quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Perder tempo

Recolho aqueles pedaços de papel que colocam nos carros a fazer publicidade a Videntes, tarologos, mediuns, curandeiros, espiritualistas e outros sinónimos. Assim a lista é a que segue:

O Grande Professor ADAMA
Mestre ALANA
Mestre Vidente ALFA
ALIU SÓ
Astrólogo Mestre BALÉ
Professor BANFA
Mestre BORAIA
Prof. Mestre BUBACAR
Mestre CADIMO FATI
Astrólogo Mestre CADRY
Mestre CAMARA
Professor CAMARA
Mestre CARIMO
Professor Mestre COTE
Astrólogo Mestre DABO Vidente
Africano Mestre Prof. DIAKHABY
Professor DIAKITE
Mestre DIALLO
Padre DJUARA
Astrólogo Vidente Dr. FATI
Grande Mestre FATI
Prof. FOFANA
Prof. HERABA
Mestre Vidente IACUBA
Professor ISSA
Professor KALIFA
Professor KARA
Mestre Vidente LCOMANE
Professor MAMADU
Mestre MOBINO
Mestre MUCTAR
Mestre MUNA
Astrólogo Mestre MUSSA
Professor SADO
Prof SHARIFO MUSTAFA
Professor SIDICO
Mestre SILA
Professor SUARE
Professor SYLLA
Mestre TURÉ
Professor UMAR

Quarenta e uma sumidades, por ventura com experiência académica da Lusófona, prontas a dar o seu apoio às almas menos previdentes e potencialmente aligeiradas monetariamente por tanta sapiência.

Os cartões/papeis são um pouco repetitivos e seguem a linha de ciúmes, maus olhados, recuperar o amor, dinheiro e outras bagatelas da vida mundana.

Para entreter a razão

Para entreter a razão
uso a máquina de calcular
E desato a fazer contas
Que são todas de sumir
Tempo, paciência
E pouca, muito pouca ciência.

Para entreter o entendimento
Coisa mais densa,
Já aprece o eu,
O lugar e a história
O contexto, as coisas e o mundo
E cresce uma malha
Toda ela entrelaçada.

E vem, aos trambolhões,
A alma entreter-me
Brinca coma razão
E aflige-se com o entendimento
Enche-se de angústias
E brinda ao pensamento.

Em tudo isto fico eu
A saltar entre argumentos
Palavras que sulcam
Lavrando caminhos
E deixando-me sem certezas
Mas com muitas respostas.

E se, de repente,

E se, de repente,
O mundo se fechasse
E todos ficássemos
Sem respostas...

Vazios de mundos
Apenas com o migo
E só ele para conviver,
Falar e pensar.

E quando acabassem as palavras
Acabavam também os ouvidos
Apenas restavam olhos
Que já nada viam

Sem palco nem plateias

Sem máscaras até,
Quais fantasias e
Coisas para se ser


E de retorno ao mundo fetal
Enrolados na nossa alma
Obrigados a ser apenas
Um eu sozinho

Não há mais um outro
Para ser ou estar
Assim como no princípio
A nudez da alma toda.

Momento desconcertante

Li, num comentário que me enviaram, que parte considerável dos actores e comentadores da politica nacional obedece à maçonaria.
Eu tenho, para mim, que a maçonaria, sendo vazia de qualquer valor diferente mais não é que uma sociedade em que a rapaziada se junta para planear os ataques que por aqui andam. Sendo, a cada dia que passa, mais um bando de malfeitores.
Se a maçonaria teve alguma relevância quando a sociedade estava subjugada à Igreja, isto é, até sensivelmente ao fim da segunda guerra, ainda posso aceitar, pois havia pessoas de bem que apesar de serem católicas, ou protestantes, não concordavam com os ditames desta e, em conjunto com outras pessoas, discutiam temas sérios sem as obrigações da sua fé. Mas hoje em dia??? Em que vale tudo menos arrancar olhos? Que sentido tem?

O único sentido é o da ganância pessoal. E isso é execrável.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ao caderno!

Ao caderno!
De volta ao trabalho
Chega de nada
Que o nada não existe

Aqui, de longe, te vejo
Infame preguiça
Que me persegues a mão
E calas a alma.

Sinto-me um poeta?

Sinto-me um poeta?
Não! Mas às vezes quase sim.

Corre na minha alma
Uma vontade de dizer
E também de dizer-me
Assim como sou,
E também como sinto.
O mundo onde estou
E o inferno com que vivo.

Querer tudo e nada
Já, imediatamente,
E depois, nada,
Absolutamente!

Chorar, como quem grita
Numa fúria que nunca se cala
Moinha que se enrola,
E assim se aninha.

E suspirar fundo,
Sem sentir energia
Nem pausa, nem sossego,
E a alma com uma avaria.

E se disso resulta ser poeta
Então sou poeta!
E se resulta ser nada
Então que incomodo é
Ser apenas eu!

Que mania

Passeava um umbigo
Abrigado por um soberbo peito
Que, afinal, até eram dois
E desconcentrei-me
Que coisa esta de abanar
E saltitar à minha frente,
Este ânimo de Deus
Que se produz todo
Como apelo à procriação
E, caramba, assim não pode ser
Homem que é homem
Fica-se todo cheio de aflições
Levanta a sobrancelha
E abre o olho até lá caber
Todo o horizonte saltitante.
Respira fundo
E num momento único
Agradece ao Criador
Quer o acto de criação
Quer o ânimo da apreciação.

Um momento de loucura depois de por mim ter passado um ninfa do Tejo que se passeava de mão dada à sua cara metade.

Meditações

Às vezes, quando colocamos algumas questões essenciais e vitais em causa, é como que todo o nosso mundo pudesse ser colocado em causa e, por isso mesmo, todas as mudanças são possíveis. Nada é para sempre, tudo é temporário, tudo reflecte uma adesão que se confirma todos os dias.

domingo, 28 de outubro de 2012

O amanhecer


Trabalhar de manhã tem coisas destas. O fogo nascia debaixo de uma camada de nuvens.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Desenhos


Desenho apenas. Os óculos são propositadamente grandes


Um doce a quem descobrir onde descobri este modelo


Jovem a ouvir música no autocarro


Mais um desenho que vale outro doce... Mas este maior!


Um desenho a descambar para a caricatura!

Com este aparo

Com este aparo
Vou escrever de outro modo
Não a alma piegas
Mas o coração que é fogo.

E dir-te-ei com ardor
Que os braços te apertarão
E a boca se colará à tua
Num frenesim d'amor

Vais chorar palavrinhas
Enquanto conseguires
Depois só dirás
Somos um, meu amor!

Dói-me o silêncio

Dói-me o silêncio
Onde não há quem fale
E diga, simplesmente,
Palavras de vida

Porque há sempre outro
Sentir ou influenciar
Na palavra que fica torcida
Nesse modo de estar

São palavras que ficam por dar
Como a mão que se abre
Até à largura dos braços
Para receber e amar.

Técnicas de desenho

Em tempos que já lá vão, quando, numa qualquer aula de desenho, me disseram: "o que têm que fazer é repetir EXACTAMENTE aquilo que estão a desenhar. Isto não é desenho livre." fiquei um pouco espantado e reflecti para os meus botões. Que frete! Na altura tinha na minha frente um decepcionante búzio, todo cheio de curvas e contracurvas, sombras e perfis repetitivos que se seguiam à medida que o búzio aumentava o seu tamanho.

Desde então, sempre que estou a desenhar retenho este ensinamento, e procuro sempre obrigar-me a executá-lo. Não é fácil, pois que às vezes a realidade segue determinados ritmos e sequências em que bastaria repetir a primeira, mas, e nesses pequenos instantes lá está, aqui e acolá a particularidade na sequência. ( a bem rigor é a verificação que o socialismo não existe, pois nada é igual ao outro, quanto mais um ser humano!) E se forem 15 objectos, aparentemente, iguais, que sejam os 14 restantes desenhados com tanto rigor como foi o primeiro.

Céus!

Ultimamente tem sido só cantares da minha alma e postos em modo de poesia.

Há tempos assim, em que as coisas aparecem numa revoada de emoções que, tal como a chuva dos últimos dias, parece que quer cair toda de uma vez só.

Também, e tal como nesses dias de chuva, podemos sempre passar ao largo...

Falei, em tempos,

Falei, em tempos,
Com uma alma gémea
Também sofria de amor
Andava desolada.

E pegou em duas moedas
Exibiu-as no ar
Ficou satisfeito
Diz que encontrou o amor

Eu, que não tenho moedas,
Mostro estas linhas
Recebo um beijo
E outro tanto em carinho.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Andei à tua procura

Andei à tua procura
Dentro da minha memória.
Passei por todos os anos
Revi todos os momentos...

E não te encontrei!
Desfiz-me em trabalhos,
Onde estarás tu?
Que eu bem sei quem és!

Senti uma dor imensa
De pensar que te perdia,
Que jamais teria
Aquele meu tempo de ti.

Quebrando a vontade e
Sentindo só angústia,
Pavor da minha solidão,
De um eu onde não estás!

De me ver sem ti
Volvi à tua procura
Já de rastos
Saí, até, da memória

Não percebi
Que, desde sempre,
Só habitavas
No meu coração!

Padeces do teu crime

Padeces do teu crime
De amares sem pedires a quem
Nem a outrem
Apenas à tua alma

E abre-se todo um ciúme
De quem não é por ti amado
Desejado e feito calor
E morada das tuas verdades

De quem não entra nos teus olhos,
Nos teus sonhos e na tua alma,
No teu futuro e nem será,
Sequer, parte do teu passado

E definham, assim,
Noutro amor por ti
Que não chegou a ser
Mais que um afecto.

Mas que a alma viva
Sempre que o sol nasce
Amor, ainda que mero afecto
Pode, um dia, ser luz.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Criar


Criar
Ou do processo criativo
Nem vale a pena pensar
Ou está lá
Ou saiu
E se saiu
Ninguém sabe se volta
Quanto mais, quando.
E é só.
Mas repita-se o infame
Insulte a sua alma
Chame-lhe, então, criação
Usurpe-se ao Criador.

E, de novo, de volta ao vazio


E, de novo, de volta ao vazio
Lugar vago, de encher espaço
Do corpo ao das mentes alheias
Com nadas, intermédios de acção

Nem sequer em paz, ou sossego
O tempo que urge, rápido
Para noutros se perder
Longamente, e vazio

E ao fundo, solitário
Um ínfimo pequenino
Procura no olhar em fenda
Onde pára a minha alma.

Também nem sei dela
Perdi-a ainda há pouco
Pendurada nalgum cabide
Qual casaco que se despe.

Que manhã!

Acordou com um capacete acinzentado ou uma daquelas cores amaricadas do momento que sempre se viram nas viúvas, mas com mais cinza.
Depois abriu num azul cheio de luz. Daqueles que dá gosto ver.
Agora, de novo, a cinza a descer sobre nós!

Será?

Vejo uma bonita mulher que, naturalmente, exibe a sua figura, bela e harmoniosa. As pernas torneadas e lançadas na justa proporção. Um decote que adivinha um volumoso e firme peito com um delicioso sulco cavado. As ancas que se sacodem a cada passo, exibindo, ao centro, um rabo empinado e desenhado pela pena celestial. Um umbigo que resultou no toque de Deus na criação e antecipa um monte de vénus com o perfume das flores do paraíso. No rosto um sorriso doce e um olhar de mel.

E será assim na intimidade? Depois do desejo, a concupiscência, e até o amor lhe ter arrancado todos e cada um dos seus artifícios e instrumentos do jogo da sedução?

Será a mesma confiança, o mesmo sorriso que abre a possibilidade de uma promessa, ou ficariam uns braços pendurados com umas mão trementes a correr para o seu perfumado púbis, e as costas a arquear na vã ilusão que desse modo poderia esconder, ou disfarçar sequer, o firme e volumoso peito?

E, consumado o acto, qual das duas vencerá essa luta?

Sendo o homem um predador de todas as formas femininas, saberá, seguramente, aceitar o destino, sendo que tudo fará para o adequar ao seu destino.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A uma distância de ti

A uma distância de ti
Que é mera ausência
De ti no meu mundo
Neste meu, que é teu tempo.

E volto que entro
No tempo da presença
Em que havia isso
E mais, mais tempo.

E o tempo não tinha fragmentos
Era todo inteiro
E agora é apenas na memória
Que os prende todos

E os leva de volta a esse tempo
E encaixa-os numa linha
Um fio condutor
Que sobrevive nesse amor

Sem rosto nem corpo
Suspensão de emoção
Num momento luminoso
Que faz a saudade de ti.

Quanto vale um amor?

Quanto vale um amor?
Não que o meça em ouro
Ainda que brilhe sem fim
Como a lua que o criou

Quanto vale em emoção
Da lágrima da comoção
Quando o sim tardava
E no beijo que tudo selou

E quanto vale em verdade
Em nudez da alma
Que também se faz corpo
E se entrega toda?

E quanto vale em sonho
De tanto paraíso,
De sol e primavera
Ao som de todos os sorrisos?

E quanto vale na memória
De todos os momentos
Que foram o princípio e o fim
De um único tempo?

Quanto vale um amor?
Vale todas as emoções e beijos
Momentos cheios de verdade
Que ficam sonhos na memória

E nessa memória,
Instante de tempo
Que é meu e teu
Toda a eternidade!

Praça das Caldas


Noutro registo completamente diferente fiz esta foto. Tinha acabado de comprar uma lente de 200 mm e achava que podia que, em 14 de Novembro de 2009, podia esconder-me entre as pessoas e fotografar expressões. Fui miseravelmente apanhado logo na primeira, esta!
A cara desta vendedora diz tudo. Percebeu que a estava a fotografar. Gostei do resultado e acenei-lhe com a cabeça.
Também gosto muito desta foto.

Na doca de Peniche

No dia 16 de Agosto de 2008 levei os meus a uma visita/descoberta da lota de Peniche. O intuito era conhecer e perceber como se faz o negócio do peixe e, claro, quem o faz.


A ausência de expressão deste rosto deixou-me absolutamente perplexo. Perguntei se me deixava que o fotografasse e ele com esta expressão disse que sim e ficou a olhar para a máquina à espera. Já fiz uma exposição com esta fotografia que foi vendida. Continua a ser uma das minhas favoritas. 


Esperar, sentado e a olhar para o mar que lhe devolvia a luz do sol.


Um intermediário do negócio do peixe a conversar directamente com o capitão do barco. O cigarro a queimar-se na boca.


E a viúva. Há sempre viúvas que ficam em terra enquanto o mar lhes faz o preto. Depois, se com ganas e unhas, fazem a sua vida como donas de embarcações onde as relações com os capitães podem ser fogosas ou simplesmente de serviços prestados.
No caso presente nada indaguei, pelo optemos por honrar o preto imaculado desta senhora.

Ausência


Esta foto foi tirada a um jardim dentro das muralhas de Óbidos. Como é sabido, ou, pelo menos eu sei, há muitas moscas, pelo que a solução encontrada para manter o conforto da refeição são estas cortinas que bailam na brisa.
O ambiente que se sentia no ar era de satisfação, de convívio, de festa, de amizade, de gargalhadas, ainda que apenas habitasse esta casa um casal octogenário muito simpático e delicado.

Na foto, fica-me uma ausência calorosa de uma saudade que conforta o ânimo. Passou por aqui Amor.

De um jornal diário Metro

Fidel afasta rumores da sua morte... Mas os rumores, esses infames, não desistem e preparam já uma manif no fim de semana!

Menos mortos na estrada. Presumo que já os tenham arrumado no cemitério. Não dava jeito e, sobretudo, era inestético!

Para onde ia já...

Ficar no alpendre, e perder-me dentro de mim e na minha alma. Sem amanhã. E até que o Sol se ponha, alí, atrás dos eucaliptos.

Eu a pensar na minha casinha à beira da Lagoa...

Quase nada

Um sensual decote
Com uma bela moça
Que numa bicicleta,
E de rabinho alçado
Subia a Alameda.
Ela em esforço
Eu em prazer
Inegavelmente um conjunto!
Ver e ser visto.

Apontamentos

Hoje, ao passar no Marquês de Pombal, vi uma gaivota em cima da cabeça do Marquês. Para além de ser uma circunstância curiosa perguntei a mim mesmo o que teria feito a ave ali pousar.

Ler como se fosse um happening cultural, daqueles que nada diz, mas faz uma figura bestial e há logo um coro de gente a aplaudir...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Desenhos


O cinema Império visto da paragem do autocarro que me leva para o emprego. Para ser verdadeiro tinha que escrever a frase da IURD que está lá em cima, mas como isso me incomoda particularmente, substituí por uma recreação do nome do cinema.


Dentro do autocarro. Em vez de reproduzir o personagem, optei por reforçar um pouco os detalhes mais desagradáveis. Pregos em vários sítios da cara, um carrapito em cima da cabeça onde apareciam umas estrelas inacreditáveis.


E a minha filha Luísa feita a caneta de tinta permanente, ou seja apenas com a passagem de um traço e sem correcções que o lápis permite. Dá uns ares.

Não me abandones

Não me abandones
Nem me deixes, sequer

E sofro as dificuldades
De uma alma que se extingue
De si mesma e de um futuro
Que insiste em ser passado
E maldigo o momento
Em que acendo essa luz
Que me marca e carrega
Para um chão lodoso
E choro-me sem sonhos
Sem projectos ou desejos
Apenas acabar
E ser fim

Por isso, alma minha
Não me abandones,
Nem me deixes, sequer
Isto é um estado passageiro
Vamos ser princípio
Vida e iniciar
Mais um momento
De amor
E criação!

Era uma vez

Geralmente é assim que começam as histórias que nos querem oferecer um mundo para descobrir. No outro dia, a pensar numa história, resolvi começar pela atribuição do lugar onde se iria passar a acção e começava assim:

"Num povoado atrás das serras vivia um conjunto, pequeno, de famílias."

Assim já não iniciei com "Era uma vez uma família..." e depois podia voltar a dizer que vivia num povoado atrás das serras, ou esquecer a localização, e partir logo para a descrição dos "heróis" ou personagens da história a contar.
Esta dinâmica da escrita completamente livre é fascinante. Carrego nas minhas ideias e pequenas manias sobre a escrita ( podia dizer literatura, mas teria que me atirar para o chão a rir-me de mim mesmo, e não o fiz porque me podia magoar, é que o chão, ainda que alcatifado é rijo!)

A ideia de povoado atrás das serras, deixa duas possibilidades no ar. O dito povoado está escondido atrás das serras, ou serão as serras uma circunstância da natureza que dificulta o acesso a esse povoado? Uma ou outra abrirá de imediato possibilidades distintas para o objectivo da história. Se é de gente canalha, é a primeira hipótese, mas se, por outro lado é de gente boa, então a segunda dá mais carinho.

Na minha alma


Na minha alma
Tal como no meu mundo
Ninguém sabe o que amei
Nem, sequer, até onde.

E, desses amores,
Que tantos foram
Tal como alguins ainda são
São, pois, os meus amores

E mesmo tu amada
Que não sabes como te amei
Se e como te desejei
E como te contemplei

Podes até ter sido rainha,
Princesa e luar encantado
Sonho e noites acordadas
Do tempo sem tempo

E todo esse amor
Que sulcou o afecto da minha alma
Ainda m'encanta
Mesmo sem olhar para ti.

E, imagina lá, amada
Que um dia sentes calor,
Afecto, e até conforto,
És essa imagem em mim

E ainda assim
Não me incomoda
Nada ser para ti
É em mim que vives

sábado, 20 de outubro de 2012

Coisas que m'incomodam

No Pingo Doce, a primeira frase da menina da caixa:
"Vai desejar sacos?" 
Posso estar na meia idade, careca, gordo, mas ainda tenho desejos decentes! Dou alguns exemplos:
Scarlett Johansonn, Penelope Cruz, uma garrafa de barca velha, uma lagosta, o euromilhões, ser surpreendido...

Quem foi o iluminado que obriga as meninas a semelhante pergunta? 

"Precisa de sacos?" é a pergunta!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Verdade

Todos temos os nossos paradigmas, mas há, em primeiríssima instância, que sermos verdadeiros com a nossa alma. Daí para a frente só temos a ganhar.

Chuva

Voltou e com insistência.
Passou a noite inteira a gralhar do lado de lá da janela.
E até houve um momento em que discutiu prolongadamente sobre a caixa do estore.
O ar, de manhã, é límpido e puro.
O chão da cidade foi, finalmente, lavado.
Com a chuva o cheiro a urina de cão desaparece, bem como o resto desse lixo.
E, apesar de gostar muito da água e da chuva, não gosto de andar à chuva.
É que molho-me!  

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O olho

O olho é a porta de entrada da alma. A partir dele construímos um mundo onde acabamos por colocar tudo o que nos rodeia. As pessoas, as coisas e as emoções. Com o tempo aprendemos a fechar os olhos e abrir para dentro. Alguns, fadados do espírito de Deus, conseguem ver a entender a sua alma, outros, a grande maioria, só em crises profundas se aproximam da alma.

Meditacinha

Estou sempre a desenhar caras, sempre caras. Nunca desenho a alma, apenas a cara, essa máscara!  Que tudo esconde e apenas, e por vezes, deixa vagos fragmentos, vestígios do que há para lá do olho.

Curtas

Compramos ouro. A melhor cotação!
Eu compro felicidade. Dou a melhor emoção!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Desenhos

Na sala de espera do oftalmologista. Desenhando com óculos escuros porque tinha partido as lentes brancas.





domingo, 14 de outubro de 2012

Desenhos












Em tons de azul

Ontem, ao fazer a higiene dos óculos partiu-se ( forma tão simpática para dizer que parti!) um das lentes. E, à boa maneira de um forreta, os últimos óculos foram utilizados até a massa se partir, quando obviamente tive que fazer uns novos. Resultado, não há óculos ou lentes de substituição brancas.

Passeio até aos óculos de sol. Os últimos e mais recentes ( do ano passado) as lentes são, por cretinice minha, muito escuras, logo ou está muita luz, ou ando às escuras. Os anteriores ( sim, ainda os tenho!) tinham uma haste desaparafusada) têm uma lente menos escura, mas pior acuidade visual.

Resultado vejo mal, parece que sou um dealer da droga que anda dentro de casa com óculos escuros! E em tons de azul.

Desespero por segunda feira para ir gastar uma pipa de massa!

As dúvidas

Novamente me perco nas minhas dúvidas sobre o quê e para que serve aquilo que vou deixando escrito. Ontem, numa reunião familiar, voltaram a perguntar-me para quando o livro. Não uma ou duas pessoas, mas mais. Fico sempre suspenso.

Primeira suspensão. Será que aquilo que escrevo tem intrinsecamente algum valor? Ou, sequer o valor mínimo para ser impresso?

Segunda suspensão. Publicar um livro é, também, um capricho. Valerá a pena incomodar os meus, bem como alguns amigos, por um capricho?

Terceira suspensão. É honesto, publicar um livro e depois convidar parentes, amigos e colegas para os "obrigar" a comprar um exemplar?

Quarta suspensão. Na actual conjuntura do país, quem é que está interessado em saber nas lastimas da minha alma?

E, sendo eu do tamanho que sou, imaginam o esforço que é necessário para tanta suspensão?

sábado, 13 de outubro de 2012

Mais uns desenhos

 

Na praia, a minha sobrinha enroscada a ler.


Também na praia, a minha filha a ler uma revista.


Primeiro o desenho de um cone, depois uma cara.


Um rapaz que estava muito cansado no autocarro.


No banco à minha frente, esta senhora lia um livro.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Fotografia


A preparar-me para ir de fim de semana. Ficar assim de estado de espírito. Leve, tranquilo, com muito ar à minha volta, o barulho do mar, o vento a cantar nos ouvidos e a luz da beira mar.

Temos muita sorte de termos tanto mar à nossa porta, à distância de um nada. Para contemplar, para passear, para brincar, para cheirar... enfim

Foto da costa atlântica do Oeste, um pouco a sul da Lagoa de Óbidos, tirada a 11 de Agosto de 2007, numa baixa mar. Ao fundo a praia norte do Baleal e a própria ilha encantadora do Baleal.


Dom Carlos


Várias aguarelas marinhas


A "minha" Lagoa de Óbidos. Desenho


O Menu para um jantar em Vila Viçosa.


Mexilheiro


Uma mulher ao vento

Comunicar

Uma das consequências da internet é que comunicamos muito mais com o mundo do que alguma vez o fazíamos. E se anteriormente era um email, depois foi os blogues e agora estamos no facebook.

O tempo em era o carteiro, uma vez por dia, e aos dias úteis, passou completamente de moda. Até nos postais de Natal esse hábito caiu. Agora são emails e mensagens de telemóvel.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Desenhos

De vez em quando, sobretudo no autocarro agarro na lapiseira que anda sempre comigo e lá começo a rabiscar o caderninho preto que me acompanha sempre.


Esta foi hoje. Um senhor de idade avançada que fechava os olhos e estava com os braços assim caídos. Os óculos eram um número acima da cara.


Esta parece caricatura, mas acontece que a senhora tinha mesmo um perfil particular e não era de todo harmonioso. Talvez por isso mesmo resolvi desenhá-la.


A ideia era fazer um esboço de uma posição. Mas, por ventura por falta de objecto as proporções saíram mal e não gostei do desenho.  


Aqui o que me fascinou foi a postura completamente dobrada e encaracolada do rapazinho. Não tanto o rigor do modelo desenhado, mas a postura.


Aqui um bebé mulatinho, diria menina pelo penteado. Ao desenhar o nariz carreguei demasiado na lapiseira e ficou ponteagudo, o que está obviamente mal.. Mas gostei do sono da criancinha.

Para opinar



Esta foto é do meu trisavô, de seu nome José Tomaz de Cáceres. Nasceu na Barreira a 12 de Junho de 1839 e foi baptizado na Sé Catedral da cidade de Leiria a 6 de Julho do mesmo ano. Fez Carreira militar. Casou a 15 de Agosto de 1868 na Igreja de São Paulo em Lisboa, nessa altura morava no segundo andar da Travessa dos Remolares n.º 46, ao Cais do Sodré. Morreu em Tavira, onde se encontra sepultado. Estudou no colégio Militar. Alistou-se livremente a 24 de Agosto de 1861 na carreira militar, sendo a 2 de Setembro 1º Sargento graduado aspirante a oficial. Foi promovido a Alferes graduado a 12 de Julho de 1864, sendo Alferes efectivo a 10 de Maio de 1865. No ano de 1867 é transferido do Batalhão de Caçadores 5 para o Batalhão de Engenharia. Foi promovido a Tenente a 19 de Julho de 1870. Foi promovido a capitão a 19 de Agosto de 1876. Foi promovido a Major a 27 de Maio de 1885. Transita para o batalhão de infantaria 7 no ano de 1877. Foi promovido a Tenente Coronel a 7 de Maio de 1890. Promovido a Coronel a 29 de Março de 1894. Foi nomeado governador da praça de Peniche. Foi agraciado com o grande comendador da Real Ordem de São Bento de Aviz 


por decreto de 1 de Janeiro de 1895, ordem do exercito n.º2, 2ª série. Volta ao batalhão de Caçadores 4 em 1897. Morreu às 8 horas e meia da manhã do dia 7 de Agosto de 1898 numa casa da Rua da Corredora na freguesia de Santa Maria do Castelo de Tavira. Foi sepultado no cemitério da ordem terceira do Carmo da cidade de Tavira.