanto, convidado por uma pessoa que muito estimo e admiro pela sua rectidão, noção de serviço e capacidade de se empenhar nos assuntos, para integrar a sua equipa.

E eis-me de volta a algo que havia decidido não voltar. De quanto vale uma decisão?
Deixo de vender os produtos de um partido, e passo a vender os do Francisco. Sempre é mais honesto.

Lendo 019

Li esta frase "E cada um em volta a medo perguntava" em Ruy Belo, in Homem de Palavra[s], O maná do deserto.

Mas na minha cabeça a frase que li foi "E cada um em volta do medo perguntava." E achei uma frase muito bem apanhada. Em volta do medo, da apreensão, é o momento de excelência para se arriscar a perguntar. Não permitir que o medo feche portas, mas que seja um processo de abertura.
Depois reli novamente a frase, cheio de satisfação pelo espanto e ousadia da proposta e fiquei tão desapontado! Afinal era uma frase absolutamente banal.
E eu com tanta vontade de me surpreender e entusiasmar!

Fica, então a pergunta, à volta do medo, o que é que perguntamos?

terça-feira, 4 de junho de 2013

Lendo 018

"Cada livro meu, quer-me a mim parecer, é um livro diferente do anterior. Em Homem de Palavra[s], parece-me ter escrito poemas, introduzido processos, buscado formas que nunca escrevera, introduzira ou buscara até então." Ruy Belo introdução à segunda edição de Homem de Palavras[s], 1978.

O que retenho desta frase é, não a ideia de que um livro é algo tão novo "que nunca se buscara até então", pois que, e tal como tudo que se apresente com uma proposta tão final fica sujeita a erro, mas outra coisa que é a seguinte: Muitas vezes a poesia, pelo menos no que escrevo, é uma certa insistência de provocar um determinado pensamento, proposição, raciocínio ou reflexão sobre algo que após isso se queda feito. A escrita desenvolve e regista o nosso processo de pensar e de ir de encontro ao que buscamos que uma vez atingido se fecha como assunto. Pelo menos até voltar a ter sentido que se reabra.

Assinar

Será a assinatura uma forma de mostrar a nossa pegada no mundo? Ou mesmo a ambição de eternidade? Um meio de furar este parâmetro do tempo onde estamos?

Ou trata-se de um aspecto formal de registo de propriedade?

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Questão

Porque é que não assino os meus desenhos? Ou os poemas...

Conheço pessoas verdadeiramente obsessivas com a questão do direito de autor e que a cada risco que fazem colocam logo o seu gatafunho. E esse gatafunho não resulta da sua forma mais tranquila e/ou rápida de se dizer, mas é o resultado de um aturado estudo estético e formal do seu carimbo.

A questão tem sentido. Todas as coisas são de alguém, foram feitas por alguém, resultaram de uma dedicação, de um tempo ou de um estado de alma. Não são alheias a quem as fez, pelo que devem carregar o nome do seu dono.

Regra a tomar nota. Passar a assinar e datar as minhas chachadas.
Duvido da utilidade, mas é capaz de ter sentido. Afinal fui eu que as fiz e escrevi. Para o bem e para o mal.

Caiu uma dúvida

Caiu uma dúvida
Que não surpreende
Que assim caia
E quem a entende?

A dúvida que escolhe
De um ou outro lado
Um caminho que se abre
O trilho de um fado

E sabe-se os lados
O peso da decisão
A vontade de se ser
E outra também não

E nunca passa completamente
É um porta aberta
Que deixa sempre a dúvida
Foi a solução certa?

Eu tenho uma estrela

Eu tenho uma estrela
É um sol imenso
Luz que tudo ofusca
Que me ilumina
E sempre me aquece
Tudo esconde
Ofusca o resto
Todas as pequenas estrelas.
E somente à noite
Se reconhecem.
Ao longe,
Mas sempre.

Segunda feira

Depois de um primeiro dia de praia, ontem. Das 18.00 às 19.30 lagartando pelo areal do Guincho sentindo usual e normal vento, só que, desta vez, morno.
As peles maioritariamente brancas e com os fatos de banho ainda com pouco uso. E os corpos, deslumbrantes nas suas mais variadas formas, estendidos no chão. Eles e elas e até a pequenada.
A água fria, como seria de esperar. Dizia a internet que estariam uns 14º, apesar de os meus pés terem sentido o devido arrepio admito que estivesse nos 17 ou 18. Sim, fria, mas não tanto.

Hoje, depois de receber as honras de tanto sol, vejo-me obrigado a uma decisão de ordem moral. As piores.

Que maçada!