terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mais um poeta

"De que serve ao amante o amor que não germinará na terra infecunda" - Vinicius de Morais

O amor que não germina na terra infecunda é um drama de quem ama. Qual é a terra infecunda? Desconheço de todo. Admito, desde o fundo da minha alma, que a essência do homem é o amor e é essa a pulsão essencial do seu ser. Todos nos movemos por amor, para amar e para sermos amados. Assim não há terra infecunda.

No entanto, e sem nunca desdizer o poeta, aceito que a "terra infecunda" pode ser o facto de dirigirmos o nosso amor para alguém que, de todo, não entrou na nossa sintonia e não encontrou nenhuma pulsão afectiva connosco. Assim a dor do poeta já é mais sentida pois que pergunta então de que ser a quem ama, amar alguém que não devolve essa afeição.

Para além de ser o drama de tantos casos de amor, a ideia é mais profunda, pois que não devolve a afeição porque não gera sequer afeição. É como amar uma parede. Não há outro retorno que o retorno interior do amante de viver esse amor sozinho.

Será uma figura poética ou um drama de quem ama?
Acredito, todavia, que se formos amáveis ( nos tornarmos objectos/alvos de amor) acontece a afeição que poderá, eventualmente, até a vir a ser amor.

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