quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Verdade

Quando a verdade me mata
Me corrói a ilusão
Faz de mim realidade
Sem sonho ou ambição.

 Não há outro amanhã
Nada retorna a esse estado
De sonho desenhado
Numa vontade sonhado

E vazio de mim
Sem ar para respirar
E ter que ser outro amanhã
Ou o mesmo, mas sem sonhar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sentada

Estava sentada à mesa. Mesa alta e pequena. Apenas um café. Já não havia cinzeiros. Era proibido fumar. Também nunca fumara. Olhava com o olhar perdido para o telemóvel. Esperava alguma coisa, não sabia o quê, mas esperava. Com a cabeça apoiada numa mão que ia massajando levemente a cabeça.
No inverno havia sempre gente nos cafés. As esplanadas tinham gente, mas menos. Cá dentro era mais ameno. Poderia tirar o casaco e respirar fundo.
Levantou o olhar e percorreu todo o espaço com alguma insegurança e medo. De quê? Porquê?
Agarra na mala e procura qualquer coisa que a distraia. Os óculos não são necessários dentro do café, mas escondem o olhar.... Retira-os da bolsa e rapidamente os coloca sobre os olhos enquanto a caixa produz um sonoro clac.
Não devia ser assim. Não devia sentir esta ansiedade. Um mal de mundo e um sentimento de culpa que a arrastava para coisas que não queria viver ou carregar. E o telefone que insistia num silêncio escuro!
Nunca se dera bem com a espera. Rodava o indicador à volta do telefone com o carinho que gostava de estar a receber.

frases

"Calçar os sapatos do morto". Esta expressão quererá dizer, mais ou menos o seguinte, tomar o lugar daquele que partiu ou o deixou vago. E a propósito vem esta frase?
E se a frase não estiver carregada com o sentido de lhe seguir o papel, de repetir os gestos, de assumir a posição, de ser o que o outro, mas e simplesmente ficar com os sapatos que o morto tinha?


domingo, 27 de janeiro de 2013

Onde anda o meu mar

Onde anda o meu mar
Onde se perde a alma
Na incessante busca
Desse destino de amar.

Esse mar que pára o tempo,
E perdido no meu olhar
Marca o seu destino
Essa fixação de amar

Amar tranquilamente
O sorriso da manhã
Que se fez durante a noite
Quando sonhava o amanhã.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Coisas em inglês

Se eu dissesse que estava com house shoes toda a gente pensaria que seriam uns sapatos diferentes, distintos e da moda. Acontece que house shoes é a tradução de pantufas! Que desilusão!

Piadas de circunstância

Pedi, ao almoço, bacalhau com natas. Acontece, porém, que devido à crise acabei por comer um prato simpático de batatas cozidas em água do bacalhar e mais as respectivas natas.

Como um negro céu

Como um negro céu
Que se desfaz em chuva
Preta como a tinta
Que mancha o papel
E borra a alma que fica
No papel descrita

E preta nas palavras
Cujos sentidos ficam
Espalhados na tinta
Como impressões da alma
Que se disse preta
Como a tinta
Que caía do céu preto.

Tomara eu ter-te aqui...

Tomara eu ter-te aqui...
E no teu colo repousar
O peso do meu respirar.
E deixava-me assim ficar,
Sem que o dia nascesse,
Nem a noite findasse.
E ficar nessa aurora
Que desperta um calor
E desenha nos céus
Mil cores nas nuvens.
Alegres promessas de futuro
Manhãs de amanhãs alegres.
E nesse colo onde repouso
Repousou também o meu futuro
Almas da minha alma
Seres do meu ser.



A idade da inocência

Ouvindo uma música de um filme "L'Hotel de la plage", filme francês de 1978 e a pensar como era bom fantasiar com aquelas histórias. Bons tempos da pré-adolescência.
Hoje os filmes não conseguem ter aquele envolvimento doce e emocional de que vive e convive com os personagens do filme e sente-se acompanhante do drama.

Quem me dera voltar a ver e sentir filmes assim! Agora tenho a mania de ser adulto! Estraga tudo!

Caruncho

Dói-me um joelho. Naturalmente o da perna esquerda, a que tudo faz para dar nas vistas, a tola! EM tempos rompi os ligamentos cruzados. Ficou-se toda num estado de absoluta anarquia. Com tempo, regra e contenção, foi dado como recuperada essa maleita.
Ontem, inesperadamente, fizeram-se finos e voltaram a dar ares de quem se ressente de qualquer contrariedade e estão que quase não se podem ver, os ligamentos do joelho esquerdo. É o drama do costume. Fazem-se das suas razões e quem sente a dor sou eu!

Que raio de corpo este que insiste em ter vida própria!

Meditações poéticas

Chove como quem tempera de sal o mundo. O que, para mim, é um drama, pois tenho tensão alta e o sal faz-me mal. Ou saio do mundo ou abrigo-me desta chuva.

Frases parvas

Se a palavra é uma arma, como é que se recarrega?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mas que frases

"Estar no calçado velho." Referindo-se, obviamente a alguém cuja idade já é considerável.

As variadíssimas coisas que esta frase nos abre à ideia é um tormento de criatividade. O calçado velho é o mais cómodo, o mais feito ao pé, o mais confortável, aquele que nos melhor jeito dá, que já andou comnosco uma vida... Há toda uma aproximação ao conforto do estado de alma na maioridade da vida que é brilhante. Já se sabe, a novidade é reduzida, estamos feitos ao mundo, pouco nos surpreendemos, enfim...

"Conhecia-lhe o leito". Esta frase é dita, por referência a uma mulher que pouco se resguarda. Mais uma vez Camilo consegue de um modo figurado dizer muito mais que as palavras.

A pureza

"Como era feliz, deixou-se ser mulher - chorou;"

O que encerra esta frase de Camilo é fantástico. Obviamente que era uma mulher cuja vida não era fácil, tinha dramas todos os dias, sejam de sua casa, ou de seus filhos, ou de amor. Seja, até, da sua vida! E, num momento único deixou-se sentir mulher e feliz, chorando.
Não se conclua que a mulher, quando feliz é piegas e desata numa choradeira copiosa. É o chorar que promove um brilho que faz os olhos sorrirem.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Dores de cabeça

Uma embalagem de "tira dores de cabeça" que noutros tempos tinha o nome de aspirina, marca comercial da Bayer, hoje compra-se em qualquer sítio, até em farmácias.
Não faço ideia do preço da dita Aspirina da Bayer quando ainda mercavamos em escudos. Esse medicamento era composto por Ácido acetilsalicilico e deve ser tomado com água, pelo efeito do dito ácido. Mais tarde conheci um gémeo chamado A-A-S, que mais não era que as siglas abreviadas do fármaco.
Num tempo posterior passei para o paracetamol, na forma de Ben-u-ron, por ventura desde que fui pai e comecei a ser um parceiro comercial de vulto e anónimo das farmácias. Tudo corria em pleno crescimento, seja nos preços, seja na despesa. Até eu passei a consumir o paracetamol em vez do ácido acetilsalicilico. Com o aparecimento dos genéricos, foi a adesão imediata ao genérico.
Mas, e voltando ao princípio da questão, hoje numa farmácia comprei a embalagem do costume, 20 drageias de 500 mg por 1 euro ( acho que o preço foi feito para arredondar as contas). No outro dia, num supermercado a mesma embalagem tinha o preço marcado de 86 cêntimos! Ou seja 172 escudos.
Duas conclusões me parecem de referência, vou passar a comprar o paracetamol com os produtos de limpeza, afinal limpam as dores de cabeça ( para piada é fraco, mas foi com boa intenção).
Tendo em conta as margens dos negócios: fabricante, distribuidor e colocador do produto no mercado, mais os respectivos impostos, cada embalagem deve ter um preço de custo absolutamente miserável.

E não tem o preço marcado!  

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

E o Inverno

Que agora deu em ser bipolar! Um sol magnífico e poucas nuvens no céu!

O inverno

Hoje está um dia de Inverno. Apetece-me fazer um trocadilho com a palavra inferno, mas o certo é que fui à rua e fiquei cheio de frio! E isso não cola a inferno! Chove, de vez em quando, é certo, mas de rajada. Vento, claro, senão não havia rajadas! E a temperatura baixou!

Imaginar romances.

Acordei com esta frase na cabeça:

"E no seu olhar vago de tanto soporífero, ainda se via a angústia dos futuros que havia sonegado"

Esta frase era a frase terminal de uma história que me espantou o sono das cinco e meia da manhã às seis. A ideia de um romance absolutamente dramático. Um homem de poder, carregado com todos os vícios e todas as artes de transformar o poder de decisão em proveitos pessoais e do grupo que está no poder, tem, de repente um ataque fortíssimo de ansiedade por evidência da nulidade absoluta da sua vida. Tenta várias aproximações terapêuticas, mas acaba sempre por perceber que é a companhia de um poderoso e de um famoso que esses terapeutas querem e não a sua doença, ou cura. Vai-se afastando desse mundo e construindo um mundo de entrega silenciosa de todo o seu poder na maior dispersão possível. A família percebe que apesar dos imensos rendimentos caminha abruptamente para a miséria. Convencem médicos a interná-lo e declará-lo incapaz. Drogado, então, apenas se consegue ver no centro do seu olho direito um mínimo olhar.  "E no seu olhar vago de tanto soporífero, ainda se via a angústia dos futuros que havia sonegado."

Obviamente uma história moral. Digam-me, por favor, quem é que aguenta imaginar romances às 5 e meia da manhã e voltar a adormecer? Vou amargar o dia todo esta história, para além da consequente dor de cabeça que a falta de sono me vai dar.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Meditação

Sugere-me Camilo Castelo Branco a seguinte meditação.

Caminho num areal, um entardecer de verão, sobre o mar um sol que se inclina para a linha do horizonte e mergulha num conjunto de cores quentes. Vermelhos, laranjas e amarelos sobre um azul turquesa forte que só o verão dá. No mar as ondas encarregam-se de repetir ciclicamente o mesmo vai e vem sobre a areia.
Fixo sobre este beleza, pergunto à natureza como é possível num só momento evidenciar tanta harmonia.

"A natureza ouviu-me em silêncio"

Sentir que a natureza ouve, que está em comunicação com o actor que sente a harmonia é um momento de elevação espiritual de poucos. E ouviu em silêncio, ou seja com todo o tempo e toda a disponibilidade para escutar.

O resto do texto é irrelevante.

Youtube

Enquanto passeio os ouvidos pelo youtube, coisa frequente enquanto trabalho, acabo um pouco por escolher sempre os temas que mais vão com o meu estado de alma. Hoje andei a passear pela música clássica para massas. André Rieu.

Um homem com óbvios dotes para a arte musical e que consegue transportar multidões pelos acordes mais fáceis e mais populares. Ao mesmo tempo promove um certo exibicionismo mediático com faustosos guarda roupa e enormes orquestras. O que quer que seja, é uma companhia simpática.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Que vida

Li, ali ao lado, que este blogue já carrega com 88 poemas! Que inferno de gosto este de escrever poesia. Uma mania que me vem desde há tanto tempo que já nem consigo me lembrar de quando me estreei nestas andanças. Sei que estão para lá da minha adolescência. Coisas muito beras, mas já com algumas ideias curiosas. Recordo de ter enviado para um suplemento do Diário de Notícias, que se chamava DN jovem ( esta de apelar aos jovens estava tão na moda à época) e, naturalmente, ter recebido umas palavras de entusiasmo, mas nada mais que isso. A ideia é boa, tenta outra vez. E tinham razão.
Mais tarde, quando acontecia, o caixote de lixo era o destino. Não gostava.
Nos últimos tempos é o que se vê. Deixei de deitar fora e passei a isto.

Podia ser pior!

Frases lapidares

Eu sou a decadência de mim mesmo.

A alma minha

Rasgo as palavras
E retiro-lhes o sentido,
Como se despisse a alma
Num desejo primordial

Agarro-a a essa vontade,
Esse desejo de a possuir,
A verdade, como a uma mulher,
E ficar no acto criador.

E, desembrulhado dessa posse,
Redescobrir o que pode haver,
O sentido que ela tem
E onde estamos juntos.

E, de novo a seus pés,
Implorando-me outra vez
Para que saiba o que há
Para lá da minha vontade.

Salto da minha saudade

Salto da minha saudade
Que nada tem em mim
A não ser na alma
Que vive eternamente

E dela percorre o tempo
Que se faz de todos os actos,
Passos, emoções e vontades,
E se projecta num ideal.

E à espera do que nunca fui,
O tempo, o espaço e o afecto.
Tempo, esse, que algures houve
E onde nem essa alma estava.

E agora, tempos do tempo
Em que aqui está,
Ainda irá a tempo desse tempo
Ou ficou lá, algures num passado?

Mais literatura para animar

"Suaves recordações da juventude. São a cebola destes olhos que já não podem chorar."

Camilo Castelo Branco, Cenas da Foz. Que maravilha de frase! Todo o livro é um manancial de jocosidades e brincadeiras literárias.

Mas como fazer conversa com um genealogista? Faz um pergunta sobre o teu oitavo avô, há sempre mais de mil assuntos a saber sobre o oitavo avô! Para quem conhece este meio da genealogia, sabe bem como esta frase é tão verdadeira. Sim, porque esse oitavo avô, filho do nono avô e que era primo do ramo tal e tal, com ligações, por varonia aos morgados daqui e dacolá! A ironia de Camilo é absolutamente invejável!

Um luxo num dia novamente cheio de vento e chuva.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Que manhã!

A chuva que cai em bátegas ou em rajadas ou soprada pela ventania. O vento faz tudo abanar. Barulho, muito barulho que não pára. Acordar com dores de cabeça pelo incómodo deste tempo que massacra!

Dizem que às 12.00 se dissipará, qual cinderela que perde a sua magia às outras 12.00.

Lamento, no entanto que em vez de sapatos de cristal, vamos ter muita árvore partida, cheias, inundações, telhados levantados e demais tragédias para lamentar. Também num é o efeito da imensa criatividade de Disney noutro o imenso poder do Criador.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Ser impulsivo

Ser impulsivo e fazer as coisas mal rebentam nas mãos ( ou olhos ou ouvidos) é uma péssima qualidade. Regra geral dá asneira. Por mais que se tente recuperar o resultado do impulso ele deixa na consciência um lastro que é cruel. Isto, obviamente, para quem reflecte nos seus actos e ambiciona ser uma pessoa melhor.

Serve como queixinha do dia, nada mais. Mais do que com o acto em si, incomoda-me ser impulsivo, retira-me tempo de satisfação pessoal.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Leituras

A ler Novembro de Jaime Nogueira Pinto.

Passado mais de metade do livro posso, sem sombra de dúvida, confirmar que é um elemento a ter em conta para o estudo dos anos loucos de 1974 a 1976 em Portugal e, sobretudo, em Angola. Durante anos, e por hiperbolização diabólica do Estado Novo, perdeu-se a crítica para a acefalia que a esquerda e a extrema esquerda, nomeadamente o Partido Comunista Português, fizeram de Portugal.
A parte que cabe de romance, de história das pessoas e dos amores e desamores destas fica-se com a impressão que são várias vezes a vida do autor em diversos momentos.
A morte de Maria José Nogueira Pinto é contada várias vezes.

São seiscentas e tal páginas da história recente de Portugal.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ennio Morricone - Chi Mai


Absolutamente extasiado com esta música. Não me canso de a ouvir. Vezes e vezes sem conta. 

Amar o amor...

Amar o amor...
Como uma palavra nova,
Que se aprende
Como quem se surpreende.

E é uma descoberta
Que se inventa
No sentido dos sentidos
Da alma atenta.

E é descobrir um dia
Que o sentido que tem
É sentindo também
Que é sobre quem o sente.

Que o amor também vem
Como o reflexo de si
Nos mundos em que vive
Deixando lastros de ser assim.

Frio

Está frio. Apetece andar de casaco. Ter meias mais quentes. Por vezes, até, umas luvas. Esfregar as mãos uma na outra. Mas, convenhamos, ar condicionado no autocarro? Quando, ainda por cima, o autocarro estava compostinho!

A minha careca tornou-se uma nascente. Nascente de água salgada e, por ser de manhã, pura e cheirosa! ( não, não ponho perfume, mas os detergentes, ditos champoo têm aromas!)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Datas

O mês de Janeiro tem uma cadência incrível.

A 10 faria anos o meu bisavô, a 12 o meu sobrinho, a 14 o meu irmão e a 16 a minha avó. Uma série, no mínimo curiosa. O que se passará a 18?

Até à alma

Percorro a distância
O caminho até lá
Fecho os olhos
E já lá estou.

Não sou eu, nem outro
Apenas a vontade
De estar ali,
Naquele lugar.

Onde mora o desejo
A ambição e esse querer
De sentir o conforto
De estar onde está.

E ainda na penumbra,
Em que vagueio solto de mim
Deixo-me escorregar
Para dentro da minha alma.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Máscara

Subiu ao palco.
E no rosto, a máscara...
A do costume, pois então.
Não há novidade!

Só os olhos mudam,
Caem-lhe as pálpebras
Cansados do mesmo acto,
Das mesmas deixas.

A dormência dos gestos,
Experimentados e usados.
Gastos de tanta repetição.
Que quase já chiam...

Já não tem público
Nem apupos ou aplausos
Até a luz se apagou
Ficou ainda a máscara

Que a segura seguro.
Até que fique seráfico,
Frio e sem a alma
Do rosto que nunca viu.



Insónia

A meio da noite
Acende-se uma luz
Que teima em brilhar...
E permanece.

E a cada minuto que passa,
Intensifica-se a luz.
O brilho, contudo, esfuma-se.
E nasce a cisma.

Voltas e revoltas
Sem brilho, só luz.
O tempo passa
E o sono também.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Acontece

Depois de uma paragem ocasional, em que nada se passava, eis que, quase num sem querer, renasce a alma atenta.

Dizem que o tempo é necessário para o crescimento. É, indubitavelmente, um facto. Aquilo que não tinha tão presente é que esse crescimento, esse desenvolvimento, é feito de mínimas conclusões. Poderia dizer nano reflexões. O ser humano nunca está parado, enquanto pensar está sempre a produzir conteúdos. E, alguns, conseguem reflectir sobre esses conteúdos. Não significa que a reflexão, por si mesma, possa ser factor suficiente para maturação da pessoa, pois que se houver um erro de fundo, por mais que se tente desembrulhar o novelo voltamos sempre à ponta com esse nó. A base tem que ser límpida e clara e não confortavelmente límpida e clara.

Como é fácil pecar

Como é fácil pecar,
Deslizar e errar.
Pode, até ser saboroso
Aquele instante ousado,
Com sabor de sal
E um toque de variedade
Que se vive num momento
De olhos vendados.

E do ar, longinquamente,
Cai suavemente uma pena
Que levemente se instala.
E desse instante
Vive eternamente
Com todo o seu peso,
Na alma que lastima.
O gosto do sal saboreado.



Tristeza

 
Acabei ontem de ler este livro. O autor conta uma história, tal como Miguel Sousa Tavares no Equador, mas depois enche-a da mais bizarra campanha ideológica, transformando-o o livro numa surreal proposta sobre a Madeira. Se eu fosse madeirense era capaz de ficar particularmente incomodado sobre este escritor.
O herói da história é um madeirense que é educado em Paris. Primeira característica de pirismo. de 1825 a 1847 educa-se este preclaro herói nas luzes triunfalistas da republica anti-clerical, laica, libreal (leia-se socialista) e cheia de ideias de lutas de classes.
O herói chega e é um brilho, um sucesso. Sabe fotografar, sabe pintar, é um garanhão na cama, um político de estalo e vê o que ninguém vislumbra. Onde toca transforma em sucesso comercial.
A população madeirense, uma cambada de tontos, insensatos, paus mandados dos ingleses ( que ele domina sexualmente!), são passados a uma cambada de gente torpe e ignara. Não há luz, não há cultura, não há uma alma digna de registo, para além de camponeses, esses sim, os verdadeiros iluminados.
Descobre o turismo e os bordados da Madeira.
O herói acaba a casar com uma camponesa que graças à educação dada por uma aristocrata ( a mãe do herói, claro!) não come com as mãos, não arrota à mesa e acompanha o seu herói.
O fim do livro é um fuga mal explicada.
Se eu fosse madeirense, teria uma ou duas palavras com este cavalheiro.

E, pasme-se, ganhou o prémio João Gaspar Simões!

Esta nota minha serve para evidenciar o que vem acontecendo com a literatura no panorama actual. Se for escrita com claros vícios de esquerda, é premiável. Não importa a realidade.

É verdade, é uma obra de ficção.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Devaneios

Vi hoje uma amiga de longa data. Em tempos conheci também a sua Mãe, que espero e estimo de excelente saúde e felicidade. Notei que aos poucos a minha amiga estava gémea da minha imagem mental da sua Mãe. Não sei se é caso para aplaudir ou disfarçar, mas é, sem dúvida, a marca dos nossos genes a deixarem a seguirem o seu caminho.

Não acontece com todos nós, mas vai acontecendo em muitos.

Novidades de se ir a caminho da meia-idade.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Coisa incómoda

Estar a ler um livro e a acompanhar a história que o autor nos quer contar e estar a perceber os seus recados políticos tão desajustados!
A esquerda, regra geral, tem muita dificuldade em perceber a história e olha para qualquer tempo com os olhos do seu tempo e não do tempo a que se dedica o seu trabalho. O resultado é sempre um conjunto de disparates.
Alguém a tentar transmitir a ideia de classe operária em 1840!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Prosa iluminada

"- Estão lá em baixo dois sujeitos por causa da compra do Maria Speranza, mas se Vossa Excelência prefere degolar a menina primeiro, eu aguardo." - Mário de Carvalho em O ocaso de Carvangel.

A ligeireza do dito, como se degolar alguém fosse algo tão prosaico como calçar um par de meias.

Nota de poema

Falam-me da semana
De amanhã e depois
E este hoje de agora?
Quem mo diz?

Nada mais a acrescentar

Nada mais a acrescentar
Num uma palavra
Apenas um sentimento
Que me leva todo

E sempre o Amor
Que me leva assim
Num querer imenso
De nele estar sempre

De mim e em mim
Para ti e em ti
E juntos num sempre
Que não pára nunca

Um livro

Decidi reunir alguns poemas e ditá-los em forma de livro. Será, portanto, um intencional abate de árvores de modo a se transformar esse bem natural em folhas de papel onde deixarei escritos alguns sentimentos meus. Uma vez que não são muitos, vou sugerir que cada pessoa que pegue no livro, assuma que tenha na mão um ramo de flores. A escolha da flor será livre.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Dia de Reis


Antes de mais a saudação a S.A.R. D. Duarte, Rei do meu país.

Os Reis Magos eram homens de saber, de cultura e de sapiência alheios às tricas políticas locais do mundo dos homens e vieram celebrar o nascimento de Jesus. Sem mais esta é a diferença radical da monarquia.

Neste dia, também, aproveito para relembrar o Rei de Portugal que foi injustamente tratado.

Um excelente Homem, um Rei muito à frente do seu tempo e brutalmente assassinado por uns sanguinários a mando de seitas com o intuito de instaurar a república.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Igreja da Madalena

Hoje, na Igreja da Madalena, em Lisboa, 3 grupos corais cantaram as suas janeiras para quem quisesse ouvir, pois o não havia cobrança de entradas.

Detalhes a reter.
1. Apesar do alter estar sem nada em cima e do sacrário estar aberto, as pessoas que entravam, ajoelhavam-se, benziam-se e tinham todos os demais comportamentos como se fosse praticar o culto. Interessante perceber que o respeito subsiste.
2. A diversidade de população que entrava. A maioria não ouvia sequer uma música completa. ( a rigor o coro também não é a minha música favorita)
3. Uma exposição sobre o Santo Sudário de Turim. Curta, mas a focar os pontos fundamentais. Muito interessante.
4. Coro da Casa do Povo de Corroios, fundado em 1994, Coro de Câmara Municipal de Benavente, fundado em 2003 e coro da Carris fundado em 1998. Parece que os últimos anos têm sido muito generosos neste campo musical.
5. Alguns elementos do grupo do Coro da Carris estavam prestes a picar o bilhete ( não resisti a esta! Ahahahahah!)
6. Os ouvintes eram quase só parentes e familiares dos três grupos. Desolador para quem canta. E cantavam bem.
7. A Igreja tem um tecto, bem como um orgão digno de registo. Vale a pena a visita.
8. A igreja estava cuidada e em relativo bom estado de conservação.
9. Um apelo feito pela paróquia de São Nicolau, que refere as dificuldades desta paróquia. poucos paroquianos, dificuldade em ter que ajude na assistência social, muitas igrejas a cargo, muitos visitantes e franquismos recursos.

Sábado

Iniciado com (mais) uma reunião de condomínio inconclusiva. Duas horas a, sobretudo ouvir, discurso redondo a fugir ao centro da questão. É um pouco a imagem do nosso país, da nossa vida, dos empregos, dos governos, etc.
Há uma questão fulcral que ninguém quer ver e falar. A discussão parte de imediato para assuntos acessórios, para vacuidades, para experiências de vida (este tema, então é glorioso!), esmiúçam-se detalhes absolutamente irrelevantes, repetem-se frases que não levam a lado nenhum, diz-se de várias maneiras a mesma coisa, que, por sinal é consensual, e o relógio vai somando minutos, sobre minutos. Duas horas!

Metade do sábado perdido em imensos nadas. A determinada altura a questão fulcral é apresentada. Faz-se silêncio e a reunião termina. Parece que levam trabalhos para casa.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Desvendando o véu


DEP. LEGAL: 353199/12
ISBN: 978-989-20-3538-3

Satisfação bastante. Muita mesmo.

Meditação

Para ser parvo, basta nascer.
E ainda que a natalidade baixe
E haja menos a nascer
Há os que por cá andam


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Duas faces

A cena passa-se numas cerimónias fúnebres de um homem com menos de 50 anos. Após a missa, e antes do fim da missa, algumas pessoas dirigem-se ao púlpito e dizem umas palavras sobre quem parte. Vítima de doença sem conhecimento de cura e cujo desfecho assentava fortemente na rapidez do fim tal como se veio a verificar.

Uma das pessoas que sobe ao púlpito faz o seguinte discurso:
- A última vez que estive com ele, há cerca de um mês, eu estava irritada, danada com esta situação e resolvi perguntar-lhe isso mesmo. Diz-me, tu não estás irritado com isto? E ele responde-me, com a sua serenidade. "Sabes, estou em paz. Fiz tudo o que queria".
Fim de citação.
Como é que alguém perto dos cinquenta já fez tudo o que queria? Para além das circunstâncias próprias da vida do que partiu, como é que alguém pode admitir que a essa idade já não se tem ambições? É caso para se dizer: Burra, mulher burra, mil vezes burra! Não percebeste que ele pura e simplesmente estava farto de te ouvir? Que isso equivalia ao pedido de te calares?

A outra face da mesma moeda.
A oradora, sentida com a perda, quer fazer um elogio eloquente, forte e que marque a audiência. Ao mesmo tempo quer serenar os ânimos seguir as palavras do Padre e elabora esse discurso para passar a ideia que o projecto desse homem que parte tinha sido concluído. E passa, assim, para quem a houve a serenidade de que foi um fim natural e normal.
Mulher inteligente, com um discurso pensado e intencional.

Como uma moeda raramente fica em pé, escolha cada um a face desta moeda.

Cá vamos, então


Vinda do um buraco e envolta numa penumbra de imensas gotas de água, emerge a ninfa da Fonte Luminosa que voltou à vida.


E da terra brota, a força e a energia feitas neste cavalo!

E os anos que ficámos sem ter este espectáculo de água e luz. Um prazer de ver, seja de perto ou ao longe. E ouvir o barulho da água a cair...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Pequenas grandes diferenças

No outro dia escutava um padre que, abordando o tema do amor, dizia as seguintes palavras:
- Eu perdoo-te! E tu perdoa-me!
Parto sempre do princípio que os padres senão são mais inteligentes que eu, são sempre muito mais dotados na oratória tendo, como ambição que a audiência capte a essência do seu pensamento. Ora a frase sobredita é um óbvio apelo à reunião dos corações com o propósito de anular os conflitos e/ou fazer deles pontos de reunião das pessoas. E de tal modo assim é que atente-se à brutal diferença que nos proporciona a mesma frase, mas dita do seguinte modo:
- Perdoa-me! Eu também te perdoo.
Se na primeira o ouvinte, que neste caso seria quem diria a frase, assume uma posição de uma certa misericórdia e anula o conflito, e para incitar o outro a assumir a mesma postura, pede também perdão pelos seus actos ( gestos, palavras, etc) que tenham provocado o desentendimento.
Já na segunda frase o ouvinte/emissor quase que baixa a cabeça pedindo o perdão, e ao pedi-lo diz, como quem pede a confirmação do seu pedido, que também eu te perdoo, pelo que não tens que duvidar em me perdoar.

Para enriquecer ainda mais esta reflexão, digo-vos que estas palavras eram para que nós as disséssemos para nós próprios, para dentro, para a nossa alma, após a celebração da missa antes do funeral. 

Duas ideias basilares que o Padre, sapientíssimo, quis transmitir:
1) Sossega o teu remorso, a culpa e a tristeza de não teres dito o que te faltava. Fica em paz com aquele que partiu. Mas fica em paz por efeito de teres feito essa paz.
2) Abre-te a perdoar. Vive com essa ideia muito presente, e verás que o mundo também te perdoa, e verás como a tua vida pode ser muito mais leve e, sobretudo, BOA.

A quem perde o seu tempo com o que por aqui escrevo, recolha esta meditação como um propósito para 2013.

2013

O tempo, bem como os anos vão sucedendo-se. É uma numeração que se admite ter começado no ano de nascimento de Jesus Cristo, e que desde então já a humanidade percorreu 2013 anos. Há teorias e teses que afirmam que há um erro na atribuição do ano exacto, mas isso à distância de dois mil anos é absolutamente irrelevante. Fixou-se um ano, e a cada ciclo solar completo acrescentamos mais um, numa adição que supomos infinita.

Tendo nascido em 1965, havia um ano que era como que um ponto de referência. O ano 2000. Que idade teria quando lá chegasse? 35? Que velho! Caramba! Como é que será possível? E assim foi. Desde esse ano, acabei por ficar orfão de fixação de tempos. 

Hoje, com o início de 2013, lá completo mais um degrau dessa escada que se vai subindo. 

Meditação fotográfica


Ontem olhei pela janela e disse com os meus botões, com esta noite tenho que fotografar a Ponte e a paisagem. Em casa alheia houve que esperar pelo momento. Calhou um pouco antes de sair. Foi num 11º andar de um prédio em Sacavém e em casa de uma amiga.
Estava a testar as velocidades, pois que a foi tudo feito em modo manual, e entra a minha filha:
- Pai, o que é que estás a fazer? - Nem sequer esperou pela resposta e disparou logo de imediato - "Despacha-te, que temos que nos ir embora" - E quando ia começar a dizer-lhe que precisava de mais um pouco para uns disparos com outros tempos de exposição. - "É que a Mãe nunca mais se cala e depois chegamos atrasados. Vá vamos Pai!". - Impossível resistir. 

A foto de cima tem 4 segundos de exposição e com o diafragma aberto a 5.6 e com uma ISO de 200 e lente de 55 mm. Com um tripé feito com o material que estava ali à mão.


Modo automático, sem flash, ISO 1.600, diafragma 5.6, velocidade 1.6 de segundo. Foi a foto teste para agarrar o que eu queria. E com a máquina na mão.


Mudei para modo manual e mantive a velocidade. Foi reduzida aumentada a definição do filme para 200 ISO. Mantive a máquina na mão.


Primeira tentativa a sério. Velocidade 2 segundos, ISO 200, Abertura 5.6. Precisava obviamente de mais tempo.

E depois chega a minha filha e só dá para ter tempo para fazer a de cima. Com 6 segundos era capaz de mostrar as luzes de Alcochete... Mas ficou uma boa fotografia.