"Quanto tempo estive fora? Difícil calcular, pois os calendários dão poucas indicações sobre as eternidades que separam um eu de outro eu, um dia de outro dia;" Lawrence Durell in Clea
Estas questões da multiplicidade de eus que habitam em nós é um tema ao qual já dediquei até alguns poemas. Há todo um leque de paradigmas que funcionam como chapéus de chuva onde acabamos por abrigar as nossas manias. Assim é debaixo dessa imensa diferença de opções que faz emergir a cada momento um determinado tipo de preferência, de opção ou até de atitude. Há, como é de supor, um fundo comum, uma certa "normalidade" que enquadra todos estas pequenas diferenças que nos identificam. E é nessas diferenças que nos vamos afirmando. Somos seres vivos que sentimos, amamos e vivemos com uma alma que convive a cada tempo e no seu modo.
O resultado dessas diferenças faz o conjunto da nossa capacidade de entender não só a razão de ser das nossas preferências como também das preferências dos outros. Ninguém é uma linha direita, ou uma seta. Somos, dentro de um conjunto, mais ou menos abrangente, um mar de vivências que nos indicam o rumo a seguir.
Em tempos idos, os da juventude, esta história da multiplicidade do eu não tinha esta consciência, nem sequer a profundidade do alcance. Acho que na altura era apenas o tactear de possibilidades e a noção de abismos que se abriam a cada uma. Outros calendários...
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