segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Próximo dos minutos fatais

Próximo dos minutos fatais
Em que definitivamente
Viramos costas ao último segundo
E acolhemos o que virá depois

Planos desejos e juras,
Assim como promessas mil.
Tudo de novo como o Ano,
Numa alma que se quer estrear.

É como virar uma página
A tudo o que não queremos
E peneiramos o presente
Numa ambição de futuro.

Que assim seja, então!

Angústia

Ao longe vi uma ambulância
Reclamava "Transporte de doentes"
Escondi-me de imediato
Não vissem eles a minha alma.

Chove

Será uma passagem do ano bem molhada. Alguns investimentos, arriscados, não vão ter o retorno desejado. Nem sempre se acerta.

Meditações sem nexo

Com esta história da passagem do ano intensifica-se a minha dúvida de sempre: "onde começa o tempo?"

A terra é redonda, pelo que é difícil perceber que por escassos quilómetros, de Samoa para a Samoa Americana se mude de dia.

Podemos imaginar frases ridículas que se podem aplicar: "Vou ali até ao futuro" ( indo, obviamente a Samoa), assim como a inversa "Ah... Estas viagens ao passado dão cabo da minha alma!"
No fundo, a ideia é que em algum sítio o tempo tem que ser dividido, pois que não pode haver um tempo igual em todo o globo terrestre, pois que a posição deste face ao sol é distinta consoante a sua localização.
Imaginemos que essa linha estava, em vez de ser no Pacífico, no Atlântico, e que cortava entre o continente e os Açores... imaginam a quantidade de piadas que os Açorianos nos dedicariam? Bem como o oposto, sobretudo a incidência do tempo sobre aquele dialecto fantástico.

Mas voltando ao essencial, definiu-se uma linha, que no fundo vai até onde ainda existe América onde o tempo se divide de um dia para o outro dia. No caso concreto das Samoas acredito que o Homem encontrou um modo de ultrapassar esta dificuldade, ou então acabou por a integrar de tal modo no seu dia a dia que para eles é normal e sem qualquer dúvida.    

2013

Podem todos descansar em plena tranquilidade. 2013 é uma realidade na Nova Zelândia há mais de meia hora!
Portanto estão todos 13 horas atrasados.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Jim Steinman - Surf's Up


Talvez a música que mais marca a minha vida. É recorrente. Vezes e vezes sem conta. Dantes no prato do gira disco. Depois, desde a internet, uma das primeiras músicas que fui buscar ao Napster. Hoje no computador, em CD, no telefone, e sei lá onde mais.

A quem tiver a paciência para ouvir, escutar o trecho que começa no minuto 4:25. Ao nível de Phil Collins em In the air tonight.

Tempo.

Empurro este ano borda fora!
Já não o posso ver.
Estou saturado.
Mas ainda vou ter que o gramar
Mais umas tantas horas.

E andam por aí uns tantos
A combinar novidades
Para essa hora
Em que se passa de um para um
O mesmo, afinal.

E se pensam que muda
Nem o segundo muda
É mais do mesmo
Nem a vida que se reinventa
Ainda que muitos se esforcem.

E, depois, com calma
Lá voltamos a esta coisa
De marcar dias no calendário
Até que seja tempo
De festejar outro evento.

Sem duvidar

Eu vivo na minha aldeia, onde o meu vizinho, que é arquitecto não vive. Ele diz que a planeia. Eu tento atravessar um jardim, mas tenho que o contornar para melhor poder ver a natureza. Eu quero ir até ao centro, mas tenho que ir à periferia deixar o carro e apanhar um transporte público. Eu quer ver uma bonita escultura, mas tenho que colocar uns binóculos pois que a correcta percepção deve ser feita desse modo. E às vezes, quero ir à casa de banho e a porta abre para fora!
Nas casas o sul e o norte deixaram de contar, contam metros quadrados. A altura do tecto está definida por  uma norma comunitária.

Um dia destes tenho que convidar o arquitecto para a aldeia dos meus antepassados. Lá, as coisas tinham sentido e eram utilizadas para gosto das pessoas. Era a universidade do tempo e da experiência. Hoje é da moda, não é?

A casa deixou de ser um lar e passou a ser um T qualquer coisa.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Rasgando-me

Rasgando-me
No nada que trato
Na pequenês em que me situo
No ínfimo da minha alma

E volto sempre
Miserável,sentido, culpado,
Odiado de mim mesmo
De ter sido alerta.

Que chatice esta
De se ser do que ninguém quer ver
De se ser voz de outro
O que nunca se confessa

De ser alma condenada
A todas as mortes
De todas as verdades
Que afinal, foram sempre mentiras.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

No céu o azul foi lavado

No céu o azul foi lavado
E ainda se vêm bolas de espuma
Brancas, gordas e fofas
À espera do vento que não corre.

E brincam paradas
Com a minha imaginação
Um cão, um gato ou um anão
Ou apenas a minha meninice

E os pássaros que volteiam
Gralhantes e conversadores
Não dizem que é Inverno
E que o Sol assim brilha

E lança uma luz quente
Que abraça toda esta terra
E eu, assim no meio
Até penso que é tudo para mim!

Estava à espera dela

Estava à espera dela
Todos os dias
A todas as horas
Esperava-a sempre

Era quase obrigação
Esperar aquele amor
Na certeza que o tempo dava
Num amor que assim afirmava.

E o tempo passou
Muito, quase todo
E a espera mantinha-se
E ele também.

E o amor afirmado
Já não tinha rosto
Nem corpo, apenas alma
Que esperava na eternidade.

Lendo os clássicos

"O amor é a preferência exclusiva de um homem ou de uma mulher por um indivíduo de sexo diferente"

Imagine-se só a balbúrdia que seria se um elemento dessas seitas proto-esclarecidas se desse ao cuidado de ler esta obra de Tolstoi? Ou a bania das bibliotecas, classificando-a como arte menor ( se chegasse a arte), ou desprezaria o autor, venerando os que estimulam seja a não exclusividade do amor, seja a escolha o mais diversificada possível dos indivíduos, podendo os mesmos ter as formas mais imaginativas que se possam supor. Afinal, e para estes, a arte é tudo...

Vamos ser um pouco mais objectivos, então. O Amor é, de facto exclusivo. Quanto à possibilidade do mesmo ser homossexual, não faço a mais pequena ideia, pois para lá de ter excelentes amigos homens que amo com imensa fraternidade, não tenho a mais pequena pulsão sexual por eles, pelo que não sou capaz de pensar essa circunstância. Não a nego, não a censuro, não a proíbo. Desconheço e, como tal, o silêncio assenta-me melhor. Conheço, é certo, pessoas que afirmam a sua homossexualidade. Desconheço o sentir, mas percebo que sintam isso, e espero vivamente, que sejam felizes.

Ah!...A exclusividade do Amor! Tema perigoso! Ninguém é obrigado a Amar, nem a sentir Amor. Pode até acontecer em momentos... é algo que se sente de forma tão profunda e intensa que só pode ser exclusivo. Não se consegue olhar para outro lado que não seja para o Amor.

Ler é perigoso

" Não prendia o coração e como pagava generosamente, a moral estava salva."

Tolstoi ultrapassa-me completamente! De facto o uso que é dado ao dinheiro tem uma imensão de vezes o efeito de nos sacudir essa pressão tão católica que é a culpa, sendo que esta não é mais que a nossa consciência com dores de fígado!

Bem vistas as coisas...

"Toda a mulher casada sabe que, por mais atraente que seja a sua conversação, o homem ao aproximar-se-lhe, tem apenas em vista o seu corpo e tudo quanto pode realçar-lhe a beleza"

Leon Tolstoi

Ou seja, se alguma mulher quiser prender a atenção de um homem, deixe-se de tretas e exiba um generoso decote!

Lua...


A lua e o luar foram feitos para amar.
Amar como quem se solta
E foge do sono para o sonho.
Para encontrar-se num abraço
Que se faz entrelaçado
De nós, beijos e afagos.

E sob esse luar que nada quer ver,
Porque é cego de razão,
Apenas quer sentir lábios
Mãos e corpos em entrega.
Viver esse sentir, respirar e amar.
Dar-se ali e no momento.
Apenas com a cumplicidade do luar.

E essa lua que assim encanta,
Que desvenda almas puras,
Que encanta corações amantes,
Que chora alegrias de amor,
Que sente a alma no coração
Essa lua, já foi, também minha.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

No campo onde a natureza se impõe


No campo onde a natureza se impõe
Os pássaros chilreiam,
E, mesmo no Inverno,
Cada coisa segue o seu caminho.

De repente, um estrondo.
Uma arma ruge um som,
Alguém produz um esgar
E se dirá mais homem.

Do sobressalto fica um incómodo.
Que tolice tossir assim,
No meio desta sinfonia
Que é a criação em acção.

A preparação para o paraíso


No dito e famoso alpendre, onde o café foi substituído por Earl Grey, porventura o chá mais aromático que conheço (admito que não seja, mas desde a abertura da saqueta à degustação é tudo um prazer sem paralelo).
Alberto Caeiro, que, por acaso, não era quem estava na primeira linha para hoje, desconcerta-me com dois momentos gloriosos:

"(...)
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se não o soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Eram alegres e contentes"

A consciência a pesar o pensamento e a carregar a história do poeta naquilo que ele é e transpõem essa realidade na sua poesia lida e sentida.

"Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho"

Eu, pelo menos, tenho, às vezes, este alpendre...

Na outra minha aldeia

E com o sol, a Lagoa de Óbidos, o verde, o ar e tudo o mais que me faz satisfeito e em paz. Aproveitei, para me sentar no alpendre a ler Alberto Caeiro.

"Aceita o universo
Como to deram os deuses
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado"

Um óbvio esforço para mim, que como homem também tenho a minha mania de mudar o mundo, mas, e sobretudo para todos os que seguem cegamente uma determinada posição que a criação está errada, tem erros que precisam de ser corrigidos pelo ser criado.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ciclo

A 21 de Dezembro o mundo virou costas ao fim do crescimento da noite, e volta-se novamente para o sol.

Com o nascimento de Jesus focamos a espiritualidade nos elementos essenciais da vida. A nova a anunciar traz o seu enfoque na pureza, no amor e na singularidade de um discurso novo a anunciar. 

Numa semana todo este espiritualidade se o fará realidade e no dia 1 abrir-se-à a um novo ciclo e todos dirão Bom Ano NOVO. 

E vamos recriar a vida com o mundo a abrir-se à luz, a alma preparada e o tempo volta ao dia 1.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Que sabes da minha dor?

Que sabes da minha dor?
E ao que ela sabe?
É um amargo que desconheces
E não faz o teu género.

É sentir solidão
Não de corpos, nem de vozes
Mas de almas,
De nenhuma relação.

Linhas que não se cruzam
Nem se entrelaçam
Até frases ficam a meio
E tudo, dentro de mim

Tu estás para o teu retorno
Para o mundo que queres encontrar
Eu estarei, talvez, para o meu,
E, Haverá um que seja nosso?

Ela

Ela,
Gloriosa na delicadeza,
Monumentalidade do género,
Mexe-se como uma flor.

E cada raio de luz
Que trespassa uma pétala
Mostra a sua singularidade
Feita de tantos encantos.

E as cores que explodem
Quando se dá ao mundo.
Onde se sente toda a beleza,
Do seu singular pé ao gineceu.

E treme deliciosamente
Ao sopro da brisa amena.
Uma evidente fragilidade
Que busca um amparo.

E fico maravilhado
Como tudo este encanto
Consegue nascer
Apenas de um olhar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A todas as horas vario

A todas as horas vario...
Rasgo a alma
E procuro o sentido
Com esse sentir


E em todas as variantes
Sou sempre o mesmo
Que se projecta a cada sentido
Que anseia por se definir

E de mais escuro que breu
Às mais alvas cores
Sempre a mesma ansiedade 
De nunca estar completo

Em todo o tempo
Em toda a idade
A alma não repousa
Busca-se incessantemente. 

Ah!  pensar!

We're all alone

Tema de uma música romântica de Rita Coolidge de 1977, que chegou a ser tema de uma telenovela de uma novela chamada "O Astro". Ouvi vezes sem conta a música, mas, e para o efeito, não é esse o tema da reflexão.

Estamos todos sozinhos.

Esta é a verdade mais crucial. Por mais acompanhados que possamos estar, a verdade é que dentro de nós próprios que vivemos e pensamos, e aí, estamos irremediavelmente sozinhos.

Quando te falo

Quando te falo
Ouves-me
Ou ouves-te?
Sou eu ou o meu eu em ti?

Esse que queres,
Que te escuta,
Que te interessa,
Que te faz mundo
É esse que contigo convive?

Ou é este aqui,
Que também te escuta
Que também se interessa
Que também tem mundo
E que contigo também convive?

Diz-me, afinal, é um ou são dois?
E, se dois, frente a frente,
Ou de costas voltadas?

E eu, o que direi de ti?

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cego

Cego
Completamente cego
Inflamadamente cego
Nenhuma razão me acudirá!

Sem nada que segure
A infernal besta
Que me tomou de assalto
Desoladamente

E muito longe
Ao fundo dos fundos
Uma voz lamenta
Toda esta tormenta

Que é nada afinal
Um espasmo brutal
De menino mimado
A quem algo correu mal.

Na nudez em que te deste

Na nudez em que te deste
Era um corpo que se abria
Debaixo de uns olhos tímidos
Mas seguros das suas formas

E a mesma nudez te ofereci.
Meios para o mesmo fim,
Momentos que preparam
A entrega dos que se amam.

E do beijo à fusão
Acordam todos os sentidos
Entendimento de almas
Que se fazem um.

Going to the light


 
Sempre gostei de fazer estas fotos com pontos de fuga.

Inverno



No escuro da minha alma

No escuro da minha alma
Anseio por te encontrar
Para te ter junto a mim
E nesse conforto aninhar

Que me foge a alegria
E a satisfação de sorrir
E de olhos assim vendados
Não tenho para onde ir.

E a minha alma mingou
Arrefeceu e ficou só
Sem espaço, sequer para mim
E da vida, só resta a saudade

Do tempo com sentido
Quando futuro tinha cor,
A esperança era a luz
E os olhos conversavam.



domingo, 16 de dezembro de 2012

Passo em frente

Será dado abatendo árvores, misturando-as com químicos. Depois borradas com tinta e coladas em grupo. Será desta?

Ponto de partida


Ponto de partida

De uma caminhada em que se busca um horizonte feito de sol e cor, de atmosfera e calor, de ar morno e leveza e onde se respira a pureza.
Não há amanhã que se diferencie de hoje, de ontem e do sem tempo.
Tudo sempre igual como a vida ideal.
E quando os olhos se fecham, com o barulho do mar, das ondas a espraiarem-se sobre a areia da praia.
Um sorriso percorre-me todo.

Sabor de Verão e de férias.

Desamar


Porque é que te abandonei
E deixei-me perder-te...
A estrada estava vazia
E o caminho era sempre a direito.

Coisas de se ser ou de se querer?
A dúvida de um erro ficará sempre
Dentro do grande saco da Culpa,
Aquele que me curva as costas…

Amargos do passado
Que estão sempre à espreita.
O efeito de se ter vivido
E o remorso de te ter feito sofrer…

Porque é que se tem de desamar?

Depois de me reler

Cada dia estou mais longe de mim e da minha vida!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Cruel

O Sol ainda está por nascer, pelo aqui na minha terrinha. Os deveres e obrigações de pai cá me fazem estar a pé e a empurrar o mundo para a frente. Tendo em consideração que hoje é o último dia de aulas, para a semana terei mais uns minutos com os anjos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sei lá...



Desce sobre os meus olhos um calor
Cuidei que fosse o amor de mim
Que me queima com ardor
Nestas pulsões que me fazem assim.
Mas afinal era apenas febre
E ninguém cuida de mim!

esnif.. esnif..

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Incómodo

A tosse já se instalou vai para dois meses. E fê-lo de modo intermitente.
O pingo no nariz já cá está. Percorre as narinas com uma cadência muito sua.
O espirro, esse amigo que me estremece, está por cá e tem-se demorado.
A dor de cabeça, essa maluca, já avisou que vem a caminho, mas aguarda melhor altura.
O calorzinho em cima dos olhos desde hoje de manhã que se substitui a qualquer cachecol.

Dizem que é a fruta do inverno, mas cá para mim é mais uma seca de uma constipação!

Ó certezas da alma

Ó certezas da alma,
Aquilo em que cremos
Que são tão minhas como tuas
E por elas nos batemos

Ah!... Batemos....
Tomara que assim fosse
Um amor assim decidido
Vindo do fundo da alma

Um ímpeto de acção
Que arrasta toda a vontade
De se ser coisa feita
Daquilo em que se acredita

Mas mole corre essa vontade
Se calhar até, de nenhum certeza
E desolado se desinteressado
Vagueia empinado e seguro

É mais água que corre
Depressa para a sargeta
Onde depois se junta
A mais água sem mar.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Democracia?

Num tempo cada vez mais livre e apto a receber todos os tipos de contributos, fruto, sobretudo das novas tecnologias a democracia pena os seus últimos dias.

Há uma tendência dominante, assim como na moda, de se pensar tendencialmente de esquerda, temendo a sacrossanta palavra liberdade. Como se a uma qualquer palavra, frase ou ideia o terror de alguém poder pensar fora das regras impostas por esse silencioso marasmo adormecido, uma infecção mais contagiosa que o pior vírus fique completamente à solta.
Mas se a frase vier de um qualquer grupo de esquerda dominante, mesmo seque seja de uma imbecilidade absolutamente inconsequente, o mais que se dirá, é um triste encolher de ombros.
Mas se for um raciocínio que coloque em causa as máximas de uma determinada estrutura completamente gasta e ultrapassada como, por exemplo as greves nos portos, ou nos transportes públicos, aparece logo um tsunami de defensores de qualquer coisa, que os próprios não sabem bem o que é, mas que os imobiliza completamente! Tornam-se ainda mais conservadores que um fascista.
Vivemos cada vez mais numa ditadura de esquerdinha, pequenina, poucochinha e sem saudinha nenhuma.

Socorro!

Desalento

Por questões absolutamente mirabolantes necessitei de copiar chaves à dúzia, ou quase. Necessidades que apenas se satisfazem naqueles lugares meio lúgubres onde uma pessoa com as mãos untadas num creme qualquer que empresta um negrume às mãos que se sedimenta debaixo das unhas. De notar também que a pessoa se curva para debaixo de uma lâmpada que algures num tempo já iluminou qualquer coisa. E perante este cenário lá se desenvolve o argumento.
- Bom dia
- 'dia..- sem levantar a cara do que está a fazer.
Aguardo os segundos necessários para que se estabeleça a mínima linguagem visual de modo a se poder vir a desenvolver o negócio que interessa a ambos.
- Faz cópias destas chaves. São de uma marca bizarra, ao que me disseram.
Lá se levanta e se desloca até perto de mim e examina o espécimen e, num ápice, afirma.
- Cada chave são quinze 15 euros.
Um baque surdo ecoa na minha mente.
- Mas não a posso fazer agora. É uma chave com muito pouca procura, tinha que encomendar.
- Bah... quinze euros que disse... é que eu precisava de várias...
Baixa o tom da voz, aproxima-se e deixa escapar
- Posso fazer-lhe doze euros e meio cada...
- Bom...
- Mas agora é impossível. Não tenho as chaves, teria que encomendar...
- Mas eu preciso das chaves.
- Não faz mal, está a ver aquele quiosque? Em frente ali do café?
- Sim, conheço
- Também é meu.
- Então amanhã eu deixo lá as chaves e combinamos o resto. Eu vou encomendar as chaves.
Segunda cena
Noutro estabelecimento de igual estilo
- Bom dia
- Bom djia, o que é que vai ser?- O cantar brasileiro que encanta e desarma.
- Faz cópias desta chave
- Sim, quantas vai querer?
- Mas parece que é de uma marca pouco usual no mercado.
- Sim, já vi, quantas quer?
- Mas tem disponível?
- Sim, claro!
- E qual é o preço
- São nove euros cada.
- São duas por favor.
Sem nota que mereça, foi feito o negócio e começo a pensar como desfazer o anterior negócio.
No final do dia, passava pouco das cinco passo pelos dois estabelecimentos de modo a tentar cancelar o negócio, mas ambos tinhas as portas fechadas. E coloco dentro da minha cabeça um sino de alerta para tratar de desnegócio logo na manhã de segunda feira.
Terceira cena
A frescura matinal abaixo dos dez graus e o meu destino é a banca dos jornais.
- Bom dia
- ´dia...
- Lembra-se do na nossa conversa de sexta-feira?
- Sim...
- Olhe, acontece que quando sai daqui encontrei uma loja ao pé de casa que me fez a chave por nove euros, pelo que já não vou fazer o trabalho.
- Podia ter avisado, assim não tinha encomendado as chaves.
- Sabe, tentei, mas quando saí já estava fechado.
- Pois eu largo às quatro - e nisto encosta a língua ao céu da boca, e inspira de modo a ser suficientemente audível o silvo do ar a passar pelos dentes fazendo aquele esgar típico.
- Pois, eu bem tentei.
- Pois é, mas podia ter avisado.
- Oiça, e estou aqui a fazer o quê?
- Sim... pois - e mais um silvo.
Nada como um bom encontro com a rude forma de estar de quem tem empregos e não trabalhos para perceber porque é que se coloca de forma tão premente a questão da produtividade neste país.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sou um pedinte de afectos


Sou um pedinte de afectos
Assim como quem pede esmola,
Uma moeda ou o que quer que seja
Até apenas um olhar que me veja

Não a mim, seguramente,
Mas à dor solitária que insiste
De quem se sente parido
Numa alma que não existe

E peço afecto, como pão da vida
Alimento de calor e esperança
De sentir que num amanhã
Voltará a haver a criança

E tombado em mim
Em qualquer rua da minha vida
Deixo isolado um pedaço  
Que é, também, eterno.

Um pedinte de afectos

Um pedinte de afectos
Instalou-se na minha alma
Sentou-se no meio do caminho
E dispôs-se a conversar

Perguntou-me com o olhar
De que te vale o resto,
Se nem Deus nem a eternidade
Têm disso memória.

Levantou-se e seguiu
E tornaram em jorro
Os afectos que pediu
Caindo às catadupas.

Num mar assim cheio
Recupero-o no meu olhar
Também salgado por mim
Disposto a nele navegar.

Explicação

Explico apenas para gosto da minha alma, pois acho que a frase do post anterior se diz por si.

Vivemos numa circunstância em que a militância, bem como o domínio de certos meios de comunicação de alguns cujo ideal é massificar a opinião de todos pelas suas. Assim todas as pequenas fagulhas de pensamento que têm como origem o indivíduo e nele se concentram são sumariamente liquidadas porque contrárias ao domínio destes. Assim um apelo à libertação de tudo e à consciência de si mesmo, fará que cada pessoa se veja liberta dessas pressões e possa, em paz, agir livremente.

É um pouco a minha teoria. Obrigar todos e cada um a usar a sua liberdade individual.

Frases revolucionárias

Privatize-se a opinião! Que cada um tenha apenas a sua! Livre, espontânea, descomprometida, sem medos, voluntária, sem partido, sem pressão, sem esqueletos no armário, sem frases feitas. Apenas pensando, puro entendimento! Era um luxo de país!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Belissimo

O chorar da mulher desprezada não é amar! É o amor próprio que chora. E só termina quando formula a palavra "vingança". Então começa a convalescença.


Há pessoas iluminadas

Nos mistérios de Fafe, Camilo Castelo Branco volta a oferecer mais uma ideia de excepção.

O ciúme é como as silvas, onde caem rapidamente ganham raiz e proliferam.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Camilo Castelo Branco

"Era filho segundo; mas, na estupidez, tivera partilha igual com o primogénito. Pareciam dois morgados. Chegara até ao segundo ano jurídico; porém levara-lhe sete a chegar ali."

Camilo consegue, nestas frases, dar-me uma das maiores satisfações que a leitura dá. O modo excepcional como usa a ironia é fascinante.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Linguagem

Antigamente as pessoas tinham que tratar de uns assuntos, depois passaram a ter que fazer umas coisas, agora estamos nas cenas...

O desinteresse sobre o que temos que fazer aumentou, ou simplesmente estamos a ficar cada vez mais calões, nomeadamente linguísticamente?