quarta-feira, 10 de abril de 2013

Lendo 03

"Quanto tempo estive fora? Difícil calcular, pois os calendários dão poucas indicações sobre as eternidades que separam um eu de outro eu, um dia de outro dia;" Lawrence Durell in Clea

Estas questões da multiplicidade de eus que habitam em nós é um tema ao qual já dediquei até alguns poemas. Há todo um leque de paradigmas que funcionam como chapéus de chuva onde acabamos por abrigar as nossas manias. Assim é debaixo dessa imensa diferença de opções que faz emergir a cada momento um determinado tipo de preferência, de opção ou até de atitude. Há, como é de supor, um fundo comum, uma certa "normalidade" que enquadra todos estas pequenas diferenças que nos identificam. E é nessas diferenças que nos vamos afirmando. Somos seres vivos que sentimos, amamos e vivemos com uma alma que convive a cada tempo e no seu modo.
O resultado dessas diferenças faz o conjunto da nossa capacidade de entender não só a razão de ser das nossas preferências como também das preferências dos outros. Ninguém é uma linha direita, ou uma seta. Somos, dentro de um conjunto, mais ou menos abrangente, um mar de vivências que nos indicam o rumo a seguir.

Em tempos idos, os da juventude, esta história da multiplicidade do eu não tinha esta consciência, nem sequer a profundidade do alcance. Acho que na altura era apenas o tactear de possibilidades e a noção de abismos que se abriam a cada uma. Outros calendários...

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