"Actualmente, não se compreende um artista que não seja de certo modo infeliz." Lawrence Durell
Esta frase é curiosa. Foi escrita algures em 1957. Na altura acredito que os artistas, aqueles que se ocupavam desse campo curioso da actividade humana, onde o homem se tende a ultrapassar e dizer de um modo invulgar algumas das perplexidades que se passavam pela sua alma. Por aqui andava o conceito de arte. Foi este o conceito de arte que fui aprendendo e com o qual fui convivendo ao longo da minha vida. Havia, necessariamente, perante uma obra de arte duas coisas, o homem que a executa e "algo" que se deixa, que se ama, que se admira, que fala por si. Faz com que a arte seja, de certo modo evidente. E nesse sentido a expressão de Lawrence Durell refere-se, sobretudo à evidência de um sentir, de uma angustia, de uma emoção que brota com a criação artística.
Hoje esta frase é uma piada. Ser artista é ser promovido por um lobby. Não é necessário haver um processo criativo. Um quadro branco pintado com riscas brancas e pequenas gotas brancas pode ser arte desde que haja um movimento de adeptos. É a falência dos valores e, ao mesmo tempo desta sociedade em que vivemos. Não interessa ser, mas apenas e tão somente parecer.
O que se perde nesta transição é o que perde a humanidade. Sentido.
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