segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Próximo dos minutos fatais

Próximo dos minutos fatais
Em que definitivamente
Viramos costas ao último segundo
E acolhemos o que virá depois

Planos desejos e juras,
Assim como promessas mil.
Tudo de novo como o Ano,
Numa alma que se quer estrear.

É como virar uma página
A tudo o que não queremos
E peneiramos o presente
Numa ambição de futuro.

Que assim seja, então!

Angústia

Ao longe vi uma ambulância
Reclamava "Transporte de doentes"
Escondi-me de imediato
Não vissem eles a minha alma.

Chove

Será uma passagem do ano bem molhada. Alguns investimentos, arriscados, não vão ter o retorno desejado. Nem sempre se acerta.

Meditações sem nexo

Com esta história da passagem do ano intensifica-se a minha dúvida de sempre: "onde começa o tempo?"

A terra é redonda, pelo que é difícil perceber que por escassos quilómetros, de Samoa para a Samoa Americana se mude de dia.

Podemos imaginar frases ridículas que se podem aplicar: "Vou ali até ao futuro" ( indo, obviamente a Samoa), assim como a inversa "Ah... Estas viagens ao passado dão cabo da minha alma!"
No fundo, a ideia é que em algum sítio o tempo tem que ser dividido, pois que não pode haver um tempo igual em todo o globo terrestre, pois que a posição deste face ao sol é distinta consoante a sua localização.
Imaginemos que essa linha estava, em vez de ser no Pacífico, no Atlântico, e que cortava entre o continente e os Açores... imaginam a quantidade de piadas que os Açorianos nos dedicariam? Bem como o oposto, sobretudo a incidência do tempo sobre aquele dialecto fantástico.

Mas voltando ao essencial, definiu-se uma linha, que no fundo vai até onde ainda existe América onde o tempo se divide de um dia para o outro dia. No caso concreto das Samoas acredito que o Homem encontrou um modo de ultrapassar esta dificuldade, ou então acabou por a integrar de tal modo no seu dia a dia que para eles é normal e sem qualquer dúvida.    

2013

Podem todos descansar em plena tranquilidade. 2013 é uma realidade na Nova Zelândia há mais de meia hora!
Portanto estão todos 13 horas atrasados.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Jim Steinman - Surf's Up


Talvez a música que mais marca a minha vida. É recorrente. Vezes e vezes sem conta. Dantes no prato do gira disco. Depois, desde a internet, uma das primeiras músicas que fui buscar ao Napster. Hoje no computador, em CD, no telefone, e sei lá onde mais.

A quem tiver a paciência para ouvir, escutar o trecho que começa no minuto 4:25. Ao nível de Phil Collins em In the air tonight.

Tempo.

Empurro este ano borda fora!
Já não o posso ver.
Estou saturado.
Mas ainda vou ter que o gramar
Mais umas tantas horas.

E andam por aí uns tantos
A combinar novidades
Para essa hora
Em que se passa de um para um
O mesmo, afinal.

E se pensam que muda
Nem o segundo muda
É mais do mesmo
Nem a vida que se reinventa
Ainda que muitos se esforcem.

E, depois, com calma
Lá voltamos a esta coisa
De marcar dias no calendário
Até que seja tempo
De festejar outro evento.

Sem duvidar

Eu vivo na minha aldeia, onde o meu vizinho, que é arquitecto não vive. Ele diz que a planeia. Eu tento atravessar um jardim, mas tenho que o contornar para melhor poder ver a natureza. Eu quero ir até ao centro, mas tenho que ir à periferia deixar o carro e apanhar um transporte público. Eu quer ver uma bonita escultura, mas tenho que colocar uns binóculos pois que a correcta percepção deve ser feita desse modo. E às vezes, quero ir à casa de banho e a porta abre para fora!
Nas casas o sul e o norte deixaram de contar, contam metros quadrados. A altura do tecto está definida por  uma norma comunitária.

Um dia destes tenho que convidar o arquitecto para a aldeia dos meus antepassados. Lá, as coisas tinham sentido e eram utilizadas para gosto das pessoas. Era a universidade do tempo e da experiência. Hoje é da moda, não é?

A casa deixou de ser um lar e passou a ser um T qualquer coisa.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Rasgando-me

Rasgando-me
No nada que trato
Na pequenês em que me situo
No ínfimo da minha alma

E volto sempre
Miserável,sentido, culpado,
Odiado de mim mesmo
De ter sido alerta.

Que chatice esta
De se ser do que ninguém quer ver
De se ser voz de outro
O que nunca se confessa

De ser alma condenada
A todas as mortes
De todas as verdades
Que afinal, foram sempre mentiras.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

No céu o azul foi lavado

No céu o azul foi lavado
E ainda se vêm bolas de espuma
Brancas, gordas e fofas
À espera do vento que não corre.

E brincam paradas
Com a minha imaginação
Um cão, um gato ou um anão
Ou apenas a minha meninice

E os pássaros que volteiam
Gralhantes e conversadores
Não dizem que é Inverno
E que o Sol assim brilha

E lança uma luz quente
Que abraça toda esta terra
E eu, assim no meio
Até penso que é tudo para mim!

Estava à espera dela

Estava à espera dela
Todos os dias
A todas as horas
Esperava-a sempre

Era quase obrigação
Esperar aquele amor
Na certeza que o tempo dava
Num amor que assim afirmava.

E o tempo passou
Muito, quase todo
E a espera mantinha-se
E ele também.

E o amor afirmado
Já não tinha rosto
Nem corpo, apenas alma
Que esperava na eternidade.

Lendo os clássicos

"O amor é a preferência exclusiva de um homem ou de uma mulher por um indivíduo de sexo diferente"

Imagine-se só a balbúrdia que seria se um elemento dessas seitas proto-esclarecidas se desse ao cuidado de ler esta obra de Tolstoi? Ou a bania das bibliotecas, classificando-a como arte menor ( se chegasse a arte), ou desprezaria o autor, venerando os que estimulam seja a não exclusividade do amor, seja a escolha o mais diversificada possível dos indivíduos, podendo os mesmos ter as formas mais imaginativas que se possam supor. Afinal, e para estes, a arte é tudo...

Vamos ser um pouco mais objectivos, então. O Amor é, de facto exclusivo. Quanto à possibilidade do mesmo ser homossexual, não faço a mais pequena ideia, pois para lá de ter excelentes amigos homens que amo com imensa fraternidade, não tenho a mais pequena pulsão sexual por eles, pelo que não sou capaz de pensar essa circunstância. Não a nego, não a censuro, não a proíbo. Desconheço e, como tal, o silêncio assenta-me melhor. Conheço, é certo, pessoas que afirmam a sua homossexualidade. Desconheço o sentir, mas percebo que sintam isso, e espero vivamente, que sejam felizes.

Ah!...A exclusividade do Amor! Tema perigoso! Ninguém é obrigado a Amar, nem a sentir Amor. Pode até acontecer em momentos... é algo que se sente de forma tão profunda e intensa que só pode ser exclusivo. Não se consegue olhar para outro lado que não seja para o Amor.

Ler é perigoso

" Não prendia o coração e como pagava generosamente, a moral estava salva."

Tolstoi ultrapassa-me completamente! De facto o uso que é dado ao dinheiro tem uma imensão de vezes o efeito de nos sacudir essa pressão tão católica que é a culpa, sendo que esta não é mais que a nossa consciência com dores de fígado!

Bem vistas as coisas...

"Toda a mulher casada sabe que, por mais atraente que seja a sua conversação, o homem ao aproximar-se-lhe, tem apenas em vista o seu corpo e tudo quanto pode realçar-lhe a beleza"

Leon Tolstoi

Ou seja, se alguma mulher quiser prender a atenção de um homem, deixe-se de tretas e exiba um generoso decote!

Lua...


A lua e o luar foram feitos para amar.
Amar como quem se solta
E foge do sono para o sonho.
Para encontrar-se num abraço
Que se faz entrelaçado
De nós, beijos e afagos.

E sob esse luar que nada quer ver,
Porque é cego de razão,
Apenas quer sentir lábios
Mãos e corpos em entrega.
Viver esse sentir, respirar e amar.
Dar-se ali e no momento.
Apenas com a cumplicidade do luar.

E essa lua que assim encanta,
Que desvenda almas puras,
Que encanta corações amantes,
Que chora alegrias de amor,
Que sente a alma no coração
Essa lua, já foi, também minha.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

No campo onde a natureza se impõe


No campo onde a natureza se impõe
Os pássaros chilreiam,
E, mesmo no Inverno,
Cada coisa segue o seu caminho.

De repente, um estrondo.
Uma arma ruge um som,
Alguém produz um esgar
E se dirá mais homem.

Do sobressalto fica um incómodo.
Que tolice tossir assim,
No meio desta sinfonia
Que é a criação em acção.

A preparação para o paraíso


No dito e famoso alpendre, onde o café foi substituído por Earl Grey, porventura o chá mais aromático que conheço (admito que não seja, mas desde a abertura da saqueta à degustação é tudo um prazer sem paralelo).
Alberto Caeiro, que, por acaso, não era quem estava na primeira linha para hoje, desconcerta-me com dois momentos gloriosos:

"(...)
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se não o soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Eram alegres e contentes"

A consciência a pesar o pensamento e a carregar a história do poeta naquilo que ele é e transpõem essa realidade na sua poesia lida e sentida.

"Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho"

Eu, pelo menos, tenho, às vezes, este alpendre...

Na outra minha aldeia

E com o sol, a Lagoa de Óbidos, o verde, o ar e tudo o mais que me faz satisfeito e em paz. Aproveitei, para me sentar no alpendre a ler Alberto Caeiro.

"Aceita o universo
Como to deram os deuses
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado"

Um óbvio esforço para mim, que como homem também tenho a minha mania de mudar o mundo, mas, e sobretudo para todos os que seguem cegamente uma determinada posição que a criação está errada, tem erros que precisam de ser corrigidos pelo ser criado.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ciclo

A 21 de Dezembro o mundo virou costas ao fim do crescimento da noite, e volta-se novamente para o sol.

Com o nascimento de Jesus focamos a espiritualidade nos elementos essenciais da vida. A nova a anunciar traz o seu enfoque na pureza, no amor e na singularidade de um discurso novo a anunciar. 

Numa semana todo este espiritualidade se o fará realidade e no dia 1 abrir-se-à a um novo ciclo e todos dirão Bom Ano NOVO. 

E vamos recriar a vida com o mundo a abrir-se à luz, a alma preparada e o tempo volta ao dia 1.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Que sabes da minha dor?

Que sabes da minha dor?
E ao que ela sabe?
É um amargo que desconheces
E não faz o teu género.

É sentir solidão
Não de corpos, nem de vozes
Mas de almas,
De nenhuma relação.

Linhas que não se cruzam
Nem se entrelaçam
Até frases ficam a meio
E tudo, dentro de mim

Tu estás para o teu retorno
Para o mundo que queres encontrar
Eu estarei, talvez, para o meu,
E, Haverá um que seja nosso?

Ela

Ela,
Gloriosa na delicadeza,
Monumentalidade do género,
Mexe-se como uma flor.

E cada raio de luz
Que trespassa uma pétala
Mostra a sua singularidade
Feita de tantos encantos.

E as cores que explodem
Quando se dá ao mundo.
Onde se sente toda a beleza,
Do seu singular pé ao gineceu.

E treme deliciosamente
Ao sopro da brisa amena.
Uma evidente fragilidade
Que busca um amparo.

E fico maravilhado
Como tudo este encanto
Consegue nascer
Apenas de um olhar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A todas as horas vario

A todas as horas vario...
Rasgo a alma
E procuro o sentido
Com esse sentir


E em todas as variantes
Sou sempre o mesmo
Que se projecta a cada sentido
Que anseia por se definir

E de mais escuro que breu
Às mais alvas cores
Sempre a mesma ansiedade 
De nunca estar completo

Em todo o tempo
Em toda a idade
A alma não repousa
Busca-se incessantemente. 

Ah!  pensar!

We're all alone

Tema de uma música romântica de Rita Coolidge de 1977, que chegou a ser tema de uma telenovela de uma novela chamada "O Astro". Ouvi vezes sem conta a música, mas, e para o efeito, não é esse o tema da reflexão.

Estamos todos sozinhos.

Esta é a verdade mais crucial. Por mais acompanhados que possamos estar, a verdade é que dentro de nós próprios que vivemos e pensamos, e aí, estamos irremediavelmente sozinhos.

Quando te falo

Quando te falo
Ouves-me
Ou ouves-te?
Sou eu ou o meu eu em ti?

Esse que queres,
Que te escuta,
Que te interessa,
Que te faz mundo
É esse que contigo convive?

Ou é este aqui,
Que também te escuta
Que também se interessa
Que também tem mundo
E que contigo também convive?

Diz-me, afinal, é um ou são dois?
E, se dois, frente a frente,
Ou de costas voltadas?

E eu, o que direi de ti?

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cego

Cego
Completamente cego
Inflamadamente cego
Nenhuma razão me acudirá!

Sem nada que segure
A infernal besta
Que me tomou de assalto
Desoladamente

E muito longe
Ao fundo dos fundos
Uma voz lamenta
Toda esta tormenta

Que é nada afinal
Um espasmo brutal
De menino mimado
A quem algo correu mal.

Na nudez em que te deste

Na nudez em que te deste
Era um corpo que se abria
Debaixo de uns olhos tímidos
Mas seguros das suas formas

E a mesma nudez te ofereci.
Meios para o mesmo fim,
Momentos que preparam
A entrega dos que se amam.

E do beijo à fusão
Acordam todos os sentidos
Entendimento de almas
Que se fazem um.

Going to the light


 
Sempre gostei de fazer estas fotos com pontos de fuga.

Inverno



No escuro da minha alma

No escuro da minha alma
Anseio por te encontrar
Para te ter junto a mim
E nesse conforto aninhar

Que me foge a alegria
E a satisfação de sorrir
E de olhos assim vendados
Não tenho para onde ir.

E a minha alma mingou
Arrefeceu e ficou só
Sem espaço, sequer para mim
E da vida, só resta a saudade

Do tempo com sentido
Quando futuro tinha cor,
A esperança era a luz
E os olhos conversavam.



domingo, 16 de dezembro de 2012

Passo em frente

Será dado abatendo árvores, misturando-as com químicos. Depois borradas com tinta e coladas em grupo. Será desta?

Ponto de partida


Ponto de partida

De uma caminhada em que se busca um horizonte feito de sol e cor, de atmosfera e calor, de ar morno e leveza e onde se respira a pureza.
Não há amanhã que se diferencie de hoje, de ontem e do sem tempo.
Tudo sempre igual como a vida ideal.
E quando os olhos se fecham, com o barulho do mar, das ondas a espraiarem-se sobre a areia da praia.
Um sorriso percorre-me todo.

Sabor de Verão e de férias.

Desamar


Porque é que te abandonei
E deixei-me perder-te...
A estrada estava vazia
E o caminho era sempre a direito.

Coisas de se ser ou de se querer?
A dúvida de um erro ficará sempre
Dentro do grande saco da Culpa,
Aquele que me curva as costas…

Amargos do passado
Que estão sempre à espreita.
O efeito de se ter vivido
E o remorso de te ter feito sofrer…

Porque é que se tem de desamar?

Depois de me reler

Cada dia estou mais longe de mim e da minha vida!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Cruel

O Sol ainda está por nascer, pelo aqui na minha terrinha. Os deveres e obrigações de pai cá me fazem estar a pé e a empurrar o mundo para a frente. Tendo em consideração que hoje é o último dia de aulas, para a semana terei mais uns minutos com os anjos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sei lá...



Desce sobre os meus olhos um calor
Cuidei que fosse o amor de mim
Que me queima com ardor
Nestas pulsões que me fazem assim.
Mas afinal era apenas febre
E ninguém cuida de mim!

esnif.. esnif..

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Incómodo

A tosse já se instalou vai para dois meses. E fê-lo de modo intermitente.
O pingo no nariz já cá está. Percorre as narinas com uma cadência muito sua.
O espirro, esse amigo que me estremece, está por cá e tem-se demorado.
A dor de cabeça, essa maluca, já avisou que vem a caminho, mas aguarda melhor altura.
O calorzinho em cima dos olhos desde hoje de manhã que se substitui a qualquer cachecol.

Dizem que é a fruta do inverno, mas cá para mim é mais uma seca de uma constipação!

Ó certezas da alma

Ó certezas da alma,
Aquilo em que cremos
Que são tão minhas como tuas
E por elas nos batemos

Ah!... Batemos....
Tomara que assim fosse
Um amor assim decidido
Vindo do fundo da alma

Um ímpeto de acção
Que arrasta toda a vontade
De se ser coisa feita
Daquilo em que se acredita

Mas mole corre essa vontade
Se calhar até, de nenhum certeza
E desolado se desinteressado
Vagueia empinado e seguro

É mais água que corre
Depressa para a sargeta
Onde depois se junta
A mais água sem mar.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Democracia?

Num tempo cada vez mais livre e apto a receber todos os tipos de contributos, fruto, sobretudo das novas tecnologias a democracia pena os seus últimos dias.

Há uma tendência dominante, assim como na moda, de se pensar tendencialmente de esquerda, temendo a sacrossanta palavra liberdade. Como se a uma qualquer palavra, frase ou ideia o terror de alguém poder pensar fora das regras impostas por esse silencioso marasmo adormecido, uma infecção mais contagiosa que o pior vírus fique completamente à solta.
Mas se a frase vier de um qualquer grupo de esquerda dominante, mesmo seque seja de uma imbecilidade absolutamente inconsequente, o mais que se dirá, é um triste encolher de ombros.
Mas se for um raciocínio que coloque em causa as máximas de uma determinada estrutura completamente gasta e ultrapassada como, por exemplo as greves nos portos, ou nos transportes públicos, aparece logo um tsunami de defensores de qualquer coisa, que os próprios não sabem bem o que é, mas que os imobiliza completamente! Tornam-se ainda mais conservadores que um fascista.
Vivemos cada vez mais numa ditadura de esquerdinha, pequenina, poucochinha e sem saudinha nenhuma.

Socorro!

Desalento

Por questões absolutamente mirabolantes necessitei de copiar chaves à dúzia, ou quase. Necessidades que apenas se satisfazem naqueles lugares meio lúgubres onde uma pessoa com as mãos untadas num creme qualquer que empresta um negrume às mãos que se sedimenta debaixo das unhas. De notar também que a pessoa se curva para debaixo de uma lâmpada que algures num tempo já iluminou qualquer coisa. E perante este cenário lá se desenvolve o argumento.
- Bom dia
- 'dia..- sem levantar a cara do que está a fazer.
Aguardo os segundos necessários para que se estabeleça a mínima linguagem visual de modo a se poder vir a desenvolver o negócio que interessa a ambos.
- Faz cópias destas chaves. São de uma marca bizarra, ao que me disseram.
Lá se levanta e se desloca até perto de mim e examina o espécimen e, num ápice, afirma.
- Cada chave são quinze 15 euros.
Um baque surdo ecoa na minha mente.
- Mas não a posso fazer agora. É uma chave com muito pouca procura, tinha que encomendar.
- Bah... quinze euros que disse... é que eu precisava de várias...
Baixa o tom da voz, aproxima-se e deixa escapar
- Posso fazer-lhe doze euros e meio cada...
- Bom...
- Mas agora é impossível. Não tenho as chaves, teria que encomendar...
- Mas eu preciso das chaves.
- Não faz mal, está a ver aquele quiosque? Em frente ali do café?
- Sim, conheço
- Também é meu.
- Então amanhã eu deixo lá as chaves e combinamos o resto. Eu vou encomendar as chaves.
Segunda cena
Noutro estabelecimento de igual estilo
- Bom dia
- Bom djia, o que é que vai ser?- O cantar brasileiro que encanta e desarma.
- Faz cópias desta chave
- Sim, quantas vai querer?
- Mas parece que é de uma marca pouco usual no mercado.
- Sim, já vi, quantas quer?
- Mas tem disponível?
- Sim, claro!
- E qual é o preço
- São nove euros cada.
- São duas por favor.
Sem nota que mereça, foi feito o negócio e começo a pensar como desfazer o anterior negócio.
No final do dia, passava pouco das cinco passo pelos dois estabelecimentos de modo a tentar cancelar o negócio, mas ambos tinhas as portas fechadas. E coloco dentro da minha cabeça um sino de alerta para tratar de desnegócio logo na manhã de segunda feira.
Terceira cena
A frescura matinal abaixo dos dez graus e o meu destino é a banca dos jornais.
- Bom dia
- ´dia...
- Lembra-se do na nossa conversa de sexta-feira?
- Sim...
- Olhe, acontece que quando sai daqui encontrei uma loja ao pé de casa que me fez a chave por nove euros, pelo que já não vou fazer o trabalho.
- Podia ter avisado, assim não tinha encomendado as chaves.
- Sabe, tentei, mas quando saí já estava fechado.
- Pois eu largo às quatro - e nisto encosta a língua ao céu da boca, e inspira de modo a ser suficientemente audível o silvo do ar a passar pelos dentes fazendo aquele esgar típico.
- Pois, eu bem tentei.
- Pois é, mas podia ter avisado.
- Oiça, e estou aqui a fazer o quê?
- Sim... pois - e mais um silvo.
Nada como um bom encontro com a rude forma de estar de quem tem empregos e não trabalhos para perceber porque é que se coloca de forma tão premente a questão da produtividade neste país.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sou um pedinte de afectos


Sou um pedinte de afectos
Assim como quem pede esmola,
Uma moeda ou o que quer que seja
Até apenas um olhar que me veja

Não a mim, seguramente,
Mas à dor solitária que insiste
De quem se sente parido
Numa alma que não existe

E peço afecto, como pão da vida
Alimento de calor e esperança
De sentir que num amanhã
Voltará a haver a criança

E tombado em mim
Em qualquer rua da minha vida
Deixo isolado um pedaço  
Que é, também, eterno.

Um pedinte de afectos

Um pedinte de afectos
Instalou-se na minha alma
Sentou-se no meio do caminho
E dispôs-se a conversar

Perguntou-me com o olhar
De que te vale o resto,
Se nem Deus nem a eternidade
Têm disso memória.

Levantou-se e seguiu
E tornaram em jorro
Os afectos que pediu
Caindo às catadupas.

Num mar assim cheio
Recupero-o no meu olhar
Também salgado por mim
Disposto a nele navegar.

Explicação

Explico apenas para gosto da minha alma, pois acho que a frase do post anterior se diz por si.

Vivemos numa circunstância em que a militância, bem como o domínio de certos meios de comunicação de alguns cujo ideal é massificar a opinião de todos pelas suas. Assim todas as pequenas fagulhas de pensamento que têm como origem o indivíduo e nele se concentram são sumariamente liquidadas porque contrárias ao domínio destes. Assim um apelo à libertação de tudo e à consciência de si mesmo, fará que cada pessoa se veja liberta dessas pressões e possa, em paz, agir livremente.

É um pouco a minha teoria. Obrigar todos e cada um a usar a sua liberdade individual.

Frases revolucionárias

Privatize-se a opinião! Que cada um tenha apenas a sua! Livre, espontânea, descomprometida, sem medos, voluntária, sem partido, sem pressão, sem esqueletos no armário, sem frases feitas. Apenas pensando, puro entendimento! Era um luxo de país!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Belissimo

O chorar da mulher desprezada não é amar! É o amor próprio que chora. E só termina quando formula a palavra "vingança". Então começa a convalescença.


Há pessoas iluminadas

Nos mistérios de Fafe, Camilo Castelo Branco volta a oferecer mais uma ideia de excepção.

O ciúme é como as silvas, onde caem rapidamente ganham raiz e proliferam.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Camilo Castelo Branco

"Era filho segundo; mas, na estupidez, tivera partilha igual com o primogénito. Pareciam dois morgados. Chegara até ao segundo ano jurídico; porém levara-lhe sete a chegar ali."

Camilo consegue, nestas frases, dar-me uma das maiores satisfações que a leitura dá. O modo excepcional como usa a ironia é fascinante.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Linguagem

Antigamente as pessoas tinham que tratar de uns assuntos, depois passaram a ter que fazer umas coisas, agora estamos nas cenas...

O desinteresse sobre o que temos que fazer aumentou, ou simplesmente estamos a ficar cada vez mais calões, nomeadamente linguísticamente?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Andrea Bocelli - Adeste Fideles (O Come All Ye Faithful) 2009


Para quem não saiba, esta música foi composta por D. João IV, Rei que fará amanhã 372 anos que nos devolveu a independência! 

Portugal e Nossa Senhora



D. João IV, no acto da coroação, coroou rainha de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, colocando-lhe aos pés a coroa de rainha, e que a partir desse momento ficou estabelecida como padroeira de Portugal. Desde aí, nenhum outro Rei de Portugal é representado com a coroa na cabeça, apenas a seu lado.

É Portugal a sério, feito com valores que perduram no tempo! Se argumentos fossem necessários...

Portugal a cumprir-se!


D. João IV no Terreiro do Paço


E a aclamação! Pois que em Portugal os Reis são aclamados pela população a que jura servir!


E há escudo mais belo que o de Dom João IV? Puro, simples e majestoso!

Hoje é dia para planear


Quem é que merece a honra?

Revivalismos

De repente o telefone põe-se a tocar a música - Sugar baby love e... zás, num ápice aterro na minha primeira festa de dança, algures em 1977!
Casa da Didiu e éramos todos tão tótós que fazia dó!

Tema para reflexão

shrink your devils - de uma qualquer música em que apenas apontei esta frase.

Encolha os seus demónios. É um conceito curioso. Não se preocupa minimamente com o facto de termos diabos que nos atormentam. O foco fundamental é encolhê-los!

Boa dica para o fim de semana.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Derreado

Acabo de ser absolutamente espancado mentalmente! Alguém com umas botas de cabedal até à perna, salto fino, corpete justo, olhos debaixo de máscara e um tormentoso chicote!

Coisas de um tempo

Esta música leva-me, sempre que a oiço, para um mesmo tempo que, de tanto a ouvir, já tenho dificuldade de ver o que quer que seja. É, sem a mais pequena sombra de dúvida um dos meus ícones da minha juventude.



A razão de fundo, por ventura, do imenso sucesso que esta música teve na altura está na simplicidade do seu refrão:

I want you to want me
I need you to need me
I'd love you to love me
I'm beggin' you to beg me

O que é que eu queria com 14 anos? Esbrenhec esbrenhec?

Acabo de ser atirado para o canil como cão tinhoso e rafeiro que diz frases como as que ficaram em cima!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Paz e harmonia


Uma das coisas que a praia proporciona é, em absoluto, a sensação de PAZ. 
Abandonar a cabeça aos seus pensamentos e, com o marulho de fundo, o ir e vir das ondas deixar-me ir.
( Praia da Figueira da Foz, 1989)


Fontes como estas são um espasmo cerebral. A água percorre mil vezes o mesmo caminho, e nunca o faz do mesmo modo. Sou capaz de perder a visão tempos infindos e, novamente a cabeça naquilo que lhe vier à mente.
( Figueira da Foz 1989)

Memória e afectos

A nossa memória é essencialmente visual. E com essas imagens memorizamos emoções onde acabamos por construir a estrutura do nosso mundo, essa nossa realidade. Constituímos, assim, uma ordem e uma estrutura que não só permite uma acção conforme, como justifica as opções que vamos tomando.
Há, contudo, momentos em que somos confrontados com imagens, sejam estáticas ( fotografias) e em movimento ( filme/vídeo) que podem não só abanar a nossa estrutura emocional, como colocar em causa paradigmas que temos como absolutos. E porquê? pois não obedecem à história que fomos contando dentro do nosso afecto. Este foi sendo moldado, conformado e até censurado pela nossa alma, pois que sendo esta a casa dos afecto não deixa, também, de ser a casa do entendimento e do discernimento que deles fazemos.
Joga agora o momento, e, por ventura também o futuro. Fico preso à minha memória de mim e dos meus afectos, ou dou um passo em frente, no sentido da auto-descoberta e refaço as minhas certezas?

A questão fulcral é sempre a mesma, a mais cruel de todas. Até onde vai a relação com a verdade? Não a minha, mas A VERDADE, pois que sabemos bem que existe essa enorme diferença.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Leveza


O modo como a gota cai... Vai descendo e acumulando mais massa no fundo, e depois solta uma pérola.

Gostava de me sentir como a pérola que, suspensa, se prepara para naturalmente cair no lago.


Fantasmas


Os fantasmas juntaram-se e acordaram a minha alma. Eram às centenas, cada um trazia a sua aventura, a sua história, o seu drama e todos, mas todos, carregavam um pouco de remorso e um pouco de culpa.

Não fantasma que se preze que não traga remorso e culpa!

E depois não param... andam sempre... às vezes passam somente, mal tocam, outras entram e sentam-se como para ter longas conversas com o íntimo da alma.


Adoro estas fotografias da procissão do enterro, em Óbidos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Trilhos da vida

A nossa vida é como um imenso terreno sem fim que se coloca à nossa frente. O seu chão é composto por uma espécie de barro, que vai gravando o nosso caminho. Ora passos seguros e fundos, ora um quase borboletear que deixa umas fingidas marcas.
Nem sempre vemos todo o trilho, pois que, também, o caminho raramente segue a direito, sendo, esse direito, às vezes curvas enormes, quase redondas.
E, por vezes, já ido longe, me perguntam, que trilho foi aquele, de outro tempo?
Fico parado, não o consigo ver, só relembrando no fundo da memória.

E aí, o trilho que descubro é exactamente o trilho da minha memória, que, por vezes, não tem nada a ver com o trilho da minha vida.

Não sei se é bifurcação, mas este, o da memória, deixa escapar o meu coração. Logo vale muito mais que o outro.

O MEU AMOR


Ui... 
A vida não é nada fácil.......

A guerra

Um homem e uma mulher encantam-se. Reclamam-se e amam-se. Fundem os seus corpos assim como o entendimento.
O tempo passa e ela afirma.
- Somos dois mundos diferentes.

E começa a guerra dos mundos.

Esta é a versão actual do pecado original da maçã.

sábado, 24 de novembro de 2012

Satisfeito

Prestes a terminar a minha responsabilidade sobre o arquivo de negativos do meu avô.

Outono




Cai abundantemente, até na minha alma. Não como folhas gastas e sem vida, mas como lágrimas da vida que se gastaram. Pode ser, este Outono, o alimento de novas primaveras. E serão, então, essas lágrimas, a fonte da vida que transformam esse passado em alimento de futuro.

Com afecto



Vou até este banco sentar-me e esperar por ti.


E posso repetir este gesto até ao fim do tempo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Mais liberdade

Há anos, já alguns, eu era, como ainda sou um adepto das novas tecnologias, da internet e de todo o mundo que se abre com estas ferramentas. Lembro-me sem a mais pequena dúvida de fazer inúmeras conversas com amigos sobre, sobretudo, o e-mail. Maravilhado com a possibilidade da possibilidade de comunicação quase imediata, até a milhares de quilometros de distância.

Terá, talvez 15 anos agora, e eu estava maravilhado com o facto de estar a conversar com uma amiga que vivia na Áustria, e durante o dia trocávamos várias mensagens.

Então partilhava alegre e inocentemente a maravilha deste mundo novo que se abria. Havia gente que achava graça ao entusiasmo e queria saber como era, o normal, portanto.

Houve, aqui e ali, alguns que levantaram o nariz, quase me mediram da cabeça aos pés com o ar e faziam o ar da maior afronta quando lhes pedia o email. Hoje, curiosamente, usam o e-mail, telemóveis, Ipads, tablets, internet no telemóvel, no carro e até, calhando no privado. Só fico satisfeito. Sinal que, apesar de tudo evoluiram!

Hoje não consigo deixar de pensar quantas são as "novas tecnologias" e os "e-mails" a que levantam o nariz, medem o mundo de alto a baixo? Uma ideia? Um hábito? Um comentário?...

A tal história sobre a liberdade, a tal que acontece no indivíduo, dentro dele apenas. Quem não é livre é sobranceiro à novidade.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Tremor de terra

Tremor de terra
Também na minha alma
Com mil réplicas
Sem aviso prévio.

E, às vezes, no sossego
Tudo se ressente
Da réplica ou do primeiro
Desse interior tremor

Que sacode a alma
Como quem tira o chão
Abana a vida e até
Se inunda de confusão.

E que tempo que venha
De um passado ultrapassado
Ou, nele revisitado
Tremor de alma sem certezas


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Desce sem nada


Desce sem nada.
Apenas com a alma
Suada e maltratada
A purgar melancolia,
Tristeza e solidão.

Deixou-se para trás
Algures no caminho
Já nem sabe onde
Já nem importa
Ficou-se por lá.

E porque desce sempre
Um pouco e mais outra vez.
E lembra-se, difusamente
De qualquer coisa que foi
Lá para trás, noutro ao fundo

E no meio de tudo
A alma ainda questiona
Que caminho, afinal?
E chora, sozinha
À procura da mão.

Sobre o Amor

Será que o Amor é uno? Que se ama apenas uma pessoa? Ou somos capazes de amar mais? E, se formos capazes de amar mais, amamos por graus? Do afecto à loucura? Sendo que a loucura depende, acima de tudo, da capacidade de entrega de cada um, pois posso amar perdidamente alguém, mas estar tão preso em mim que quem acaba por ficar louco sou eu. Ainda assim, acho que não é o meu caso.

Mas, e em resumo, aceito por completo uma escala de amor.

Vamos tentar definir patamares, ou graus?

Desejo de passado

O desejo do passado é sinal que houve um presente que se viveu. E, depois, há sempre uma alma que reflecte nele. E a verdade que fica desse passado é aquela que queremos viver no presente. De nada vale a realidade exposta à nossa frente, chapada na nossa cara. Aquilo que queremos é a confirmação do que temos como certo do nosso passado. E como não se volta a viver. apenas se saboreia na memória, fazê-mo-lo como queremos e mais gostamos.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Caminhos

Chegando até aqui, neste ponto preciso onde estou, olho 360º.
Vejo o passado lá atrás, o que podia ter sido por um lado, e também por outro, bem como o que se apresenta como futuro. E este é tão aberto que termina no infinito, num ponto mínimo que quanto mais longe, maior. E não é nesse ponto que o Sol se põe? E há lá melhor coisa que caminhar para o Sol?


Num instante

Estamos a 20 de Novembro. A 40 dias, portanto, de mandar o 2012 às urtigas. Ano que não deixa grandes memórias, e, pior que tudo, advinha um 2013 aziago. E, mesmo assim estou a adivinhar os do costume com tachos e panelas na rua, outros à procura de uns foguetes e mais uns beijos arrebatados. E como todos vão querer começar o ano com muito amor, lá teremos em Setembro o usual incremento da natalidade!


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Granfina


Apesar de não ser grande adepto de pastelarias, ou de passar tempos infindos a beber o mesmo café e copo de água, vivi alguns momentos "trágicos" neste local.


Algures na década de sessenta, bem no princípio o meu avô investiu na Lisboa que se abria e comprou essa loja. A lógica era que um comerciante, que era o seu caso, tinha que criar formas de sustentar a família aquando do seu desaparecimento.
O investimento foi, por um lado muito positivo, pois a centralidade do espaço é inquestionável, por outro lado a crise do petróleo de 73, a consequente inflação, o congelamento das rendas e uma revolução deitaram a perder qualquer rentabilidade deste investimento. A Granfina ainda resiste e a loja já nem sei se ainda pertence a alguém da minha família. O mais certo é ter sido comprada pelos donos da Granfina a prevenirem o seu futuro.

NOTA: Acabo de ter uma informação adicional que o Arquitecto que desenhou o prédio Manuel Coutinho Raposo, era o meu tio-avô. Está explicada a compra das lojas.

Meditação

A verdade é a liberdade em estado puro. E só na liberdade se realiza o ser.

domingo, 18 de novembro de 2012

Digitalização

Tarefa de um condenado à preservação da memória visual.
Diz-me o computador que já lá vão 37 negativos digitalizados e prestes a completar metade das folhas de negativos do meu avô materno!
Depois há que os classificar, ordenar, nomear e juntar. Distribuir a quem possa interessar.

Passada essa fase, há negativos de outras ancestralidades para tratar. Enfim... quem corre por gosto não se cansa, mas que isto cansa, isso é garantido.

Harmonia

A harmonia, enquanto estado de alma, traduz-se em equilíbrio, paz e serenidade.

Era para outro e ficou para mim, também

A liberdade é a riqueza única do individuo que só em si próprio se cumpre. Ao vivermos em sociedade somos obrigados a diminuir a nossa liberdade em função do meio onde nos integramos, bem como à moral que adoptamos. Por vezes, no entanto, essa liberdade exige-se. Aí, cometemos actos da dita "loucura"!

E volto a pecar

Sim. É mais forte do que eu! Não consigo resistir.

Cada vez que vejo/leio argumentos que se colocam frontalmente contra aquilo em que penso, lá cego mais um bocadinho e deduzo as minhas conclusões, por vezes um pouco inflamadas, é certo. Desta feita é novamente a guerra de alguns contra Isabel Jonet e o Banco Alimentar.

Confesso que me tiram de mim as posições extremadas e as conclusões abusivas de algumas frases menos acertivas de Isabel Jonet.

Será?

Cada vez mais me aproximo da conclusão que aqueles que mais verbalizam uma defesa da liberdade são, na verdade, os que menos a defendem. Não é um trocadilho de humor. Os que assim o fazem, seguem ideais de organização social de índole colectiva, ou que têm por base tomar o todo por uma unidade, reduzindo a diferença a nada, anulam por força dessa acção a unidade essencial do individuo. E é aí onde mora a liberdade. Qualquer redução do indivíduo face ao grupo é uma redução da liberdade.

Factos incontornáveis

O facto de se esticar a noite de sábado até à madrugada de domingo produz-me apenas o efeito de me terem roubado metade do domingo. E, uma vez que o ladrão fui eu, Ah! quanta imbecilidade cabe nas minhas opções!

sábado, 17 de novembro de 2012

Meditações

A verdade e a realidade. Dois conceitos que raramente andam juntos. E ambos têm grandes disputas com a liberdade.

Ainda sobre a liberdade

Ou sobre os condicionamentos da liberdade.

Tenho algumas sérias dúvidas sobre a consciência de alguns sobre a extensão das limitações que colocam à sua liberdade.
Desde logo na sua vida familiar. A união e o bem estar, seja entre um casal, seja num âmbito mais lato de família, incluindo os filhos, ou ainda mais lato o todo familiar há níveis sucessivos e progressivos de quebras da nossa liberdade. E perdemos essa liberdade porque ambicionamos outras coisas. Não é uma perda de quem tira algo, e por isso se fica coxo, mas uma perda na direcção de um equilíbrio. E porquê esse equilíbrio? Ora é bom que se tenha profunda consciência que cada individuo não é um mar de virtudes, nem sequer um paradigma de todos os conceitos. É óbvio que existe em todos nós a corrupção da vontade. E, nesse sentido, ainda que se deseje um mundo perfeito, ou mesmo um pensamento perfeito e virtuoso, bem como a acção perfeita, somos interiormente tentados para a tirania do nosso ego, do nosso prazer e do nosso bem estar. Essa acção consciente e voluntária, mais ou menos assumida socialmente, leva-nos a pensamentos e actos disformes da liberdade ideal. E essa não sintonia é-nos consciente no nosso eu interior, no fundo da nossa interioridade, no entanto, podemos produzir ideias erradas sobre o mundo de modo a que esta nossa desconformidade não se evidencie, e seja, nessa medida uma falta do outro.

Liberdade

A liberdade apenas se aplica ao individuo, jamais ao conjunto, grupo, partido, equipa, turma ou que forma de multiplicação de indivíduos. Assim o termo uma sociedade só é concebível se nela estiverem indivíduos livres.

Toda a cartilha que rodeia a palavra liberdade, esquece, por norma, o individuo. Geralmente impõe uma série de dogmas onde, logo de início fere de morte a própria liberdade, pois que esta, na sua essência, não pode ser em circunstância e modo alguns algo de enquadramentos ou limitações.

O individuo e o grupo

Sempre acreditei no individuo e na sua originalidade. O grupo, seja ele o que for, é sempre um conjunto de indivíduos onde, por alguma circunstância, se sobrepõe a vontade de elemento. Acontece, no entanto, é que as vontades e os desejos são semelhantes, o que ilude os que integram o grupo, fazendo-se sentir como qualquer coisa. 

"Todos os porcos são iguais, mas uns porcos que são mais iguais que outros." 

Se eu aceitar ser mais um do grupo e seguir as orientações, mesmo que de modo velado, do seu líder, isso não me dá o direito, em circunstância alguma, de obrigar quem quer que seja, a aderir às orientações desse grupo. A liberdade apenas se aplica ao individuo

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dúvida essencial

O que mais me incomoda é a falta de coerência profunda e essencial ( que vai à essência da consciência do indivíduo) sobre as escolhas que está condicionado seguir. E, em vez de se libertar e escolher com base na acção do pensamento em estado puro aceita respostas que o protegem da afirmação da sua individualidade. O individuo é a única coisa que existe e que pensa. Tudo o mais são meros exercícios que apenas podem valer enquanto tal. Fazer do grupo uma unidade essencial vale tanto como a de um pastel de nata.

Como as coisas funcionam

A brincadeira que está aqui em baixo surgiu pelo facto de ter estado de manhã a ouvir a banda sonora do filme Jesus Christ Superstar, um filme mediano que na altura teve o seu encanto. Reproduz uma ópera Rock que esteve em cartaz em Londres onde a coreografia era mais consensual. No filme há a influencia hippie que o empurra para momentos menos felizes. Feito com um orçamento curto, atinge o seu propósito. Ilustrar o album muito bem conseguido do ponto de vista sonoro.

Ou seja, quando saí para o calvário, as imagens do fazer de conta voltaram à minha cabeça e fui tomando notas, 14 precisamente, as estações da via sacra, que me levariam ao calvário. É óbvio que toda e qualquer semelhança, ou jogo de faz de conta pára aqui mesmo. Os conteúdos são apontamentos ligeiros de uma viagem de autocarro que se faz rapidamente. Ás vezes, com o trepidar do piso, mal havia tempo para completar a ideia que nascia naquilo que se apresentava à minha frente. Se fotografasse não obteria o mesmo efeito.

Via Sacra até ao Calvário Estação 14

Últimos metros antes do Calvário e, após 40 anos, volto a fazer de autocarro a mesma rua. A emoção contudo é outra.

Via Sacra até ao Calvário Estação 13

Um conjunto florido de buganvilias em flor na Praça da Armada. É bom ver que o Outono ainda nos deixa ver flores a florir!

Via Sacra até ao Calvário Estação 12

Beco do Olival. Bom se é beco é difícil que seja de um Olival, pois que se este se caracteriza por um conjunto de oliveiras... Deve ser o beco onde viveu a família Oliveira, logo o Olival. Tudo tem solução!

Via Sacra até ao Calvário Estação 11

No caminho passo pela Travessa de Dom Brás. Para quando a travessa de Dom Conde? Esse ilustre anónimo que acompanha toda a história de Portugal.

Via Sacra até ao Calvário Estação 10

Rua das Janelas Verdes e o MNAA. Apetece tantas vezes quantas as magníficas peças que nos oferece.

Via Sacra até ao Calvário Estação 9

Santos. Tempo cada vez mais da noite e de todos os vícios que esta tem para oferecer. Plateau insiste em manter-se no activo. Assim como a Igreja. Enfim, lugares de culto.

Via Sacra até ao Calvário Estação 8

A verdura das árvores e o Tejo ao fundo. Lisboa encantadora!

Via Sacra até ao Calvário Estação 7

Rua Dom Carlos I. Cada vez mais o meu rei de eleição, a par Dom Dinis. Um Homem muito maior que o nosso país que a mesquinhez de alguns não conseguiu tolerar.

Via Sacra até ao Calvário Estação 6

Fundação Mário Soares. Aquilo que podia dizer sobre este tema cansa-me só de imaginar que isto persista em acontecer.

Via Sacra até ao Calvário Estação 5

Um parlamento rodeado de grades. Porque não dizer gradeado?

Via Sacra até ao Calvário Estação 4

Rua de São Bento e a Casa da Amália. A seu lado um palacete que se vende e eu sem dinheiro para o comprar. O mercado não está a funcionar.

Via Sacra até ao Calvário Estação 3

Rua de São Bento. Zona sombria ainda, onde parece que o sol não entra, nem isso nem dignidade habitacional.

Via Sacra até ao Calvário Estação 2

Largo do Rato. Para lá da inenarrável intervenção ( sempre gostei destas palavras pomposas que se traduzem em obras) da própria praça, a vista de mais uma sede de um partido, deixa à evidência o luxo de alguns contra a pobreza de tantos.

Via Sacra Até ao Calvário estação 1

Entro no autocarro. Um cheiro a lixívia indesmentível. Não, não era da limpeza do autocarro, mas de alguém que andou a lavar O que quer que seja. E se a isso se misturar àquela falta de arejo típica de alguma roupinha desta época e é o céu.

Icterícia

As árvores da minha cidade estão cheias de icterícia. Estão doentes! As folhas, antes verdes, fortes carregadas de sombra, são agora uma pálidas coisas amarelas, quase translúcidas que com um nada de vento voam e caem no chão, quase mortas.
Depois, farão um tratamento solitário. Ao frio, ao vento e à chuva, apenas com os ramos espetados. Desoladas, quase sem almas, sem cor, sem luz...

Este outono que chega a cair-me na alma, desola-me todo.

Dúvidas

Mal de mim, ou mal da minha alma? E de agora ou de sempre?

Nota: Há dias em que devia perguntar a inversa!

Saí de mim

Saí de mim
E fui-me embora
Que tédio, Senhor
Ser-se assim!

Fiquei como alma penada
Sem ter onde estar
Nem saber o que amar
E solta de mim.

Ando, assim, por cima
De mim e do mundo
Alheio ao que se passa
E até ao que sinto

É como estar numa esquina
Da vida e de mim
Com vários caminhos
E nenhuma vontade!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Penosamente

Tenho que conviver com gente que, de modo absolutamente abusivo, interfere na minha vida e no meu bem estar.
Posso aceitar vários modos de solidariedade, contribuir e ser activo noutros. Posso até perceber porque é que se tomam determinadas posições. Não posso, contudo, aceitar que alguém que sempre foi contra a europa, o euro e demais inter-relações faça uma greve associada a vários sindicatos de alguns países europeus como modo de mostrar o que que seja.
Há que ter noção que quando fazem greve LIXAM a vida a pessoas que sofrem e estes, manifestam-se quando não estão a trabalhar. Não precisam dos sindicatos. Precisam de soluções.

É tão difícil fazer passar esta mensagem.  

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sim...


Pois claro que passaram uns anos, mas, e a rigor continuamos a comunicar com o mundo. E às vezes paramos para dar uso aos ouvidos. 

domingo, 11 de novembro de 2012

Ainda agora

Tocaram as doze badaladas e eis-me aqui, perdido, procurando o meu tamanco!
E fiz uma promessa à minha tia, que Deus a tenha, que tamanco como aquele, jamais o deitaria a perder!
E com os pés negros de tanto chão pisar, de correr para onde vir a ficar, como me foi o dia acabar!
E mais que acabar, outro insiste em começar, Diabo que o carregue que ainda este mal se finou!
Que vida a minha e que futuro posso ter sem tamanco que me leve à casa de meu Pai.
Diz o Senhor Prior que não carece de tamanco, nem de meia, até pouco de pé é necessário.
Basta alma que se crie limpa e pura, e como se não bastasse, sabe-me carvoeiro! Que pó e que negrume!
Para onde posso então correr para lavar a alma, ou o que quer que ela seja, pois então.
A mim já me enfiava mas é todo dentro do endredão e diria então:
Anjo da Guarda, minha companhia, guarda a minha alma de noite e de dia.

Até amanhã, ou até logo.

sábado, 10 de novembro de 2012

Partidas

Às voltas com tanta coisa, umas certas e outras nem por isso, e o tempo vai passando e conformando, nas decisões que tomamos, o futuro que iremos colher.

Alguém amputou o meu afecto

Alguém amputou o meu afecto
E embotou o meu sentir
Fechou-o num casulo
E depois apagou a luz

E qual larva que se fecha
E sem saber se transforma
E nasce este ignorante
Que assim se manifesta

Sem pés nem mãos
Nem passado que ensine
Improviso todos os dias
Um amor que me mime.

Se esse amor floresce
Ganha espaço e cresce
Fico sem saber como, pois
És tu que o conquistas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eu sento todos os meus afectos

Eu sento todos os meus afectos
Ao redor desse meu fogo
E cada um se senta como é
No lugar que lhe deu o Amor

Em cada uma alma ali sentada
Repousa um pedaço de mim
Que conheci algures num tempo
Em que era menos do que sou.

Almas que vivem assim dentro de mim
Em banho de fogo e luz
Reflectem o dourado de cada uma
Que me fizeram ser outro e outro

E é tudo um espaço sem fim
Onde há Afecto que se vive
E que todos os dias renasce
E nunca se extingue.

Dejá vu

Este fenómeno bizarro em que reconhecemos a realidade como a réplica de um passado qualquer onde já estivemos estremece qualquer um. É um choque eléctrico mental que num nano-segundo nos faz pensar e a filosofar do modo mais absoluto. Será, por ventura, das provas mais sensíveis da existência!

Quando oiço músicas de amor

Quando oiço músicas de amor
Aquelas que me fecham os olhos
Que te acendem dentro de mim
E me fazem recordar...

Num momento sem acção
Em que apenas fico parado à tua volta
Vou revendo-te, contemplando-te
Tudo em torno da tua imagem

E o momento alonga-se
Ao tamanho do meu afecto
Da imensa saudade que ficou
De um amor que é sempre

De todos os passados ausentes
Momentos imensos que ficaram
E continuo à volta da tua imagem
Rodando-me em ti

E sei, profundamente
Que apenas num sempre
Deixarei de ser assim
Será a Eternidade.


Conheço-te desde quando, alma minha?

Conheço-te desde quando, alma minha?
Diz-me, se sabes, desse tempo..
Conta-me como assim nascemos...
E e tu de cada lado.

Conheces os meus segredos,
Aqueles que me magoam fundo,
Aquilo que choro ao recordar
E me desola o amanhã...

E porque não me consolas, então?
Vês como me arrependo sempre.
Que não esqueço a aflição
Do erro sem o teu perdão?

Dá-me o teu ombro alma
Deixa-me repousar os olhos
Cansados das mesmas lágrimas
Que choram as tuas mágoas

Repousa-me alma minha
Já não há mais guerra
Que aquela que me fazes
Por seres consciência de mim.

Leveza da alma

Leveza da alma
Que vagueia suave
Nos mares do passado
E no sonho de amanhãs

Fui no interior do Amor
De tudo quanto foi
Momentos de encontro
Sem pressa de nada

Deixa-se prender a beijos
Retendo-se naqueles abraços
Onde os olhos se fecharam
Perante o som o Amor.

E passa para amanhã
Onde se quer como está
Numa paz profunda
De quem se segue a si mesma.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Terminada a reunião de condomínio

Em estado de dormência absoluta!

Reunião de condomínio

Hoje
Às 19.00 horas

Coisas que podiam ser simples, rápidas e eficazes e se tornam em processos lentos, morosos e com um apelo hercúleo à paciência.
As reuniões deviam começar sempre com a ilustração do objectivo e explicar o que temos de fazer para lá chegar. No entanto, invariavelmente, surge sempre alguém com vontade de dizer coisas, contar pedaços da história da sua vida, ilustrar demoradamente detalhes e, dor infinita, evidenciar que pode ter influência no que quer que seja, sendo que isso, raramente coincide com o fito da reunião.

E como terei de, mais uma vez, fazer de orientador da mesma, já entrei em processo de desgaste!

Queria receber uma carta de amor

Queria receber uma carta de amor
Das que confessam saudade
E suspiram o tempo todo
O nosso último abraço

Voltar as costas ao envelope
E sentir a boca que o fechou.
Os dedos com que o endereçou
E segurá-la antes de a abrir

Ler de fio a pavio
As linhas e as entrelinhas
E voltar ao princípio
Como se fosse o princípio

E com a saudade acrescida
De ler esse amor confessado
Voar o espaço que nos separa
E demorar de novo o abraço.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Diz o inglês que se sente blue

Diz o inglês que se sente blue
E o sentido é de balada
Assim como eu diria em fado
Quando também me canta a alma.

Apesar do próximo de azul
Nem se aproxima por um pouco
Pois que o céu e o mar
Não são a morada da alma

Esta vive naquela nuvem
Que insiste no homem
Que sonha, pensa e ama
Projecto de amanhã.

Corre assim na minha mão

Corre assim na minha mão
A sede da minha vontade
Que insiste em criar frases
Para dizer a alma

E é a alma do momento
Aquela que agora chora
O futuro que tinha
Na aurora do dia.

Que deixou no tempo
Por entre tantos nadas
Os sonhos de vir a ser
A concretização do pensar.

E, olhando para trás,
Para o sentir que foi
Nasce aquela saudade
De quando se é um projecto de Amor.

E amanhã, pela manhã
Quando, de novo sentir
A vontade de vir a ser
Saberá, talvez, o que fazer.

Na madrugada

Na madrugada
Vagueava carregado de vida
E energia criadora.
Vontade de ser sonho
Execuções múltiplas de mim
Planos já tentados
E prontos a ser.

Agora,
Neste momento cinzento
Em que me levaram a alma
Em que nem o céu é azul.
Olho para o horizonte
E lá perco o olhar
Vazio, desolado.

O tempo curvou-me
Levou-me de mim
Aquele fogo que quer
Que anseia e que busca
Que me põe frenético
E deixou-me sem braços
A arrastar-me assim.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

E ao longe

Não tão longe quanto isso, mesmo ali por detrás de uns prédios um cinzento a enegrecer como quem apaga a luz e se impõe como um tecto que vai baixando. O ar não pesa, apenas se adensa e a luz não é mais uma iluminação do Sol, mas um reflexo da terra que desaparece no ar, completamente engolida pelo soturno chapéu que veste o horizonte que se vê entre os prédios.

E, penosamente, olho para o chão e sinto a pressa de chegar a um porto de abrigo que me socorra de um dilúvio em promessa.

domingo, 4 de novembro de 2012

E pego num pedaço de plástico

E pego num pedaço de plástico
Rígido e sujo de químicos
Olho-o em contra luz
E parece que vejo
Um mundo em que vivi.

Descubro uma imagem
Um passeio, será?
Um lugar onde estivemos
E, onde cientificamente
Roubamos a alma ao lugar.

E entre duas gargalhadas
O fumo de um cigarro
O botão da máquina captou
Este bocado de passado
Que é mais que uma imagem.

E quase se sente o cheiro,
As folhas secas do chão,
E a água a correr no rio,
E a luz coada pelas árvores,
E nós, sem saber o que isso é.


Gostava de não ter estado no tempo

Gostava de não ter estado no tempo.
De poder ser tudo sempre
Aqui, agora e amanhã
Assim como foi ontem.
De não que ficar assim preso.
Preso a memórias
A lugares e a pessoas
E preso, também, ao modo
de como eu assim vivia.

É que foi tudo tão cheio
Que a memória fica pequena
Para lá caber os tantos eus
Que viveram nesses tempos
E fico desnorteado sé de pensar
Como ainda sou só um
A reviver nesse tempo todo.

Digitalizando

Quando, lá para a idade em que se faz tudo e se aceitam todos os desafios, comprei uma máquina fotográfica a sério percebi o escaldão de despesa em que me tinha metido. Falo, para os mais recentes, num tempo em que revelar e ampliar um rolo de 36 fotografias andava na casa dos 3 contos ( 15 aurélios para moeda corrente). Ou seja, cada vez que premiamos o botão, para além de começar a fazer sonhos e castelos de imagens na cabeça, lá se iam 100 escuditos! Não era, de todo, um gosto barato. A minha primeira máquina foi uma Pratika que me custou 32 contos e quinhentos, isto em aurélios andou na casa dos 165! Era do leste. Pesada mas com lentes Carl Zeiss.

Procurando, investigando e percebendo cada vez mais como é que as coisas se faziam meti-me na aventura do preto e branco, pois era eu quem fazia os rolos e os revelava em casa. ( Verdade, muito investimento). Resultado, carregar no botão já era mais irrelevante, pois só passaria ( passaria!!!!) a papel o que fosse verdadeiramente interessante. Esta era a teoria. O filme a metro não era caro de todo e saia cada rolo a muito pouco e, se bem me recordo cada fotograma, no resultado final era coisa para 5 ou menos escudos.

Hoje, passada uma geração ( pois isto foi à 25 anos, e eu estava no segundo ano da faculdade) tenho vários dossiers de negativos e verifico, naturalmente que muitas imagens não valem o tempo de digitalizar. São beras e não passam de experiências pueris.

Imaginem lá, agora, as vezes que carregam no botão da máquina e o lixo que se acumula nos discos rígidos dos computadores!

Vivendo

Cada dia é mais um dia. Durante esta noite, infernal de chuva, várias vezes o sono foi interrompido pelo barulho desta. E a manhã em paz. Uma ligeira moinha, de pouco descanso, sentou-se em cima dos meus olhos, entre a pestana e a sobrancelha. Está a pedir mais um pouco de cama, mas o frenesim deu cabo da minha vontade de estar deitado.

sábado, 3 de novembro de 2012

A vingança...


A vingança é aquele prato que se come frio... Bem, no caso presente, e depois de 4 horas a lutar contra a máquina, cá está o resultado. São digitalizações de fotografias da casa dos meus avós paternos na Ericeira.


A casa já não existe, foi sugada pelo devir financeiro da família que a transformou em sonoro metal. Hoje é um rico prédio com 3 andares, direito e esquerdo, ( e sei lá se mais...)
A foto é de 1987 ou 1988 e foi tirada numa passagem do ano, pelo deve ter sido de 87 para 88. No reveillon fomos todos para o Ouriço, dantes como nessa altura, como agora uma casa de charme.

A cantar vitórias!

Ao mesmo tempo que entro em desespero profundo. Cada 2 negativos leva quase meia hora a digitalizar!!!!!!
Ainda não fiz completamente os primeiros 2! Já vi que funciona muito bem e que as imagens saem com uma qualidade muito boa. Percebi, também, que é na maior definição que as sai o melhor resultado, o que tem como contrapartida mais uma centena de milhar de tique taques.

Vamos ver a coisa pela positiva. Não é um trabalho para acabar hoje. É para se ir fazendo até à minha quinta reencarnação!

Era suposto chover

Era suposto hoje estar a chover como se não houvesse amanhã. Assim o disseram os meteorologistas. Assim sendo, e percebendo que tinha que ficar por casa, pois não sou dado a actividades subaquáticas, estive desde quinta-feira e preparar o que iria fazer.

Como tenho alguns (7) dossier cheios de folhas com negativos, sendo que são maioritariamente a preto e branco, resolvi que iria começar a digitalizar os negativos. Em tempo comprei um scanner que digitaliza 2 ( sim dois) fotogramas, pelo que era por aí que as coisas iriam começar.

Estou há 3 horas à volta som o software para instalar o dito cujo. Já risquei do mapa um computador! Agora o trabalho vai-se iniciar no portátil!

E havia tanto para passear, para ler, para escrever e até desenhar!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

É assim

Mais um feriado passado dentro das paredes do emprego a dar resposta às eventuais necessidades do mercado e do banco. Geralmente dias sem stress e com muito tempo para se pensar na vida. Hoje, contudo, foi tudo ao contrário. Sem tempo para estar nesse fazer pouco ou quase nada. Agora, de volta a casa, cansado e sem vontade de fazer o jantar.

É Novembro que começa com aquela moinha de quem não se contenta com o cinzento, o frio e o vento. Começa, no entanto, a nascer, devagarinho, as saudades do Verão e do estar na praia a olhar as ondas a brincarem com a areia. Naquele modo, meio infantil, de toca e foge. E fazer uma qualquer coisa com os pés na certeza que virá uma onda e tornará o chão liso e cheio de brilhos do Sol.

Já posso ir fazer o jantar.

Todos os Santos

Hoje é dia de todos os Santos. Amanhã será o dos defuntos. Pequena diferença que faz a história da Igreja. O facto de as pessoas morrerem não as torna santas, apenas o percurso que tiveram em vida.

Amemos os que morreram cientes que enquanto comnosco estiveram não foram santos. Nem era suposto serem!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Perder tempo

Recolho aqueles pedaços de papel que colocam nos carros a fazer publicidade a Videntes, tarologos, mediuns, curandeiros, espiritualistas e outros sinónimos. Assim a lista é a que segue:

O Grande Professor ADAMA
Mestre ALANA
Mestre Vidente ALFA
ALIU SÓ
Astrólogo Mestre BALÉ
Professor BANFA
Mestre BORAIA
Prof. Mestre BUBACAR
Mestre CADIMO FATI
Astrólogo Mestre CADRY
Mestre CAMARA
Professor CAMARA
Mestre CARIMO
Professor Mestre COTE
Astrólogo Mestre DABO Vidente
Africano Mestre Prof. DIAKHABY
Professor DIAKITE
Mestre DIALLO
Padre DJUARA
Astrólogo Vidente Dr. FATI
Grande Mestre FATI
Prof. FOFANA
Prof. HERABA
Mestre Vidente IACUBA
Professor ISSA
Professor KALIFA
Professor KARA
Mestre Vidente LCOMANE
Professor MAMADU
Mestre MOBINO
Mestre MUCTAR
Mestre MUNA
Astrólogo Mestre MUSSA
Professor SADO
Prof SHARIFO MUSTAFA
Professor SIDICO
Mestre SILA
Professor SUARE
Professor SYLLA
Mestre TURÉ
Professor UMAR

Quarenta e uma sumidades, por ventura com experiência académica da Lusófona, prontas a dar o seu apoio às almas menos previdentes e potencialmente aligeiradas monetariamente por tanta sapiência.

Os cartões/papeis são um pouco repetitivos e seguem a linha de ciúmes, maus olhados, recuperar o amor, dinheiro e outras bagatelas da vida mundana.

Para entreter a razão

Para entreter a razão
uso a máquina de calcular
E desato a fazer contas
Que são todas de sumir
Tempo, paciência
E pouca, muito pouca ciência.

Para entreter o entendimento
Coisa mais densa,
Já aprece o eu,
O lugar e a história
O contexto, as coisas e o mundo
E cresce uma malha
Toda ela entrelaçada.

E vem, aos trambolhões,
A alma entreter-me
Brinca coma razão
E aflige-se com o entendimento
Enche-se de angústias
E brinda ao pensamento.

Em tudo isto fico eu
A saltar entre argumentos
Palavras que sulcam
Lavrando caminhos
E deixando-me sem certezas
Mas com muitas respostas.

E se, de repente,

E se, de repente,
O mundo se fechasse
E todos ficássemos
Sem respostas...

Vazios de mundos
Apenas com o migo
E só ele para conviver,
Falar e pensar.

E quando acabassem as palavras
Acabavam também os ouvidos
Apenas restavam olhos
Que já nada viam

Sem palco nem plateias

Sem máscaras até,
Quais fantasias e
Coisas para se ser


E de retorno ao mundo fetal
Enrolados na nossa alma
Obrigados a ser apenas
Um eu sozinho

Não há mais um outro
Para ser ou estar
Assim como no princípio
A nudez da alma toda.

Momento desconcertante

Li, num comentário que me enviaram, que parte considerável dos actores e comentadores da politica nacional obedece à maçonaria.
Eu tenho, para mim, que a maçonaria, sendo vazia de qualquer valor diferente mais não é que uma sociedade em que a rapaziada se junta para planear os ataques que por aqui andam. Sendo, a cada dia que passa, mais um bando de malfeitores.
Se a maçonaria teve alguma relevância quando a sociedade estava subjugada à Igreja, isto é, até sensivelmente ao fim da segunda guerra, ainda posso aceitar, pois havia pessoas de bem que apesar de serem católicas, ou protestantes, não concordavam com os ditames desta e, em conjunto com outras pessoas, discutiam temas sérios sem as obrigações da sua fé. Mas hoje em dia??? Em que vale tudo menos arrancar olhos? Que sentido tem?

O único sentido é o da ganância pessoal. E isso é execrável.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ao caderno!

Ao caderno!
De volta ao trabalho
Chega de nada
Que o nada não existe

Aqui, de longe, te vejo
Infame preguiça
Que me persegues a mão
E calas a alma.

Sinto-me um poeta?

Sinto-me um poeta?
Não! Mas às vezes quase sim.

Corre na minha alma
Uma vontade de dizer
E também de dizer-me
Assim como sou,
E também como sinto.
O mundo onde estou
E o inferno com que vivo.

Querer tudo e nada
Já, imediatamente,
E depois, nada,
Absolutamente!

Chorar, como quem grita
Numa fúria que nunca se cala
Moinha que se enrola,
E assim se aninha.

E suspirar fundo,
Sem sentir energia
Nem pausa, nem sossego,
E a alma com uma avaria.

E se disso resulta ser poeta
Então sou poeta!
E se resulta ser nada
Então que incomodo é
Ser apenas eu!

Que mania

Passeava um umbigo
Abrigado por um soberbo peito
Que, afinal, até eram dois
E desconcentrei-me
Que coisa esta de abanar
E saltitar à minha frente,
Este ânimo de Deus
Que se produz todo
Como apelo à procriação
E, caramba, assim não pode ser
Homem que é homem
Fica-se todo cheio de aflições
Levanta a sobrancelha
E abre o olho até lá caber
Todo o horizonte saltitante.
Respira fundo
E num momento único
Agradece ao Criador
Quer o acto de criação
Quer o ânimo da apreciação.

Um momento de loucura depois de por mim ter passado um ninfa do Tejo que se passeava de mão dada à sua cara metade.

Meditações

Às vezes, quando colocamos algumas questões essenciais e vitais em causa, é como que todo o nosso mundo pudesse ser colocado em causa e, por isso mesmo, todas as mudanças são possíveis. Nada é para sempre, tudo é temporário, tudo reflecte uma adesão que se confirma todos os dias.

domingo, 28 de outubro de 2012

O amanhecer


Trabalhar de manhã tem coisas destas. O fogo nascia debaixo de uma camada de nuvens.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Desenhos


Desenho apenas. Os óculos são propositadamente grandes


Um doce a quem descobrir onde descobri este modelo


Jovem a ouvir música no autocarro


Mais um desenho que vale outro doce... Mas este maior!


Um desenho a descambar para a caricatura!