terça-feira, 31 de julho de 2012

Meio termo

É difícil, no entanto deve ser objectivo. Ou, pelo menos aceitar desde logo a possibilidade de não se ser detentor em absoluto da verdade, ou do que quer que seja.

O erro

Conheço o erro. Aquilo que é indevido, que não está correcto, que devia ser negado. E acontece repetir vezes sem conta.

Sem justificação.

É erro. Rectifique-se!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Uma tempestade

Algures, numa área da minha vida acontece uma tempestade. O ambiente adensa-se, o mar encrespa-se e acontece algum ribombar de trovões e raios.
Diz o ditado que após a tempestade haverá a bonança. É certo e seguro que assim será.
Também é sabido que estes momentos são momentos de crescimento. Tudo verdade.
Mas quando o filme é repetido, por vezes, não há vontade de rever certos enredos.

Vamos respirar fundo e ser.

Para escrever

Mais que ter vontade, o importante e ter o que dizer.
Acontece, por vezes, que nem sempre é em frente ao computador que os pensamentos ocorrem. Mas essa é também a graça de se ter a possibilidade de criar partilhas como esta.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mais Torga

"O mais dramático na vida dum poeta é que ninguém o aceita como ele é. Todos o querem como eles são".

Já há pouco havia referido esta mesma coisa bizarra do conhecimento. Do outro retiramos o que nos interessa. Seja esse interesse positivo ou negativo. Há uma transferência para o outro do nosso querer, das nossas vontades e desejos. E isso é a nossa realidade. Ou seja a nossa vontade de ver o mundo pelo olhos daquele diabinho que nos habita.

Levar este raciocínio ao limite é acabar por ser absurdamente incrédulo com tudo. Sentir este raciocínio e integrá-lo na nossa vida é o princípio de um compromisso. 

Torga escreveu isto

"Ninguém sabe nada de ninguém. Todos nos mentimos uns aos outros."

Na primeira frase o que mais me fascina é o dado de que, de facto, o que sabemos dos outros é inevitavelmente feito por aqueles momentos que com o outro vivemos e, sobretudo do que deve retivemos, senão mesmo refizemos. Não temos a história toda. Há sempre tempos que não são nossos. Até a intimidade do outro, a zona dos pequenos pecados, e até, a dos grandes pecados. Depois acresce que apenas deduzo sobre o que sinto e porque o faço do meu modo, mais um bocado para desfazer a certeza do conhecimento.

A segunda frase de Torga é, então arrasadora. A verdade não existe. Somos todos actores, e por ventura maus, a desempenhar um papel que se adequará com as nossas expectativas.

E ainda não é tudo o que se podia dizer.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ser solidário

Diz-me Alçada Baptista que a expressão "solidariedade" é a versão da revolução social dos idos de 60 de "caridade". Isto porque na mudança do conteúdo da mesma realidade a percepção é diferente. Assim a expressão leva o pensamento para uma noção em que se ajuda pela ideia de conjunto, pelo grupo, enquanto que a segunda, apesar de estar sustentada no amor, tem fortes ligações emocionais a um mundo relacionado com a Igreja.

Não deixa de ser curiosa esta reflexão, acima de tudo se com ela se alargar a todo uma imposição linguística que vincula o individuo a um determinado caminho de opções, desligando-o do passado.

Conclusão: Refundar a língua ou criar uma terceira via que englobe as anteriores e leve o indivíduo a uma liberdade interior com todo a espaço para a espiritualidade intrínseca.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Triste pio

Um pio que se finda após uma existência sem grande notoriedade.
Assim se passa pela vida.

De notar, no entanto, que o pio, apesar de triste piava, enquanto que outros que se finam nem piaram. A vida, na sua multiplicidade tem sempre destas coisas. O difícil é descobrir as verdades superlativas que servem de pontos cardeais da vida.